Ela largou a advocacia para fundar um negócio de moda — e hoje fatura US$ 13 milhões por ano
Isabella Espinosa, de 30 anos, é a fundadora da Baobab, marca colombiana de acessórios e beachwear

A ideia que mudaria a trajetória profissional de Isabella Espinosa, 30, nasceu longe de um plano de negócios tradicional. Surgiu, literalmente, nas páginas do caderno da faculdade de direito. A empreendedora colombiana trocou a carreira jurídica por um negócio de moda que começou como um projeto paralelo.
A marca colombiana de acessórios e beachwear Baobab faturou US$ 200 mil em 2020 e, em quatro anos, alcançou faturamento anual de US$ 13 milhões.
Espinosa, fundadora e CEO da Baobab, iniciou o negócio em 2016, quando ainda cursava direito em Bogotá. “No início, era só uma ideia de negócio paralelo que existia nas páginas dos meus cadernos, mas rapidamente se tornou uma obsessão que se recusava a ficar em segundo plano”, afirma a empreendedora ao Entrepreneur.
Apesar de ter concluído a graduação, a advocacia não era sua primeira opção de carreira. Assim que se formou, ela decidiu se dedicar integralmente à marca de moda — uma escolha que, à época, envolvia mais risco do que garantias.
Negócio de moda teve lançamento improvisado — e financeiramente enxuto
A Baobab nasceu sem investidores, sem estrutura robusta e com um orçamento mínimo. “O lançamento foi extremamente enxuto, basicamente financiado com a mesada que minha mãe me dava para o almoço”, conta a fundadora.
Os primeiros passos foram marcados por erros operacionais e improvisos. Espinosa relata ter enfrentado oficinas inadequadas, produção roubada, tecidos danificados e remessas extraviadas antes mesmo de conseguir colocar os primeiros produtos no mercado. Ainda assim, a marca saiu do papel.
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Sem recursos para embalagens convencionais, a empreendedora usou cascas de coco para embalar as peças. O que começou como necessidade acabou se transformando em identidade visual.
O sucesso, porém, trouxe um problema inesperado: o primeiro grande pedido no atacado pesava cerca de uma tonelada por causa da embalagem — inviável do ponto de vista logístico. Foi preciso abandonar a ideia.
Moda, desperdício e um modelo de impacto
Desde o início, a proposta da Baobab não se limitava à venda de roupas. A empreendedora afirma que o negócio de moda foi pensado como uma forma de questionar práticas da indústria, especialmente o desperdício de materiais.
A empresa mantém um laboratório permanente de reaproveitamento de tecidos, que separa e distribui gratuitamente sobras para reutilização. Em 2022, lançou o programa Cascade, uma competição anual que convida jovens empreendedores, artistas e criativos a transformar resíduos têxteis em soluções sustentáveis.
Segundo a fundadora, o desafio já deu uma segunda vida a mais de 3,5 toneladas de resíduos, envolveu mais de 500 participantes e resultou na criação de mais de dez novos negócios na Colômbia.
Crescer é uma coisa; sustentar o crescimento é outra
Com o avanço da operação, um desafio se tornou central: o fluxo de caixa. “Mesmo marcas de moda bem-sucedidas podem parecer frágeis se o cronograma, a produção e os pagamentos não estiverem perfeitamente alinhados”, afirma Espinosa.
Para ela, construir uma marca é apenas parte do trabalho; criar a infraestrutura para atender à demanda é o verdadeiro teste.
Esse equilíbrio quase foi rompido com a chegada da pandemia de Covid-19. As vendas pararam de um dia para o outro, e a empresa ficou à beira da falência. Em vez de recuar, a equipe decidiu usar o período para reorganizar processos internos, aprimorar produtos e redesenhar a estratégia internacional.
Foi nesse contexto que a Baobab entrou no mercado dos Estados Unidos, começando por uma parceria com a rede Intermix. “O que parecia uma crise se transformou em um momento decisivo de crescimento”, diz a empreendedora.
Hoje, a Baobab está presente em 52 países, com mais de 450 boutiques e parceiros como Saks, Bloomingdale’s e Revolve.
“O crescimento é importante, mas proteger a marca e a forma como sua missão sustentável é construída também são fundamentais”, afirma a empreendedora.
O aprendizado por trás da virada
Espinosa credita parte de sua formação empreendedora à faculdade de direito. Para ela, o curso ajudou a desenvolver pensamento crítico, capacidade de questionamento e construção de argumentos — habilidades que acabou transferindo para os negócios.
Mais do que técnicas específicas, a empreendedora destaca a importância da experimentação constante e da disposição para aprender com erros. “O empreendedorismo nunca foi apenas sobre crescimento profissional, mas também sobre crescimento pessoal”, diz.
Seu conselho final é direto: “Descubra o que o torna inconfundivelmente único e, em seguida, crie uma estratégia sólida para que o mundo não possa ignorá-lo”.
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