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Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco) e “Abandonado” (Geração).
Balanço

Vale tem lucro acima do esperado no 4º trimestre, mas mantém dividendo suspenso

Mineradora registrou lucro líquido de US$ 6,860 bilhões, o que representa alta de 24,6% em relação a 2017. Em reais, o resultado foi de R$ 25,657 bilhões

27 de março de 2019
19:47 - atualizado às 20:36
Vale
Vale - Imagem: Shutterstock

Dois meses depois do rompimento da barragem de Brumadinho (MG), a Vale anunciou os resultados de 2018. A mineradora registrou lucro líquido de US$ 6,860 bilhões, o que representa alta de 24,6% em relação a 2017. Em reais, o resultado foi de R$ 25,657 bilhões.

No quarto trimestre, o lucro da Vale atingiu US$ 3,786 bilhões, quase quatro vezes maior que no mesmo período de 2017.

O resultado nos últimos três meses do ano passado também ficou acima da média das projeções dos analistas, que apontava para US$ 2,599 bilhões, de acordo com dados da Bloomberg.

Apesar do lucro maior, a Vale decidiu manter a suspensão de pagamento de dividendos aos acionistas, determinada logo após a tragédia de Brumadinho.

Nos cálculos da mineradora, os dividendos distribuídos nos nove primeiros meses do ano passado, no valor de R$ 7,694 bilhões, já estão acima do pagamento mínimo de 25% do lucro determinado na lei.

No ano passado, o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de US$ 16,593 bilhões, um aumento de 8,2% na comparação com 2007.

A receita operacional líquida da Vale foi 7,7% maior no ano passado e somou US$ 36,575 bilhões.

Custos de Brumadinho

A Vale afirmou que ainda é cedo para calcular com precisão os custos gerados após a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. No relatório divulgado junto com o balanço, a companhia diz que "ainda está avaliando os passivos potenciais que podem surgir da ruptura da Barragem I".

"Devido ao estágio preliminar das diversas alegações e contingências, não é possível determinar um conjunto de resultados ou estimativas confiáveis da exposição potencial", diz o documento. "Portanto, o valor de outros custos relacionados ao rompimento da Barragem I, que serão reconhecidos em 2019, não puderam ser estimados ainda", argumenta a mineradora.

No documento, a companhia reconhece que está sujeita a "passivos e contingências significativos em razão da ruptura da Barragem I". A mineradora lembra que "já é parte em diversas investigações e processos judiciais e administrativos" movidos por autoridades e pessoas afetadas. Mesmo assim diz que "novos processos são esperados". Sobre esses passivos e contingências, a empresa diz que "realizará provisões com base nos acordos celebrados".

O relatório da direção da Vale afirma que, do ponto de vista contábil, "o rompimento da Barragem I representa um evento subsequente às demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2018". Portanto, explica o balanço, o impacto da tragédia será observado a partir do exercício de 2019. "A começar pelas demonstrações financeiras para o trimestre findo em 31 de março de 2019", diz o balanço.

*Com Estadão Conteúdo.

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