Cenário político e exterior positivo impulsionam o Ibovespa para os 97 mil pontos
O Ibovespa segue firme em sua trajetória de recuperação. Os mercados continuam otimistas em relação ao noticiário político — e o tom positivo das bolsas EUA deu um gás extra ao índice

O Ibovespa continua subindo a ladeira — e ainda não dá sinais de que vá perder o fôlego.
Só nesta quinta-feira (30), o principal índice da bolsa brasileira avançou mais 0,92%, fechando aos 97.457,36 pontos — é o quarto pregão consecutivo em alta. Na máxima do dia, o Ibovespa bateu os 97.939,08 pontos (+1,42%), a maior cotação intradiária desde 21 de março.
O dólar à vista, por outro lado, teve um dia menos intenso. A moeda americana passou a sessão oscilando entre os campos positivo e negativo, encerrando em leve alta de 0,06%, aos R$ 3,9784 — ao longo do dia, o dólar variou entre os R$ 3,9553 (-0,52%) e os R$ 3,9934 (+0,44%).
A nova rodada de ganhos do Ibovespa não teve um catalisador próprio do dia. Em linhas gerais, analistas e operadores ressaltam que o mercado segue otimista quanto ao panorama político, apostando que a maior harmonia entre governo e Congresso jogará a favor da tramitação da reforma da Previdência.
A diferença em relação às últimas sessões é o exterior: lá fora, as bolsas americanas tiveram uma sessão mais tranquila, recuperando parte das perdas da semana — e o tom positivo visto em nova York deu aval para que o Ibovespa continuasse avançando.
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Tudo azul
Por aqui, o clima é o mesmo dos últimos dias: céus azuis em Brasília, sem nenhuma nuvem no horizonte da reforma da Previdência — e os mercados aproveitam o tempo firme para irem às compras.
A paz selada entre governo e Congresso parece atrair cada vez mais apoiadores à revisão das regras da aposentadoria. O DEM aprovou hoje uma moção de apoio integral ao texto, fortalecendo a base aliada da gestão Bolsonaro e aumentando ainda mais a percepção de que a tramitação da proposta conseguirá avançar sem maiores entraves na Câmara.
"Hoje não tivemos toda aquela força negativa vinda do exterior", destaca Luiz Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos. "E, por aqui, continuamos com o desenvolvimento dos últimos dias, com o mercado mais otimista em relação à reforma da Previdência".
Pereira cita uma notícia divulgada pelo blog do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, como fator que ajudou a manter a confiança dos mercados. Segundo o texto, o Palácio do Planalto estima que, no momento, a reforma da Previdência teria 296 votos favoráveis na Câmara — o projeto precisa do apoio de 308 deputados.
"O DEM deu um passo para se afastar do Centrão e não ficar preso ao grupo", diz Reginaldo Galhardo, gerente da Treviso Corretora de Câmbio, lembrando que o cenário político está mais calmo desde a sinalização de assinatura de um "pacto" entre os presidentes dos Três Poderes para viabilizar a retomada do crescimento econômico.
E, de fato, o crescimento econômico é um tema vital para o país, uma vez que o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,2% entre janeiro e março de 2019 na comparação com os três meses anteriores — a primeira contração no indicador desde o quarto trimestre de 2016.
O resultado negativo, contudo, já era esperado por analistas e economistas. Assim, por mais que a fraqueza da economia seja fonte de preocupação, as perspectivas animadoras de avanço da reforma da Previdência acabaram prevalecendo, dando forças ao Ibovespa.
As curvas de juros também continuam mostrando uma tendência de alívio. Na ponta curta, os DIs com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 6,60% para 6,56%; na ponta longa, os Dis para janeiro de 2023 caíram de 7,66% para 7,62%, e os para janeiro de 2025 foram de 8,22% para 8,19%.
O comportamento das curvas de juros também é influenciado pela desaceleração de 0,45% do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) em maio. Com a inflação dando sinais de arrefecimento e a retração do PIB, crescem as apostas do mercado quanto a um possível corte na Selic no curto prazo.
Exterior respira
Lá fora, o Dow Jones (+0,17%), o S&P 500 (+0,21%) e o Nasdaq (+0,27%) conseguiram recuperar parte das perdas recentes — os sinais de força exibidos pela economia americana contribuíram para que as bolsas de Nova York tivessem um dia mais tranquilo.
