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O balanço da Embraer no terceiro trimestre ficou abaixo das expectativas do mercado, pressionado pelos custos ligados à transação com a Boeing. Como resultado, as ações caíram forte
Desde o anúncio formal da transação com a Boeing, no início de 2019, a Embraer tem enfrentado céus carregados. No mercado, ainda há muitas dúvidas quanto ao futuro da empresa, especialmente em meio ao momento delicado enfrentado pela companhia americana. E as ações da empresa brasileira refletem esses questionamentos.
Desde o começo do ano, os papéis ON da Embraer (EMBR3) acumulam baixa de mais de 20% — o quarto pior desempenho entre as ações que compõem o Ibovespa. E a hesitação dos investidores tende a aumentar ainda mais nesta terça-feira (12), após a companhia brasileira reportar um balanço trimestral com diversos pontos de fraqueza.
Começando pelo resultado líquido: a fabricante de aeronaves encerrou o terceiro trimestre de 2019 com um prejuízo de R$ 314,4 milhões — um salto de mais de 500% em relação às perdas de R$ 52,3 milhões contabilizadas há um ano.
Os problemas não param por aí. A receita líquida da Embraer ficou praticamente estável na mesma base de comparação, registrando um leve aumento de 1,8%, para R$ 4,692 bilhões. O resultado operacional ficou negativo em R$ 80,4 milhões — há um ano, a linha estava positiva em R$ 208,6 milhões.
Por fim, um detalhe trouxe frustração extra aos agentes financeiros: em meio ao imbróglio para a aprovação dos órgãos concorrenciais e conclusão da operação com a Boeing, a Embraer cortou a projeção para dividendos especiais relacionados à transação. Antes, a empresa projetava um pagamento de US$ 1,6 bilhão; agora, a estimativa é de um desembolso entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,6 bilhão.
Toda essa turbulência no plano de voo fez com que os investidores reagissem negativamente aos resultados trimestrais da Embraer: os papéis ON da empresa fecharam em queda de 3,43%, a R$ 17,19, mas, na mínima, chegaram a cair 6,69%, a R$ 16,61 — o Ibovespa recuou 1,49%, aos 106.751,11 pontos.
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Como já foi dito acima, a receita da Embraer cresceu num ritmo pouco expressivo no terceiro trimestre. No entanto, os custos dos produtos e serviços prestados avançou 8,7% na mesma base de comparação, para R$ 4,074 bilhão. Assim, o lucro bruto da empresa brasileira somou R$ 618,3 milhões — uma baixa de 28,2% em um ano.
Como se não fosse o bastante, os resultados da Embraer ainda foram negativamente impactos pelos custos de separação do negócio de aviação comercial, no âmbito da operação com a Boeing, no total de R$ 138,1 milhões. Esse gasto, somado às demais despesas operacionais, levaram ao resultado operacional negativo no trimestre.
Outro ponto de preocupação foi o uso de caixa por parte da Embraer entre julho e setembro deste ano, que chegou a R$ 984,4 milhões — um crescimento de 50,1% em relação ao visto no mesmo período de 2018, de R$ 655,5 milhões.
Do ponto de vista operacional, a Embraer já havia divulgado a entrega de 17 aeronaves comerciais e 27 executivas no trimestre. Assim, no acumulado do ano, a empresa brasileira já passou às mãos dos clientes 54 jatos comerciais e 55 executivos.
Considerando os resultados obtidos nos primeiros nove meses do ano, a Embraer manteve suas projeções de entregas de aeronaves em 2019: entre 85 e 95 jatos comerciais e entre 90 e 110 executivos.
Além disso, a Embraer divulgou nesta manhã que a companhia aérea holandesa KLM realizou um pedido firme de 21 aeronaves E195-E2, com direito de compra de mais 14 unidades — as entregas começarão no primeiro trimestre de 2021.
Esses dados, no entanto, não amenizam a preocupação do mercado em relação ao desempenho dos segmentos da Embraer no trimestre. Dos R$ 4,692 bilhões de receita líquida, R$ 1,62 bilhão foram obtidos com a divisão de aviação comercial, o que representa 34,5% do total.
Assim, o setor de aviação comercial até mostrou alguma evolução em relação ao terceiro trimestre do ano passado, quanto a receita da divisão somou R$ 1,52 bilhão. No entanto, há uma forte tendência de contração ante o segundo trimestre de 2018, quando esse segmento gerou R$ 2,47 bilhões — ou 45,7% da receita total daquele trimestre.
A aviação executiva ocupou boa parte do terreno perdido pela comercial: entre julho e setembro, a divisão obteve R$ 1,477 bilhão de receita, ou 31,5% do total — no trimestre anterior, esse setor gerou R$ 1,161 bilhão, o que equivale a 21,5% da receita total.
Defesa e Segurança, por sua vez, perdeu espaço: no terceiro trimestre deste ano, respondeu por 13,6% da receita total da Embraer, ou R$ 638 milhões, ante 14,2% da receita no segundo trimestre, ou R$ 766,8 milhões. O setor de serviços ficou com R$ 947,5 milhões (20,2%), ante R$ 1 bilhão nos três meses anteriores (18,5%).
Em relatório, os analistas Vitor Mizusaki, Gabriel Rezende e Paula Athanassakis, do Bradesco BBI, disseram que os resultados da Embraer foram piores que o esperado, com maiores descontos nas vendas de aeronaves e custos mais elevados referentes à separação do segmento de aviação comercial.
A instituição possui recomendação de compra para os recibos de ações (ADRs) da Embraer, mas cortou o preço-alvo dos papéis ao fim de 2020 para US$ 30,00 — na bolsa dos EUA, os ativos operam em forte baixa de 6,08% nesta manhã, a US$ 16,07.
Também em relatório, os analistas Renato Mimica e Lucas Marquiori, do BTG Pactual, também classificaram os números como abaixo das expectativas. "Os ativos da empresa devem continuar a ser direcionados pelos desenvolvimentos relacionados à operação com a Boeing, mas esperamos que os resultados fracos e a revisão nos dividendos pesem sobre os papéis no curto prazo".
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