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Bolsa e dólar hoje

Ibovespa desacelera queda, mas ainda fecha no negativo

Guedes amenizou a baixa, mas realizações de lucro comandaram o pregão. Ministro disse que espera uma economia de, no mínimo, R$ 1 trilhão, com Previdência

5 de fevereiro de 2019
10:15 - atualizado às 18:54
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
A Vale decidiu antecipar a suspensão temporária da produção das plantas de concentração do Complexo de Vargem Grande - Imagem: Seu Dinheiro

O Ibovespa até que tentou, mas só conseguiu desacelerar a queda pouco antes da última hora de pregão. Não foi o suficiente, contudo, para terminar o dia no positivo. Fechou ainda no patamar de 98 mil pontos, graças a uma entrevista do ministro da Economia, Paulo Guedes, após se reunir na tarde de hoje com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O ministro disse que espera uma economia fiscal de, no mínimo, R$ 1 trilhão, com a reforma da Previdência. Assim, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou o dia com perdas de 0,28%, a 98.311 pontos e muita realização de lucros. Nada mal para um dia em que o pico de baixa foi de 1,01%.

"O presidente Bolsonaro tem seu cálculo político sobre reforma da Previdência", disse Guedes a jornalistas, destacando que o importante é que a mudança nas aposentadorias tenha potência econômica para resolver problemas.

No mesmo horário, perto de 16h30, o dólar também virou e encerrou o dia negociado em baixa de 0,14%, a R$ 3,66.

Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, resume o dia: "Pela manhã, o mercado acordou com o governo não falando a mesma língua sobre a reforma da Previdência. A minuta vaza (na imprensa) mas o núcleo politico parece não se entender. A comunicação do governo não está unânime, há uma guerra de egos e o mercado repercute."

Banco morno?

As ações ON de Banco do Brasil se destacam em alta, com avanço de 2,92%, enquanto os papéis PN de Itaú Unibanco recuaram 4,26% e botaram o pé no freio do Ibovespa, uma vez que os contratos têm grande peso no indicador. Em meio a uma cautela dos investidores com bancos privados, após o Itaú divulgar resultado considerado "morno", outro bancos privados tambem desceram a ladeira: as units do Santander fecharam em baixa de 1,05% e a ação do Bradesco teve queda de 0,07%.

Os bancos privados estão refletindo a queda forte do Itaú, com os investidores migrando para o Banco do Brasil, uma vez que não faz parte dos privados e possui potencial de desinvestimentos em carteira, de acordo com Álvaro Frasson, analista da Necton Investimentos. "O risco retorno observado pelos investidores não tem privilegiado os bancos do setor privado", aponta.

Casas Bahia e Natura

As ações ON da Via Varejo operam em queda de 5,84%, e ganharam o posto de maior queda do Ibovespa hoje, após o Goldman Sachs reiniciar a cobertura do papel com recomendação de venda, de acordo com um operador. O banco também fez o mesmo com os papéis da Natura, que registraram perdas de 1,20%.

E lá vai a Cielo

A Cielo ficou com o segundo lugar entre as maiores quedas do Ibovespa, com baixa de 4,61%, em meio a um movimento de realização de lucros, após o papel acumular ganho de 25% em 2019. De acordo com um operador, os indicadores de força relativa da ação estão esticados, o que acabou "elevando o número de alugueis, sinalizando que os investidores estão apostando agora em queda do papel, corrigindo os recentes ganhos".

Pacote aéreo

Os contratos PN da Gol aceleraram hoje e fecharam em alta de 2,26%, enquanto as PN da Azul subiram 1,45% depois que o governador de São Paulo, João Doria, anunciou corte no ICMS sobre o querosene de aviação (QAV), que será reduzido de 25% para 12%. “Ao reduzir o querosene, vamos estimular as companhias a terem tarifas mais acessíveis para seus voos”, disse Doria, lembrando a relevância do QAV na composição de custos das companhias aéreas.

Esse corte no ICMS poderia representar até R$ 100 milhões em economia anual para a Gol, ou mais de 10% de seu valor de mercado, segundo os analistas Renato Mimica e Samuel Alves do BTG Pactual. O banco manteve a recomendação de compra para a ação da companhia aérea. Em meio ao otimismo de novos voos, a ação ON da Smiles avançou 3,69%.

Novo VP na BRF

Maior alta do Ibovespa, as ações da BRF avançaram 6,50%. O mercado repercute comunicado da companhia informando que o Conselho de Administração aprovou o nome de Ivan de Souza Monteiro para a vice-presidência financeira e de relações com investidores. Monteiro foi presidente da Petrobras entre junho e dezembro do ano passado, após ter atuado como diretor executivo financeiro e de relacionamento com investidores da petroleira.

Vale

A Vale abriu em queda, passou a subir e voltou a cair para fechar em baixa de 0,09%. A companhia decidiu antecipar a suspensão temporária da produção das plantas de concentração do Complexo de Vargem Grande com o intuito de acelerar ainda mais o processo, "pois permitirá o início imediato da coleta de dados para elaboração de projeto detalhado". O complexo estava na lista de descomissionamentos anunciados no dia 29 de janeiro. A suspensão representa em torno de 13 milhões de toneladas de minério de ferro por ano processados a úmido da estimativa total de 40 milhões por ano já anunciados. A mineradora reiterou que o impacto da paralisação será parcialmente compensado através do aumento de produção em outros sistemas da companhia.

Papel

Em destaque como a segunda maior alta do Ibovespa, as Units da Klabin avançaram 3%, após a empresa anunciar decisão de incorporar a Sogemar, que hoje detém o direito sobre seis marcas utilizadas pela fabricante de papel e celulose, inclusive a marca "Klabin". Atualmente, a empresa paga royalties à Sogemar para explorar as marcas.

A decisão, de acordo com o BTG Pactual, é positiva uma vez que deverá melhorar a transparência e governança da empresa, além do valor proposto ser "bem abaixo do que o mercado esperava inicialmente". A Klabin propôs a incorporação pelo valor de R$ 343,895 milhões, enquanto o mercado esperava algo entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões.

Petróleo

Em um dia marcado por oscilações entre ganhos e perdas, os contratos futuros de petróleo encerraram a sessão desta terça-feira em queda, prejudicados pelo fortalecimento do dólar em relação a outras moedas principais, com os investidores aguardando os dados semanais de estoques de óleo bruto dos Estados Unidos. Na contramão, as ações PN da Petrobras fecharam em alta de 0,08% e as ON, em alta de 0,63%.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para entrega em março fechou em queda de 1,65%, cotado a US$ 53,66 por barril. Já na Intercontinental Exchange (ICE), o barril do Brent para abril recuou 0,85%, para US$ 61,98.

Terra arrasada

A ação ON da Fertilizantes Heringer recua 30,41% depois que a empresa entrou com pedido de recuperação judicial na comarca de Paulínia (SP). A companhia afirma que empreendeu esforços nos últimos meses para melhorar sua liquidez e o perfil de endividamento, e tentou inclusive buscar potenciais investidores no mercado. Mas mesmo assim, a situação da Heringer se deteriorou, e por isso, resolveu entrar com o pedido para se proteger e continuar com as atividades.
Diante disso, a empresa suspendeu as atividades em algumas de suas unidades de mistura. Na semana passada, a companhia havia comunicado a colaboradores o fechamento de diversas unidades.

 *Com Estadão Conteúdo

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