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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Nem roxinho, nem laranjinha: Revolut quer tirar o sono do Nubank e dos bancões para se tornar a ‘conta óbvia’ do brasileiro, afirma CEO

Ao Seu Dinheiro, Glauber Mota afirma que o modelo da fintech não depende do crédito para crescer e aposta na escala global e em serviços financeiros para disputar espaço no Brasil

Camille Lima
Camille Lima
16 de março de 2026
6:07 - atualizado às 13:09
O CEO da Revolut, Glauber Mota.
Imagem: Divulgação

A carteira de um brasileiro acostumado com bancos digitais é um pequeno arco-íris. O roxinho, o amarelinho, o pretinho — cada cartão representa um aplicativo diferente tentando conquistar espaço no bolso do cliente. Agora, a Revolut, quer mudar as regras desse jogo e se tornar a “conta óbvia” por aqui. 

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Em vez de competir dentro dessa paleta de fintechs incumbentes, a empresa britânica aposta que o cliente vai passar a olhar para o custo real de usar o dinheiro. 

“Não precisa ficar pensando no verdinho, no amarelinho, no roxinho ou no laranjinha”, disse o CEO da empresa no Brasil, Glauber Mota, em entrevista ao Seu Dinheiro. “A ideia é que o cliente veja a Revolut como a melhor opção para qualquer transação, no Brasil ou no exterior.” 

Para tentar ganhar espaço em um dos mercados financeiros mais competitivos do mundo — dominado por gigantes como Nubank e Banco Inter —, a fintech britânica decidiu elevar o tom da disputa. 

O pacote mais recente inclui câmbio sem spread, IOF zero em determinadas operações, rendimento atrelado ao CDI e novos cartões premium

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A ambição é transformar o aplicativo em algo mais próximo de uma conta global para o brasileiro — capaz de concentrar desde pagamentos do dia a dia em reais até transações internacionais, investimentos no exterior e benefícios de lifestyle em um único ambiente. 

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“Queremos que seja um no-brainer”, afirmou Mota. “Se o cliente quiser transacionar no Brasil ou fora, não precisa pensar muito. A Revolut precisa ser a opção clara.” 

De conta internacional a banco do dia a dia 

Até agora, uma parcela relevante dos clientes brasileiros utilizava a Revolut principalmente para operações fora do país. Afinal, se há um ponto em que a fintech acredita ter vantagem competitiva no Brasil, ele está nas transações internacionais.  

Agora, com o câmbio com spread zero dentro de determinados limites, a empresa espera sair na frente de boa parte da concorrência. 

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Nos últimos anos, diferentes modelos tentaram competir nesse espaço. O CEO argumenta que muitos rivais usam estratégias de marketing que anunciam a devolução do imposto, mas compensam a conta com spreads elevados de até 6%. 

Outras empresas usaram stablecoins para baratear operações internacionais e evitar o imposto sobre operações financeiras. 

Com mudanças regulatórias recentes, porém, esses modelos também passaram a enfrentar a incidência de IOF — o que, na avaliação do CEO da Revolut, tende a reduzir a vantagem competitiva. 

“Esses modelos vão ter que se reinventar. Muitos eram mono produto. Se baixarem demais o spread, ficam menos competitivos”, disse. 

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Agora, a nova fase da Revolut no Brasil busca ampliar também a presença no cotidiano o brasileiro. “A pessoa não viaja todo dia. O dia a dia dela está no Brasil, em reais. Precisávamos melhorar essa plataforma também”, afirmou. 

Entre as novidades estão aprimoramentos nos cartões e no programa de fidelidade, o RevPoints, que permite acumular pontos tanto no crédito quanto no débito. A empresa também lançou o plano Ultra, que reúne benefícios premium e maior limite para operações cambiais. 

Revolut mira além da alta renda, diz CEO 

Embora boa parte da concorrência esteja mirando a expansão da base de clientes endinheirados, a Revolut quer atender desde o cliente que busca uma conta gratuita até usuários dispostos a pagar por serviços mais sofisticados. 

“Não fazemos um produto só para alta ou baixa renda. A ideia é que seja massificado”, disse Mota. “O cliente de milhões e o cliente com menos recursos têm acesso à mesma prateleira de produtos. A seletividade não depende da renda.” 

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"A gente não depende do crédito para sobreviver" 

Para ele, o modelo de negócio de rivais que focam apenas na alta renda por causa da inadimplência e rentabilidade é muito dependente da oferta de crédito.  

