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Otavio Costa é um brasileiro que trabalha no mercado americano e se soma à corrente que acredita em recessão nos EUA e problemas de crédito na China. Cenário que faz do ouro a melhor opção no momento
Nas últimas semanas uma piada nos grupos de mensagem e redes sociais trata das tentativas de suicídio dos ursos, o animal que representa os mercados em queda (bear market). As bolsas americanas simplesmente não param de bater máximas históricas, mesmo com indicadores econômicos conflitantes e uma preocupante inversão na curva de juros.
Tenho acompanhado esse tema da curva de juros invertida há algum tempo e deparei-me com os comentários de um brasileiro radicado em Denver, Colorado, sobre isso no “Twitter”. Otavio Costa é gestor macro da Crescat Capital, uma gestora alocada fora dos famosos endereços de Wall Street.

Indo direto ao ponto, a tese de Costa tem três premissas principais:
Por isso, a recomendação e a posição da Crescat é basicamente uma só: vendido em S&P 500 e comprado em ouro. O Brasil não é o foco de atuação da casa, mas Costa avalia que é difícil manter uma visão muito positiva com o país dada a expectativa de problemas graves na China.
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Costa foi para os EUA com uma bolsa para jogar tênis profissionalmente. Encurtando sua história, passou a estudar e se dedicar aos temas e modelagem macroeconômica indo trabalhar com Kevin Smith na Crescat.
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O modelo criado por Costa faz uma avaliação de diversos indicadores econômicos que atingem seus picos justamente quando os ciclos econômicos estão para virar. Entre eles estão a confiança do consumidor, taxa de desemprego, spreads de crédito e valor de mercado das empresas.
Junto disso há um estudo mais dedicado ao fenômeno da inversão da curva de juros, que acontece quando os juros de curto prazo estão acima dos de longo prazo. Mostramos aqui um indicador do Fed de NY que leva essa relação em conta e que mostra chance de mais de 30% de recessão nos EUA nos próximos 12 meses.
Costa vai além na sua análise e considera diversas relações de juros longos e curtos e afirma que 60% das curvas estão invertidas nos EUA. Tal evento antecedeu o estouro da bolha de tecnologia no começo dos anos 2000 e foi visto pouco antes da crise de 2008.
It’s official. US 30-year yield just inverted vs. the Fed funds rate!
Same warning ahead of the GFC, tech bust, Asian crisis, S&L crisis, and 1980’s double dip recessions.
The only false signal, 1986.
We now have the entire US Treasury curve below the Fed overnight rate. pic.twitter.com/P8sDJ5KVpO
— Otavio (Tavi) Costa (@TaviCosta) July 3, 2019
O especialista também cita um trabalho acadêmico que considerou apenas a relação histórica entre as taxas de cinco anos e de três meses do Tesouro americano. Toda a vez que essa curva ficou invertida por mais de 90 dias aconteceu uma recessão. Já estamos a mais de 120 dias com essa curva invertida.
5-year vs. 3-month spread now inverted for exactly 101 days!
Full quarter inversions have never failed in predicting recessions.
Dr. Campbell Harvey was first to hypothesize, distortions as such typically lead to economic downturns within 12-18 months. pic.twitter.com/roWGM87XY3
— Otavio (Tavi) Costa (@TaviCosta) June 21, 2019
“Historicamente, o mercado de crédito consegue prever de forma correta o que vai acontecer no mercado de ações”, diz Costa.
Citando outro comportamento histórico da taxa de dois anos do Tesouro, Costa explica que uma relação que vem sendo respeitada desde 1970 está sendo testada.
US 2-year yield now on pace for dropping 8-weeks straight!
Moves as such only happened 8 other times in history.
All of them during bear markets or recessions.What’s the credit market telling us this time? pic.twitter.com/1zMJr1Sd1H
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE— Otavio (Tavi) Costa (@TaviCosta) June 25, 2019
“Esse tipo de comportamento do mercado, quando comparado com outras épocas e ciclos, sugere que estamos próximos de algum problema. É bem óbvio que tem uma distorção enorme no preço dos ativos. Do crédito corporativo com a parte fundamental da economia e o quanto de retorno as empresas estão dando a seus acionistas”, explica.
Costa afirma que não é um “permabear”, termo que designa os “ursos permanentes” no mercado americano, ou aquele grupo de analistas que sempre acha que o mercado vai virar para negativo.
“Não tem nada a ver com isso. O ponto é que todos os indicadores que acompanhamos e criamos mostram que devemos agir com precaução”, explica.
Assim, o ouro aparece como melhor investimento no mercado. Para Costa, a relação entre o preço do ouro e o S&P 500 pode dobrar nos próximos dois a três anos. Seja pela queda no preço das ações ou pela própria atuação do Fed, que tende a favorecer o preço do ouro em momentos de corte de juros.
“Apostar que essa proporção vai subir é minha melhor opinião para os próximos anos, pois em períodos de inversão de curva de juros essa proporção tende a subir”, afirma.
Considerando os contratos em Nova York a cotação do ouro acumula uma alta de cerca de 10% no ano, enquanto o S&P 500 já ganha pouco mais de 20%.
Segundo Costa, embora o S&P como um todo tenha esse forte desempenho, cada vez menos setores que compõem o indicador apresentam comportamento positivo. A alta está cada mais apoiada em poucos papéis, o que representa mais um sinal de alerta aos investidores.
O investidor pessoa física que se convenceu com a tese de Costa pode montar seu próprio trade, mas sempre considerando seu perfil de risco e tolerância a perdas.
A compra de ouro pode ser feita na B3 ou via fundos que têm exposição ao metal. Outra forma de exposição não só ao ouro, mas aos demais metais preciosos é a compra de ações de mineradores americanas, que estão em “bear market” desde 2011, mas essa opção é menos acessível. Você encontra mais detalhes sobre como investir em ouro na reportagem da Bruna Furlani.
É possível ficar vendido em S&P 500 aqui no Brasil por meio do fundo de índice (ETF) IVVB11. Mas operar com posições vendidas é um trade um pouco mais sofisticado. Posições vendidas exigem uma margem de garantia na corretora e, no caso, o preço do dólar influencia o ouro e o S&P. Também é bom lembrar de uma máxima que diz que o mercado pode ficar mais tempo irracional do que você líquido.
O montante considera o período de janeiro até a primeira semana de março e é quase o dobro do observado em 2025, quando os gringos injetaram R$ 25,5 bilhões na B3
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