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Diretoria da autarquia rejeitou pedido da área técnica para reabrir o caso e mantém decisão favorável ao controlador; entenda a história

Depois de meses de debate interno, a diretoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) bateu o martelo: o controlador da Ambipar (AMBP3), Tércio Borlenghi Junior, não deverá lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações dos minoritário.
O desfecho encerra um dos episódios mais acompanhados pelo mercado nos últimos meses — e que colocou em lados opostos a área técnica da CVM e a diretoria.
Meses atrás, os técnicos da autarquia chegaram a levantar a hipótese de que a cotação das ações da Ambipar poderia ter sido inflada artificialmente devido às compras feitas em conjunto com os fundos ligados ao Banco Master e ao empresário Nelson Tanure.
Essa leitura levou a área técnica a defender que Borlenghi deveria estender uma oferta aos acionistas minoritários. O entendimento, porém, não prevaleceu.
Na reunião desta semana, a diretoria da CVM decidiu, por unanimidade, rejeitar o pedido de reconsideração que buscava reabrir a discussão. Com isso, foi mantida a decisão de que o fundador da empresa não precisa realizar a OPA.
O caminho até esse desfecho foi marcado por idas e vindas dentro da própria CVM.
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Em um primeiro momento, o diretor Otto Lobo pediu vista do processo, adiando a conclusão do julgamento. À época, o quarto diretor da autarquia, João Accioly, ainda não havia se manifestado.
Após a saída do então presidente da CVM, João Pedro Nascimento, Otto Lobo — o diretor mais antigo da casa — assumiu a presidência de forma interina.
Em julho, Lobo colocou o caso Ambipar em discussão e apresentou voto contrário à obrigatoriedade da OPA. Como presidente interino, ele acabou exercendo o chamado “voto de qualidade”, o que garantiu o polêmico desfecho favorável ao controlador da Ambipar.
Desde então, a área técnica da CVM passou meses insistindo para que o voto fosse reconsiderado. O argumento era de que o tema merecia uma análise mais aprofundada, dado o impacto potencial para os minoritários.
O pedido de reconsideração entrou oficialmente na pauta da reunião de 23 de dezembro — a apenas oito dias do fim do mandato de Otto Lobo como presidente interino da CVM.
A diretoria decidiu, de forma unânime, rejeitar a reavaliação do caso. Na prática, isso consolidou a decisão tomada meses antes e afastou possibilidade de uma OPA obrigatória por parte do controlador da Ambipar.
Mas, segundo o jornal O Globo, a área técnica da CVM também abriu um inquérito separado para apurar uma possível manipulação de preços das ações da Ambipar, envolvendo o fundador da companhia e fundos ligados ao conglomerado do Banco Master.
*Com informações de O Globo
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