A segunda estimativa do PIB dos Estados Unidos mostrou avanço de 3,1% no primeiro trimestre, ligeiramente acima das estimativas de analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, que previam uma alta de 3%. No quarto trimestre de 2018, a economia do país cresceu 2,2%.
O resultado aumentou a percepção de que a economia do país segue forte — e num momento em que a China e os principais países da Europa têm enfrentado um movimento de desaceleração econômica.
Apesar da tranquilidade desta quinta-feira, a guerra comercial segue trazendo tensão aos mercados globais. O governo chinês disse que não sacrificará seus principais interesses ou princípios para chegar a um acordo com os Estados Unidos, e que, se necessário, Pequim adotará mais retaliações.
Nesse cenário de economia americana forte e incertezas comerciais, o dólar ganhou força ante a maioria das moedas emergentes, como o peso mexicano, rublo russo, peso colombiano e peso chileno. O real, assim, foi pressionado pelo contexto global, ficando "para trás" em relação ao Ibovespa.
Comprador no horizonte?
As ações ON da Via Varejo (VVAR3) subiram 4,80% e ficaram entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira, com o mercado reagindo às notícias envolvendo um potencial interessado em adquirir a empresa.
Segundo a Coluna do Broadcast, a Starboard e a gestora norte-americana Apollo devem se reunir com o Grupo Casino para tratar de uma possível aquisição da Via Varejo. O Casino, por meio do Grupo Pão de Açúcar, detém 36,2% da dona das Casas Bahia e Ponto Frio.
As ações PN do Pão de Açúcar (PCAR4) também avançaram, embora com menor intensidade: fecharam em alta de 1,87%.
Expectativa
As ações da Petrobras apresentaram comportamento instável nesta quinta-feira, de olho no Supremo Tribunal Federal (STF) — a corte começou a discutir hoje a validade de uma decisão do ministro Edson Fachin que suspendeu a venda de de 90% da TAG à Engie, por US$ 8,6 bilhões.
No entanto, o julgamento em si ficará apenas para a próxima quarta-feira (5), de acordo com o ministro Dias Toffoli. E, nessa indefinição, as ações PN (PETR4) da estatal fecharam em queda de 1,32%, enquanto as ONs (PETR3) recuaram 0,17%.
A queda expressiva do petróleo no exterior — o Brent caiu 3,74% e o WTI recuou 3,77% — também pressionou os ativos da Petrobras.
Corrida em aberto
O mercado estava ansioso para saber quem seria o vencedor da corrida pela Netshoes, já que Magazine Luiza e Centauro travavam uma disputa acirrada pela liderança. Mas essa prova ganhou alguns quilômetros a mais.
A assembleia de acionistas da Netshoes, prevista para esta quinta-feira, foi cancelada — e uma nova reunião ainda não tem data marcada. Com isso, o suspense continua no ar, já que duas propostas seguem na mesa: o Magalu oferece US$ 93 milhões pela companhia, enquanto a Centauro tem proposta de US$ 108,7 milhões.
No entanto, a compra da Netshoes pelo Magazine Luiza já tem sinal verde do Cade, enquanto uma eventual transação com a Centauro ainda precisaria ser analisada pelo órgão regulador. Assim, apesar de ter uma proposta mais baixa, o Magalu possui vantagens do ponto de vista de cronograma para conclusão do negócio.
Nesse contexto, as ações ON do Magazine Luiza (MGLU3) subiram 1,91% — fora do Ibovespa, os papéis ON da Centauro (CNTO3) tiveram alta de 0,26%. Em Nova York, os ativos da Netshoes (NETS) caíram 1,35%.
Oportunidade
O Bradesco BBI elevou a recomendação para os papéis da construtora Even, de neutro para "outperform" (desempenho acima da média), subindo o preço-alvo das ações de R$ 6,00 para R$ 8,00. Segundo o banco, há expectativa de melhora nas métricas financeiras e operacionais da empresa, e, assim, os ativos da companhia representam uma boa oportunidade dentro do setor.
Como resultado, as ações ON da Even (EVEN3), que não fazem parte do Ibovespa, fecharam o dia em alta de 3,91%.
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