Em sua visão, o crédito servirá para ganhar principalidade, porque o brasileiro está habituado ao fluxo do cartão, mas a saúde financeira da empresa continuará vindo da escala global e da eficiência dos serviços. 

“Nosso modelo já nasce ancorado no serviço. Temos pouco crédito por enquanto e não dependemos dele para o nosso resultado. É uma opcionalidade, um upside.”  

Segundo o executivo, isso permite que a empresa trabalhe com margens e custos controlados através de contratos globais. 

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Por isso, a fintech pretende expandir gradualmente sua operação de cartão de crédito no Brasil, mas de forma cautelosa para evitar crescimento desordenado ou aumento abrupto da inadimplência. 

Outros produtos — como crédito pessoal ou imobiliário — permanecem no radar para o futuro. 

O crédito consignado, bastante relevante no mercado brasileiro, também não está no pipeline de curto prazo, disse o CEO. 

Revolut pode ser “mais um banco na carteira”, por enquanto: Open Finance como alavanca 

Embora Mota sonhe em se tornar a “escolha óbvia” de conta para os brasileiros, a ambição ainda é de longo prazo, especialmente devido à escala dos principais rivais no país. 

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É por isso que a estratégia da Revolut no Brasil não passa necessariamente por substituir o banco principal do cliente.  

"Não tenho nenhuma pressa para me tornar o primeiro e único banco do cliente, mas tenho muita vontade de me tornar mais um dentro da carteira dele", resume.  

A consequência natural, segundo ele, é conquistar aos poucos essa principalidade conforme o cliente use a conta e experimente os benefícios. 

Segundo Mota, a lógica ganha força com o avanço do Open Finance, que facilita a portabilidade de dados e a integração entre diferentes instituições. 

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Na visão do executivo, isso abre espaço para que os consumidores escolham diferentes bancos dependendo de cada necessidade. 

A aposta de Mota é que, no dia em que o investidor brasileiro fizer a conta do custo real de seu dinheiro, a "guerra das cores" terá um vencedor técnico.  

O objetivo da Revolut é ganhar relevância justamente nos momentos em que o cliente busca serviços como câmbio internacional, investimentos ou benefícios mais sofisticados. 

Um banco global — também no Brasil 

No longo prazo, a ambição da Revolut vai além de ser apenas mais uma fintech no país. A empresa quer se tornar um banco completo em mais de 100 países, algo que já acontece em mais de 30 mercados. 

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No Brasil, a companhia opera atualmente como Sociedade de Crédito Direto (SCD), um modelo regulatório mais enxuto — que o próprio Mota descreve como um “banco light”. 

A intenção, no entanto, é avançar gradualmente para uma licença de banco plena no Banco Central. 

“Temos planos para uma licença bancária completa, mas respeitando o ritmo do regulador. Não há pressa”, disse Mota. 

Arranhando a superfície 

Globalmente, a Revolut já ultrapassa 70 milhões de clientes e cresce cerca de 1,3 milhão de usuários por mês. Ainda assim, o CEO acredita que a empresa está apenas no começo da expansão. 

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“O Brasil é um mercado gigantesco e extremamente digital. Estamos apenas arranhando a superfície”, disse o executivo. 

Porém, parte desse potencial ainda depende de um maior reconhecimento da marca no país. 

Mota admite que a Revolut investiu relativamente pouco em marketing até agora quando comparada aos concorrentes, que frequentemente recorrem a grandes campanhas publicitárias e celebridades.  

“Acredito que o Brasil tem potencial para números muito maiores se tornarmos a marca mais conhecida”, afirmou. 

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Experiências, lifestyle e Fórmula 1 

Além das funcionalidades financeiras, a Revolut também quer disputar espaço em outro campo onde bancos e fintechs têm investido pesado: o das experiências e benefícios de lifestyle

A parceria global com a Formula 1 faz parte dessa estratégia. A empresa pretende oferecer experiências exclusivas para clientes, que podem incluir acesso facilitado a ingressos, produtos oficiais e conteúdos dentro do aplicativo. 

fintech já anunciou, por exemplo, a criação de uma loja exclusiva de produtos da Fórmula 1 dentro do aplicativo para os clientes, que ainda está em projeto para o Brasil, além de um cartão especial de titânio inspirado no esporte. 

A parceria também tem impacto no segmento corporativo. Segundo o CEO, a equipe Audi F1 Team utilizará o Revolut Business como banco principal para suas operações. 

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“O dia a dia de pagamentos da equipe será feito pela Revolut”, afirmou. 

Globalmente, o produto empresarial já responde por cerca de 25% do resultado da companhia, e o plano é trazer essa operação para o Brasil. 

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