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O antológico fundo Verde, do maior gestor do país, tem posição significativa em títulos públicos atrelados à inflação; saiba o que fazer para investir você mesmo nesses papéis
Na semana passada, mostramos aqui no Seu Dinheiro que Luis Stuhlberger, o mais reconhecido gestor de fundos multimercados do país, tem uma quantidade significativa de NTN-B, títulos públicos atrelados à inflação, na carteira do seu antológico fundo Verde.
Em entrevista à jornalista Luciana Seabra, Stuhlberger mostrou ligeiro otimismo com o Brasil, evidenciado também na posição que o Verde tem em ações brasileiras.
Já o repórter especial Eduardo Campos andou conversando com alguns especialistas que também consideram o investimento em NTN-B uma boa pedida no momento.
Mas você sabe como comprar esses títulos públicos? Vou te mostrar.
As NTN-B são títulos públicos federais, isto é, títulos de dívida do governo. Você empresta dinheiro para o governo federal e ele te paga um juro prefixado - já conhecido no ato do investimento - mais a variação da inflação pelo IPCA, o índice de preços oficial.
A sigla significa Notas do Tesouro Nacional-série B, mas o investidor pessoa física atualmente as conhece como Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.
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É sob esse apelido, em termos mais ou menos humanos, que esses títulos são negociados no Tesouro Direto, plataforma on-line de negociação de títulos públicos federais para a pessoa física.
Basicamente, esses títulos protegem o investidor da alta generalizada dos preços, preservando o poder de compra dos seus recursos e garantindo uma rentabilidade acima do IPCA. As NTN-B pagam juros reais, ou seja, juros acima da inflação, que já são conhecidos quando o investidor adquire o título.
Só que tem duas formas de ganhar dinheiro com NTN-B. A mais conservadora é levando o título até o vencimento. Nesse caso, elas são indicadas para investimentos de longo prazo, como a aposentadoria, pois seus prazos costumam ser bem grandes.
Ao comprar uma NTN-B e ficar com ela até o vencimento, o investidor garante que vai receber a rentabilidade contratada - um rendimento acima da inflação.
A outra forma de ganhar dinheiro com NTN-B é pela valorização do título. É que quando você vende o papel antes do vencimento, você não ganha o retorno contratado. Os títulos públicos são sempre vendidos a valor de mercado, e as NTN-B podem se valorizar ou desvalorizar como qualquer outro ativo.
E o que faz o preço da NTN-B subir ou cair? De uma forma geral, são as perspectivas em relação à taxa de juros DI, mas podemos também pensar na taxa básica, a Selic.
Quando há uma expectativa de que os juros subam até o vencimento do título (além do que já foi precificado), o preço da NTN-B cai e sua remuneração (a parte prefixada) sobe; inversamente, quando há uma expectativa de que os juros caiam até o vencimento do título (aquém do que já foi precificado), o preço da NTN-B sobe e sua remuneração cai.
Lucrar com a valorização de NTN-B é uma forma um pouco mais arriscada de investir do que carregá-las até o vencimento, uma vez que os títulos também podem se desvalorizar, gerando retornos negativos.
Porém, na pior das hipóteses, há sempre a possibilidade de sentar em cima do título e esperar o vencimento. Nesse caso, você não terá perdas nominais e nem perde da inflação - no máximo deixa de ganhar um pouco mais em alguma outra aplicação financeira.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Luís Stuhlberger afirmou ter, na carteira do fundo Verde, NTN-B com vencimentos para 2023, 2026 e 2028.
Para o gestor do Verde, esses papéis estão pagando bem: cerca de 6% ao ano acima da inflação. Se você comparar com os juros reais de países desenvolvidos, essa é uma tremenda rentabilidade, de fato.
Veja quanto as NTN-B disponíveis para compra no Tesouro Direto estão pagando hoje:
Fonte: Tesouro Nacional
Você pode ver todos os títulos públicos disponíveis para compra, bem como seus preços e remunerações, no site do Tesouro Direto.
Além de pagarem bem, se a inflação sair de controle, as NTN-B protegem o investidor. Nesse caso, provavelmente, o mercado passaria a esperar uma elevação da taxa básica de juros, o que poderia desvalorizar esses títulos. Ainda assim, eles poderiam ser levados ao vencimento, garantindo um ganho acima desse IPCA fora de controle.
Por outro lado, passadas as tensões eleitorais, é possível que ocorra um fechamento na nossa curva de juros, o que em linguagem humana significa que o mercado pode passar a esperar juros menores no futuro. Isso reduziria o juro real pago pelas NTN-B e se refletiria numa valorização desses papéis.
Caso isso ocorra, quem comprar NTN-B agora se dá bem de duas formas. Quem quiser levar o título ao vencimento, terá garantido um juro real alto, próximo dos 6%, que não estará mais disponível depois que as taxas caírem. Já aqueles que preferirem vender o título antes do vencimento vão embolsar a valorização do papel.
