Alta da Selic abre oportunidades no Tesouro Direito
BC já alertou sobre possibilidade de aumento da taxa básica de juros, hoje em 6,5%. Veja as melhores estratégias para ganhar dinheiro diante dessa perspectiva.
O Banco Central (BC) já avisou que pode subir o juro a depender do resultado das eleições. Não é o fim do mundo, pois ninguém está esperando a volta da Selic de dois dígitos. Mesmo assim, a virada traz oportunidades para quem investe no Tesouro Direto.
Para quem tem perfil mais conservador e prefere não arriscar diante da real possibilidade de alta do juro e incerteza eleitoral, a saída mais óbvia, segundo o especialista em finanças pessoais da Modalmais, Conrado Navarro, é o Tesouro Selic (LFT). O papel permite “pegar” todo o movimento de alta da taxa básica de juros, hoje fixada em 6,5% ao ano, sua mínima histórica.
A mesma recomendação vem do especialista em investimentos do Banco Ourinvest e fundador da Academia do Dinheiro, Mauro Calil. Ele recomenda apenas exposição ao Tesouro Selic (LFT). Segundo Calil, os ativos prefixados perdem atratividade nesse cenário e aqueles atrelados à inflação também.
Esse movimento já começou. Em agosto, o balanço do Tesouro Direto mostrou firme demanda por LFT.
Mas para o investidor de perfil mais arrojado também há oportunidades tanto em papéis prefixados como nos ativos atrelados à inflação. A questão aqui é ter ciência de que operação pode não oferecer liquidez imediata.
“Existem boas oportunidades em todos os cenários que se olha para o Tesouro Direto”, diz Navarro, afirmando que o investidor não pode ignorar as taxas praticadas atualmente.
6% mais inflação
O especialista da Modalmais chama atenção para as taxas prefixadas dos papeis Tesouro IPCA (Notas do Tesouro Nacional Série B - NTN-B) com vencimento em 2024 em diante, que estão pagando cerca de 6% mais a inflação. Para Navarro, assim que tivermos uma definição mais clara sobre o novo presidente e sua equipe econômica a tendência é de redução dessas taxas.
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“Acredito que o investidor pode assegurar uma taxa muito importante, que pode não existir mais”, diz Navarro, lembrando que na eleição de 2014, movimento semelhante foi visto, com taxas subindo a 7% e depois apresentado recuo.
O diretor de investimentos da Rosenberg Asset Management, Eric Hatisuka, tem tese semelhante. Para o diretor, o BC fará mais uma correção da taxa Selic do que um ciclo de alta propriamente dito.
Para o diretor, o BC pode acomodar a inflação ao redor da meta garantindo um alívio para a atividade em função da recessão dos últimos dois anos e do fraco crescimento de 2018.
Perspectiva de valorização para resgate antecipado
Segundo Hatisuka, esse aceno de compromisso do BC com a meta de inflação nos próximos anos é algo bastante positivo para os papeis Tesouro IPCA, de prazo mais longo, de 2035 para frente.
Para o diretor, a parte prefixada desses títulos, que opera próximo dos 6%, oferece uma oportunidade de ganho. A ideia é que o prêmio de risco exigido em função das recentes turbulências eleitorais não seria apropriado. Então, essa taxa teria espaço para voltar a patamares ao redor de 4,5% a 5%.
Um “fechamento” de taxa dessa magnitude pode resultar em valorização superior a 20% no preço do título. A ideia aqui não é carregar o papel até o vencimento, mas por cerca de 12 meses ou um pouco mais.
“O Brasil dá susto suficiente para o longo prazo se renovar a cada 12 meses”, diz Hatisuka.
Nesse caso, alerta o especialista, o investidor tem de entender seu perfil de riso e saber que os recursos aportados nessa estratégia terão de ficar, pelo menos, 12 meses “parados” ali.
Navarro acredita que a entrada nas NTN-Bs pode ser um “trunfo” na mão do investidor. Além dessa possibilidade de valorização do preço do título antes do vencimento, se as coisas derem erradas após o período eleitoral, o investidor tem a opção carregar o papel até o vencimento, pois as taxas pactuadas “são boas”.
Navarro também acredita que algumas taxas dos papéis prefixados, próximas a 11%, não podem ser deixadas de lado. É quase o dobro da Selic atual, de 6,5%. Mas, nesse caso, o investidor tem de estar ciente do risco de que num quadro extremo a Selic pode ir acima disso.
Se apareceu alguma dúvida sobre comprar os títulos, a colega Julia Wiltgen explicada aqui como fazer.
Outras oportunidades
O especialista da Modalmais também acredita que há boas oportunidades no mercado de títulos privado. Mas, novamente, a operação tem de estar de acordo com perfil de risco do investidor e com prazo que ele pode dispor dos recursos.
Navarro afirma que há ativos de bancos pequenos ou médios com taxas superiores que às ofertadas pelo Tesouro e com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). “Fica uma boa alternativa para diversificar e assegurar taxa ainda melhor”, explica.
Uma busca nas plataformas de investimento mostra ativos prefixados com taxas superiores a 12,5% e outros ativos que pagam IPCA e até 7,5% ao ano.
Conteúdo Empiricus
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