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Alguém segura?

Com estreia no Norte, Magazine Luiza avança para “virar” Amazon brasileira

Num intervalo de apenas 20 dias, a companhia vai estrear no Pará com 51 lojas e abrirá outras 9 lojas no Maranhão, onde a rede começou a operar no ano passado

1 de maio de 2019
17:21 - atualizado às 11:16
Fila de consumidores em frente à loja Magazine Luiza na Avenida Senador Teotônio Vilela, Cidade Dutra
Fila de consumidores em frente à loja Magazine Luiza na Avenida Senador Teotônio Vilela, Cidade Dutra - Imagem: Estadão Conteúdo/Sérgio Neves

Onze anos depois de estrear na cidade de São Paulo com a abertura de 50 lojas num único dia, o Magazine Luiza quer repetir o barulho que fez à época, só que agora no Norte do País.

É a única região onde a empresa não está presente. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que no início do segundo semestre, num intervalo de apenas 20 dias, a companhia vai estrear no Pará com 51 lojas e abrirá outras 9 lojas no Maranhão, onde a rede começou a operar no ano passado.

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A maioria das lojas do Pará será em cidades menores, fora da capital, Belém. Isso reforça a estratégia da companhia que, na avaliação de consultores, caminha na direção de ser a Amazon (gigante do varejo mundial) brasileira.

Ao ampliar sua capilaridade, chegando a municípios mais distantes dos grandes centros, a varejista reforça o modelo de negócio que une as lojas físicas com o varejo online.

Os pontos de venda viram uma espécie de minicentros de distribuição, o que garante a rapidez na entrega das compras online, o maior obstáculo ao avanço do e-commerce, sobretudo em regiões distantes do Sudeste.

Para fincar bandeira no Pará e expandir no Maranhão, onde já tem 27 lojas, o Magazine Luiza fechou um contrato de cessão comercial de 48 pontos de venda hoje ocupados pelo Armazém Paraíba.

A tradicional varejista de móveis e eletrodomésticos do Norte e Nordeste é conhecida por ter lojas em áreas mais remotas.

Dos 48 pontos de venda do Armazém Paraíba locados pelo Magazine Luiza, 39 estão no Pará e 9 no Maranhão. A administração do Armazém Paraíba informou, por meio de nota, que "a negociação com a Magazine Luiza envolve apenas e tão somente a cessão de 48 pontos, na sua grande maioria imóveis próprios".

Isso significa que nesses pontos de venda a marca Magazine Luiza substituirá o Armazém Paraíba. Sob a nova administração, os funcionários dessas lojas provavelmente deverão ser reaproveitados, diz uma fonte.

A administração do Armazém Paraíba afirmou ainda, em comunicado, que possui mais de 350 lojas espalhadas pelo Norte e Nordeste e continuará atuando no varejo, "sendo certo que nos Estados do Pará e parte do Maranhão, com foco no ramo mole (confecções, tecidos, calçados, cama, mesa e banho)".

A rede não informou as cifras e prazos do contrato. "A empresa tem como política não divulgar valores de negociações."

Além das 48 lojas locadas do Armazém Paraíba, o Estadão apurou que o Magazine Luiza negociou outros 12 pontos de venda no Pará com pequenos varejistas locais. Procurado, o Magazine Luiza não se pronunciou.

Potencial

De acordo com consultores de varejo, a estratégia do Magazine Luiza faz todo sentido. Nascida em Franca, no interior de São Paulo, a rede que faturou quase R$ 20 bilhões no ano passado não tinha presença numa das áreas de maior potencial no País. Segundo Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, esse potencial de consumo no Norte ainda não é explorado por redes nacionais.

É uma oportunidade e tanto - que também apresenta desafios principalmente em relação a investimentos -, mas que pode resultar em retorno proporcional.

Para Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), o Magazine Luiza foi o primeiro varejista do País que deu um significado diferente à loja física. "É uma empresa nacional, com mídia nacional e categorias que estão em crescimento", afirma.

"Dez dias atrás anunciou que iria vender livros. Com a Netshoes vai entrar em artigos de esporte e moda." Tantas alternativas mostram um novo caminho. "O Magazine está cada vez mais parecido com a Amazon e menos com um varejista de eletromóveis", diz ele.

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