Lagree, o “primo do Pilates” que virou febre em Los Angeles e chegou ao Brasil
Sucesso entre celebridades nos estúdios boutique americanos, o método, que mistura força, resistência muscular e cardio em movimentos lentos, tem estúdio especializado em São Paulo

Ao entrar em um estúdio de Lagree, a primeira impressão que se tem é a de que você chegou para uma aula de Pilates. As máquinas têm carrinhos, molas e plataformas móveis, enquanto os alunos fazem exercícios como prancha, agachamento e avanço.
Até a decoração pode remeter à nova geração de estúdios boutique de Pilates, com visual minimalista e "aesthetic". Mas a semelhança termina aí.
Criado em 2001 pelo francês Sebastien Lagree em Los Angeles, o método nasceu da tentativa de colocar mais intensidade em exercícios feitos em equipamentos inspirados no Reformer, a máquina utilizada no Pilates contemporâneo. A modalidade combina força, resistência muscular e cardio em um treino de baixo impacto. A proposta é fazer o músculo trabalhar por mais tempo, com movimentos lentos e tensão contínua.

Não por acaso, o Lagree ganhou fama entre celebridades como Kim Kardashian e Jennifer Aniston e se tornou uma das modalidades queridinhas dos estúdios boutique de Los Angeles. Entre os praticantes, o treino costuma ser descrito como uma espécie de encontro entre Pilates e musculação.
Hoje, a Lagree Fitness afirma ter mais de 500 estúdios licenciados no mundo. No Brasil, o método chegou no ano passado com a abertura da Nux House, na Vila Nova Conceição, em São Paulo, o primeiro estúdio do país dedicado exclusivamente à modalidade.
Não é Pilates, e essa distinção importa
A associação entre as duas modalidades não é por acaso. “O Lagree nasceu de uma evolução do Reformer, então tem essa semelhança estrutural. Mas o que acontece em cima da máquina é bem diferente”, explica Marcela Calixto, sócia da Nux House.
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Enquanto o Pilates tradicional prioriza princípios como controle, precisão, respiração, estabilização e mobilidade, o Lagree acrescenta uma dose considerável de treino de força e resistência. A própria marca faz questão de dizer que o método não é baseado no Pilates.
“No Pilates, você trabalha muito controle, alongamento e estabilização. O Lagree pega esses princípios de baixo impacto e transforma em uma aula de alta intensidade e força”, diz Marcela. A diferença mais perceptível, segundo ela, está no ritmo.
No Lagree, o aluno executa movimentos lentamente e permanece por mais tempo em determinada posição. Em vez de fazer dezenas de repetições rápidas, a proposta é manter o músculo sob tensão. É daí que vem um dos sinais mais característicos da modalidade: o tremor involuntário dos músculos conhecido entre os praticantes como Lagree shake.

A máquina parece um Reformer, mas não é
Se o Reformer é a estrela do Pilates contemporâneo, o Lagree tem suas próprias máquinas, como Megaformer, Mini e Microformer. Os preços variam de acordo com o modelo: os equipamentos menores, como o Micro, partem de US$ 990 cada, enquanto a linha Mini custa cerca de US$ 3.490. Já os modelos profissionais de maior porte, como o Megaformer, podem chegar a US$ 8.900 ou ultrapassar US$ 13 mil, na loja da Lagree.
Além da compra do equipamento, os estúdios precisam pagar uma licença anual para operar com o método. O valor é de US$ 3.990 para quem utiliza Megaformer ou EVO e de US$ 1.990 anual para o Miniformer.
Na Nux House, as aulas são feitas no Microformer, uma versão mais compacta da máquina criada por Lagree. Em comparação com o Reformer, que é utilizado no pilates, no Lagree, a máquina é maior e mais pesada com cabos e plataformas extras. Segundo a fabricante, o equipamento tem molas, carrinho móvel, alças e diferentes possibilidades de resistência.
A ideia dos aparelhos é usar a resistência das molas para criar tensão sem depender de pesos tradicionais. A diferença é que a máquina foi desenhada especificamente para o método. O objetivo é permitir movimentos mais variados e manter diferentes grupos musculares trabalhando ao mesmo tempo. “Hoje a gente fala bastante que Lagree é o strength training com os princípios do Pilates”, afirma Marcela.
De Los Angeles para a Vila Nova Conceição
A chegada do Lagree ao Brasil também acompanha uma mudança no próprio mercado fitness. Nos últimos anos, o modelo de academia tradicional passou a dividir espaço com estúdios boutique que vendem não apenas uma modalidade, mas uma experiência completa.
Foi essa percepção que levou Guilherme Marins, sócio da Nux House, a apostar no método. Antes de voltar ao Brasil, Guilherme viveu cinco anos em Nova York, onde conheceu a cultura dos estúdios boutique. Para ele, havia uma diferença entre o que encontrava nos Estados Unidos e a experiência oferecida por espaços brasileiros.

