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Eleições, Copa do Mundo e feriados concentrados em dias úteis entram no radar de 2026 e devem influenciar o ritmo da economia e o consumo
O começo do ano é um dos raros momentos em que o empreendedor consegue sair do modo operacional, olhar o negócio com algum distanciamento e rever decisões que impactam diretamente o caixa.
É quando entram na agenda o planejamento, a revisão de metas e os ajustes necessários para evitar surpresas ao longo dos meses seguintes.
Em 2026, esse exercício ganha ainda mais peso, com um calendário que afeta a atividade das empresas. Parte do varejo deve sentir um ritmo mais fraco de crescimento, e a pressão sobre custos segue exigindo escolhas mais estratégicas — especialmente para pequenos e médios negócios.
A seguir, reunimos os principais pontos de atenção para quem quer começar o ano com mais previsibilidade, organização financeira e capacidade de adaptação.
O calendário é um dos primeiros itens que deveriam entrar no planejamento anual. Em 2026, fatores como eleições, Copa do Mundo e a concentração de feriados em dias úteis tendem a impactar o ritmo da economia e o comportamento do consumidor.
Segundo Thiago Carvalho, assessor econômico da FecomercioSP, períodos eleitorais costumam aumentar a cautela das famílias. “As eleições afetam a confiança do consumidor, que muitas vezes adia decisões de compra de maior valor até que o cenário político esteja mais definido”, afirma o assessor econômico da FecomercioSP.
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Além disso, mais feriados em dias úteis podem significar perda de faturamento para alguns segmentos do varejo, especialmente o comércio físico. Por outro lado, eventos como a Copa do Mundo podem impulsionar bares, restaurantes e negócios ligados a alimentação e entretenimento.
Para Mauricio Buffa, consultor de negócios do Sebrae-SP, o empreendedor precisa antecipar essas datas e transformá-las em oportunidade. “Datas comemorativas e eventos específicos precisam estar no planejamento. Às vezes, um pequeno ajuste no produto ou na comunicação já cria uma oportunidade de venda”, afirma.
Ele recomenda pesquisar o calendário de datas comemorativas do setor para pensar ações específicas. “Por exemplo, no Dia do Advogado, oferecer promoções para estes profissionais.”
Antes de falar em crescimento, o empresário precisa ter domínio da base do negócio.
O fluxo de caixa é o ponto de partida. Entender exatamente quanto entra e quanto sai do negócio ajuda a tomar decisões mais conscientes, especialmente em um cenário de juros elevados. A gestão de estoques também ganha peso nesse contexto.
“Em períodos de juros altos, mercadoria parada é dinheiro parado”, alerta Carvalho.
Ele sugere que o início do ano, tradicionalmente mais fraco para o comércio, seja usado para queima de estoques e reforço do caixa. “O saldão de janeiro pode ser uma estratégia importante para desovar produto parado e reorganizar o fluxo financeiro.”
A precificação é outro ponto sensível, sobretudo entre microempreendedores individuais. Buffa chama atenção para erros comuns nesse processo. “Eles simplesmente olham para o mercado, não olham muito para o seu custo e acabam fazendo, às vezes, um preço errado”, diz.
Entre pequenos negócios, a mistura das finanças pessoais com as da empresa ainda é frequente — e perigosa. Para Buffa, essa separação é fundamental para o crescimento. “Se o empresário não fizer essa divisão entre pessoa física e jurídica, dificilmente ele vai crescer, porque ele confunde as coisas”, afirma.
A recomendação é definir um pró-labore e estruturar o negócio para que ele seja sustentável, gere lucro e permita a formação de reserva financeira.
Carvalho lembra que muitos empreendedores ainda carregam dívidas contraídas durante a pandemia. “Tem gente que pegou empréstimo para manter o negócio aberto, e essas contas estão sendo pagas até hoje”, diz.
Por isso, reforçar a reserva e identificar onde é possível cortar gastos — como desperdícios de energia ou processos ineficientes — ajuda a reduzir a vulnerabilidade financeira.
Outro erro comum no começo do ano é tratar o marketing de forma improvisada. Para Buffa, o empreendedor precisa avaliar produto, preço, público-alvo e canais de venda de forma integrada.
“O empreendedor precisa se perguntar onde está o seu cliente: se atua só no digital, se tem loja física ou se já integra os dois canais”, afirma o consultor. Segundo ele, a comunicação precisa ser coerente com o perfil do negócio e com os públicos que a empresa quer atingir.
Planejar campanhas ao longo do ano, alinhadas a datas estratégicas e à capacidade financeira da empresa, ajuda a evitar gastos mal direcionados e aumenta a eficiência das ações.
Definir metas é essencial, mas elas precisam ser viáveis. Buffa defende o uso do conceito de metas SMART — mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais. “Não adianta estabelecer algo que não é plausível ou que não tenha estratégia por trás”, afirma.
Mais do que definir objetivos, o empreendedor precisa acompanhar os resultados ao longo do tempo. “Se a meta é aumentar o faturamento em 20% em quatro meses, eu tenho que acompanhar mês a mês. Ver se estou no caminho certo ou se alguma coisa deu errado”, explica.
Visualizar essas metas, seja em planilhas, quadros ou ferramentas digitais, ajuda a manter o foco e facilita ajustes de rota ao longo do ano.
Para Carvalho, a inteligência artificial já pode ajudar pequenos negócios a reduzir custos e ganhar produtividade. “Ferramentas de IA que podem ajudar na escrita de posts, na elaboração de artes e até na descrição de produtos em marketplaces”, diz.
O uso dessas soluções pode liberar funcionários para atividades mais estratégicas. “Se antes eram necessárias três ou quatro pessoas para cuidar disso, talvez com a IA uma só dê conta, elevando a produtividade.”
Além da IA, sistemas de gestão financeira, controle de estoque e vendas ajudam o empresário a tomar decisões com base em dados, não apenas na intuição.
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