Tchau, golpista: empresas sofreram 2,3 milhões de tentativas de fraudes no e-commerce em 2025 — como proteger o negócio?
O segmento de eletroeletrônicos é o que mais sofre com o número e valores dos golpes digitais; Serasa Experian explica quais medidas podem ser adotadas pelas empresas

Dentre as facilidades geradas pelo avanço da internet, o e-commerce é um dos queridinhos. Comprar um produto online, esperar alguns dias — horas ou minutos, dependendo do caso — e receber o pedido na porta de casa. O comércio digital moldou todo o mercado e mudou o comportamento das empresas, consumidores e até dos golpistas.
Se antes as companhias tinham que se preocupar com roubos em caixas físicos ou sequestros de mercadorias nos estoques, agora há uma nova camada de risco: as fraudes digitais.
Uma pesquisa da Serasa Experian, divulgada nesta quarta (6), mostra que, em 2025, foram registradas 2,3 milhões de tentativas de fraude no e-commerce, levando em conta suspeitas, confirmações ou transações que tiveram reversão de pagamento (chargeback, no inglês).
O levantamento considera canais de e-commerce, marketplace, venda direta e aplicativos de delivery.
Como funcionam os golpes no e-commerce
As tentativas acontecem quando o fraudador tenta concluir uma compra online se passando por outra pessoa ou utilizando dados inconsistentes.
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Isso pode envolver uso indevido de CPF, cartão de crédito, dados cadastrais roubados, documentos falsos ou perfis sintéticos, que combinam informações reais com inventadas por inteligência artificial, por exemplo.
“Um exemplo comum é o criminoso tentar comprar um celular de alto valor, com dados vazados de alguém que não tem hábitos de consumo compatíveis, e solicitar entrega em endereço diferente do habitual dessa vítima em questão”, explica Rodrigo Sanchez, diretor de autenticação e prevenção à fraude do Serasa Experian.
Na visão dele, iniciativas de prevenção à fraude vão além de apenas uma camada de proteção. Para Sanchez, trata-se de uma parte estratégica da sustentabilidade do negócio.
O levantamento da empresa de inteligência de dados corrobora essa afirmação. Segundo a Serasa Experian, esse tipo de iniciativa evitou prejuízos de R$ 2,4 bilhões para empresas que vendem produtos na internet no último ano.
Quais são os produtos mais visados nas fraudes?
A pesquisa indica que o tíquete médio das transações fraudulentas chegou a R$ 1.057,87 em 2025. A cifra representa quase o dobro do valor registrado nas compras legítimas, de R$ 538,79.
E existem alguns segmentos de produtos que estão mais no radar dos golpistas.
O primeiro do top 5 é o de eletroeletrônicos, com 126,3 mil tentativas de fraude. Na sequência estão moda e vestuário, com 103,2 mil registros. Beleza, saúde e cuidados pessoais apresentaram 95,6 mil atividades fraudulentas.
Com quase metade dos casos, o delivery apresentou 46,8 mil tentativas e, por último no top 5, brinquedos, com 40,5 mil ocorrências.
Sanchez explica que as fraudes acompanham a evolução do consumo digital e justamente as categorias de produtos mais famosas no comércio online.
O segmento de eletroeletrônicos é, de longe, o que oferece mais risco. A pesquisa diz que esses produtos têm uma taxa de fraude de 3,2%. Isso significa que, a cada 100 pedidos nessa categoria, pouco mais de três foram classificados como tentativas golpistas.
Cabe destacar esse percentual é mais que o dobro de outros segmentos que são alvo de fraude. A taxa de beleza, saúde e cuidados pessoais, por exemplo, é de 1,3%. Já de moda e vestuário, o percentual é de 1,2%.
Ainda sobre os eletroeletrônicos, outra estatística que chama a atenção é o tíquete médio.
O valor das tentativas fraudulentas é de cerca de R$ 2.350,94, mais que o dobro da média geral.
O impacto para as empresas (e como reduzir riscos)
Segundo o diretor de autenticação e prevenção à fraude, empresas de todos os portes podem ser alvo de tentativas fraudulentas, mas o risco tende a se manifestar de formas diferentes.
Grandes varejistas e marketplaces são naturalmente mais expostos pelo alto volume compra, o que amplia a superfície de ataque.
Já pequenos e médios negócios, embora não tenham um número de transações comparável ao de grandes empresas, ficam vulneráveis por, muitas vezes, não terem estratégias antifraudes.
Na visão de Sanchez, nesses casos é ainda mais importante se atentar às medidas de proteção “porque uma fraude de tíquete elevado pode ter impacto proporcionalmente maior no caixa.”
O diretor defende que é preciso considerar esse tipo de risco para a sustentabilidade no negócio, tendo em vista que os golpes podem gerar perda financeira, receita, margem, custo operacional, reputação e experiência do cliente.
Quais são as medidas para se precaver
A principal recomendação, que vale para todas as empresas, segundo Sanchez, é adotar uma estratégia em camadas.
Isso pode incluir diferentes estratégias, como a validação cadastral de clientes, análise de documentos, biometria facial, autenticação multifator, análise de dispositivo, monitoramento comportamental — que avalia quais são os produtos normalmente comprados pelo consumidor — e modelos de risco que avaliam cada transação em tempo real e bloqueiam a compra quando necessário.
No entanto, esse grau de segurança pode não ser viável para companhias de todos os portes. Afinal, demanda investimento e toda a operação para estruturar as medidas.
Como explica o diretor do Serasa Experian, empresas menores podem começar por controles essenciais: validação de identidade, checagem cadastral e atenção a compras de alto valor ou comportamento fora do padrão.
Já médias e grandes companhias podem ter iniciativas mais robustas. “É possível combinar múltiplas tecnologias ao longo da jornada, do cadastro ao pagamento e ao pós-venda. Em setores de tíquete alto, como eletroeletrônicos e eletrodomésticos, a autenticação deve ser ainda mais rigorosa”, afirma.
Um dos principais desafios, segundo ele, ainda é no delivery. Por se tratar de um segmento com baixo tíquete médio, mas com alto volume de transações e velocidade de entrega, é preciso equilibrar a prevenção de riscos sem prejudicar a experiência do consumidor.
Neste caso, é preciso se atentar para automatizar a prevenção à fraude sem colocar muitas barreiras que aumentem o tempo da jornada de compra.
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