Menos de 50 dias após troca de CEO, Ri Happy pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 827,4 milhões. O que aconteceu?
Há dois meses, o grupo divulgou uma nova estratégia da empresa; entenda o que está em jogo a partir de agora

Enquanto as crianças ainda abrem os presentes do Dia das Crianças, o Grupo Ri Happy anuncia que a brincadeira na empresa está muito menos divertida. Nesta segunda-feira (19), a maior varejista de brinquedos anunciou um pedido de recuperação extrajudicial para negociar dívidas que chegam a R$ 827,4 milhões.
A tentativa de negociação diretamente com os credores aparece apenas 48 dias depois de uma troca de cadeiras no cargo de CEO da empresa.
No início de setembro, o grupo que pertencia à gestora SPX foi vendido para a holding BluSun Capital, e quem assume o comando da varejista desde então é Héctor Núñez, que já havia sido CEO da companhia entre os anos de 2012 e 2020.
Segundo a Ri Happy, o pedido de recuperação extrajudicial faz parte de uma série de medidas implementadas pela nova liderança, “focadas na gestão de liquidez, readequação da estrutura de capital e disciplina de custos”.
Cabe destacar que, além da própria Ri Happy, a recuperação extrajudicial também vale para outras marcas do grupo, como PBKids, Partout — responsável pela gestão de do modelo de franquias da rede —, New Toys e Divertudo, que faz parte de uma nova estratégia da companhia que havia sido anunciada em agosto.
Desafios no varejo pesam sobre a Ri Happy
Em nota, o grupo atribuiu a dívida milionária aos desafios enfrentados pelo varejo brasileiro. Dentre os motivos estão os juros elevados, as mudanças no consumo, a intensificação da concorrência e os efeitos acumulados da companhia.
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Em entrevista ao Seu Dinheiro há pouco mais de dois meses, o antigo CEO da companhia, Thiago Rebello, havia afirmado que a empresa estava tentando arrumar a casa em um período difícil para o setor varejista.
Porém, se autodenominou um "realista esperançoso".
Na ocasião, o antigo executivo reconheceu que a taxa de juros atual é “quase fatal” para negócios que dependem de capital, mas defendeu que o Grupo Ri Happy focasse no que pode controlar internamente.
Em relação às adaptações internas e de olho nas mudanças de consumo, a Ri Happy vem apostando em um modelo nas lojas físicas que diminui o espaço de venda dos brinquedos.
Em uma tentativa de aumentar o tempo dos consumidores na loja e expandir os públicos a serem atingidos pela marca, os produtos no varejo passaram a dividir espaço com brinquedotecas, cafés, salas de jogos de tabuleiro e buffets de festas infantis.
Já no caso da intensificação da concorrência, citada pela empresa como um dos motivos que levaram às dificuldades financeiras, o Grupo Ri Happy vinha tentando expandir a participação no digital.
Atualmente, com os marketplaces, os consumidores podem comprar brinquedos facilmente pela internet em plataformas como Mercado Livre, Amazon e Shopee, por exemplo, o que pesa negativamente sobre as vendas da Ri Happy.
Na tentativa de driblar essa concorrência, a empresa tem entrado nos marketplaces e em aplicativos de entrega rápida, como iFood, 99Compras e Rappi.
A empresa reforçou essas iniciativas na nota que anuncia a recuperação extrajudicial e afirmou que principais prioridades incluem “a otimização do desempenho das lojas físicas e canais digitais; o aprimoramento da experiência de compra do cliente; e o fortalecimento do relacionamento com clientes, colaboradores, fornecedores, franqueados, shoppings e parceiros financeiros”.
- LEIA TAMBÉM: Globo de luz, grito de guerra e sonoplastia do Ratinho: a estratégia que já fez a Ri Happy vender 77% mais
Quem são os credores e quais os próximos passos
Apesar de o Grupo Ri Happy não ter divulgado os valores da dívida, os dados da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, onde o processo foi distribuído, mostra que o endividamento é de R$ 827.421.168,77.
A empresa afirmou que o processo “já conta com expressiva adesão de credores”.
Segundo o documento protocolado no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), 42% do valor já foi negociado e concordado pelos credores, cerca de R$ 308,8 milhões.
Entre a lista de credores estão instituições financeiras, fabricantes e distribuidores de brinquedos e administradoras de shoppings. A Estrela, por exemplo, marca de brinquedos que está em processo de recuperação judicial, tem R$ 13,8 milhões a receber.
A Ri Happy ressalta que o pedido de recuperação extrajudicial não altera a operação da empresa, inclusive em datas fortes para o varejo que já se aproximam, como a Black Friday e o Natal.
Cabe destacar que essa não é a primeira vez que a Ri Happy tem problemas com credores. Três anos atrás, a consultoria Starboard Partners foi contratada para renegociar R$ 289 milhões em dívidas da varejista com nove instituições financeiras.
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