Essa é a crença de dois especialistas ouvidos pelo meu colega Edu Campos. Para Conrado Navarro, especialista da Modalmais, assim que tivermos definição mais clara sobre o novo presidente e sua equipe econômica, é possível que a taxa prefixada paga atualmente pelas NTN-B caia.
O diretor de investimentos da Rosenberg Asset Management, Eric Hatisuka, acredita que, ainda que a Selic seja elevada pelo Banco Central no curto prazo, a fim de manter a inflação próxima à meta, as NTN-B de prazo mais longo poderiam se valorizar.
Hatisuka falou sobre a possibilidade de uma alta superior a 20%. Para ganhar com esse cenário, a ideia seria fazer um investimento de 12 meses ou um pouco mais, e não carregar o papel até o fim do prazo.
Bem, eu particularmente gosto muito de NTN-B, e tenho uma boa parte da minha grana nesses títulos, justamente porque os acho rentáveis e versáteis.
Dá para ganhar com a valorização num cenário de otimismo com o futuro ou se proteger da inflação num cenário de pessimismo. E caso você se atrapalhe na estratégia e seus títulos comecem a se desvalorizar, você não precisa realizar o prejuízo. Basta ficar com eles até o vencimento, garantindo rentabilidade acima da inflação.
Além disso, trata-se de um investimento barato e de baixo risco, pois os títulos públicos têm garantia do governo federal.
Mas atenção: para ganhar dinheiro com NTN-B, você pode precisar deixar seu dinheiro “preso” ao investimento por algum tempo. Por isso, mantenha sempre uma reserva de emergência aplicada em investimentos conservadores e de alta liquidez, atrelados à taxa DI ou à Selic. É o caso dos fundos de renda fixa, os CDB e os títulos Tesouro Selic (LFT).
Há basicamente duas formas de comprar NTN-B: via Tesouro Direto ou no mercado secundário, via mesa de operações das corretoras.
O Tesouro Direto é a plataforma de negociação online de títulos públicos federais para a pessoa física. Por meio dela, você mesmo compra os títulos diretamente do Tesouro Nacional e pode vendê-los de volta ao governo a qualquer momento.
Trata-se da forma mais acessível de investir em títulos públicos, pois é possível aplicar qualquer valor. O investimento mínimo estabelecido pelo Tesouro é de 30 reais. Ou seja, é realmente um canal para o varejo.
Para operar no Tesouro Direto, você precisa abrir conta em uma corretora de valores, que pode ser a do banco onde você tem conta ou outra corretora de menor porte. Preocupe-se apenas em escolher uma instituição que não cobre taxa de administração para esse tipo de investimento, também conhecida como taxa de agente de custódia.
No site do Tesouro Direto, há uma lista com todas as corretoras que não cobram essa taxa.
Há, porém, uma taxa obrigatória de custódia de 0,3% ao ano, paga à bolsa pela guarda dos seus títulos. Não é uma taxa alta, tendo em vista que a maioria dos fundos de renda fixa cobra taxas de administração iguais ou maiores que esse valor.
Após abrir sua conta, peça a corretora para habilitar você a operar no Tesouro Direto. Em algumas instituições financeiras, você precisará acessar o site do Tesouro Direto para comprar e vender títulos, mas outras oferecem plataformas virtuais integradas ao sistema do Tesouro. De todo modo, a corretora é apenas uma intermediária.
No Tesouro Direto, você terá acesso a dois tipos de NTN-B: o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, que é a NTN-B em si, e o Tesouro IPCA+, também chamada de NTN-B Principal.
A primeira paga juros na sua conta a cada seis meses e no vencimento, e a segunda só paga os juros no vencimento.
As compras e vendas de títulos via Tesouro Direto são negociações em mercado primário, isto é, entre o investidor e o emissor dos títulos, que é o Tesouro Nacional.
Mas também é possível, para a pessoa física, negociar títulos públicos no mercado secundário, onde as compras e vendas ocorrem entre os investidores.
Para fazer isso também é necessário ter conta em corretora. Mas em vez de acessar uma plataforma online, o investidor deverá solicitar as negociações à mesa de operações. Isso, em geral, é feito por telefone, chat ou e-mail.
Via mesa de operações, o investimento pode não estar sujeito a qualquer taxa. Não há taxa de custódia, pois esta não é feita na bolsa, mas no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Além disso, pode ser que a própria corretora não cobre taxa de administração.
Nesse caso, é importante que o investidor verifique, junto à instituição financeira, se as contas dos clientes no Selic são apartadas da conta da corretora, o que torna o investimento mais seguro.
Outra vantagem do investimento via mesa é a disponibilidade de uma variedade maior de prazos para os títulos.
Contudo, há algumas desvantagens. Primeiro que esse canal de investimento é para poucos: só é possível comprar títulos inteiros e normalmente em grandes lotes, o que faz com que o investimento mínimo seja da ordem de R$ 50 mil.
Além disso, não é possível negociar o título Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal), apenas a NTN-B que paga juros semestrais. Também não é possível acompanhar o desempenho dos títulos no Canal Eletrônico do Investidor (CEI) nem no site do Tesouro Direto, que mostram apenas os papéis custodiados na bolsa.
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