“Eu sempre gostei mais da dinâmica da aula, da experiência e da comunidade do que simplesmente ir à academia só pelo treino”, conta. Depois de deixar uma empresa de investimentos em tecnologia que havia criado, ele passou um período nos Estados Unidos visitando estúdios e estudando diferentes modelos de negócio.
Foi nesse processo que conheceu melhor o Lagree e enxergou uma oportunidade no Brasil. “Entendi que era um movimento que estava crescendo muito no mundo, mas ainda não tinha chegado ao Brasil. Aí decidi conversar com o Sebastien, que é o fundador do método, e entendi que aquele seria o ponto de partida ideal.”
Na sequência, convidou Marcela para entrar no projeto. A Nux House abriu as portas em São Paulo em 2025. Como a modalidade ainda era praticamente desconhecida por aqui, os sócios tiveram de apresentar o Lagree ao público antes de começar a vender as aulas.
Os sócios, porém, preferem não revelar quanto investiram para abrir o negócio. “É um investimento relevante, considerando que precisamos importar as máquinas e pagar em dólar. Quando elas chegam ao Brasil, ainda temos de arcar com os impostos de importação”, explica Guilherme.
O desafio: explicar o que é Lagree
Essa foi, segundo Marcela, a principal dificuldade no começo. “O maior desafio para a gente foi mesmo a educação do Lagree. A gente trouxe o método para o Brasil sendo os primeiros da América do Sul, então não existia essa referência por aqui”, afirma.
A pergunta aparecia naturalmente: é Pilates? É musculação? É funcional? “E o Lagree, na verdade, não é nada disso separado. Ele é os dois ao mesmo tempo: força, resistência e baixo impacto numa aula só.”
A estratégia foi transformar a própria experiência em ferramenta de educação. A Nux passou a explicar o método nas redes sociais, na recepção e, principalmente, durante as aulas experimentais. “Não era só falar ‘vem treinar’, mas explicar por que aquele treino é diferente, o que ele ativa no corpo e os resultados que traz a curto e longo prazo.”

A abordagem parece ter encontrado espaço entre um público que já estava acostumado à ascensão do Pilates em formato boutique. Hoje, a Nux diz atrair principalmente mulheres entre 25 e 45 anos, embora o público seja mais amplo.
O preço, por sua vez, coloca o Lagree no segmento premium. Na Nux House, a aula dura cerca de 50 minutos e custa, em média, R$ 100. Há planos de quatro aulas por mês, a partir de R$ 449, e de oito aulas, por R$ 575.
A próxima fase
“Desde o começo, a ambição nunca foi construir um único estúdio. A Nux nasceu com a ideia de ser uma rede”, afirma Guilherme. Para isso, a empresa pretende crescer, mas, em vez de franquear a marca imediatamente, os sócios optaram por manter as operações próprias. “A gente decidiu não trabalhar com franquias porque quer ter bastante cuidado para não perder a experiência e a qualidade conforme o crescimento da marca.”
A segunda unidade está prevista para outubro, em Pinheiros, na região da Oscar Freire. Segundo Guilherme, o novo endereço terá uma estrutura maior e também incorporará elementos de wellness à operação, incluindo café e área de recuperação.
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