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De estudante de medicina em Curitiba a sócia de empresas em expansão, Manu Cit conta como transformou disciplina, influência e visão de negócios em uma fortuna construída ainda na juventude

O dia dela parece ter 72 horas. Manu Cit acorda às 5h da manhã, faz seu devocional, treina e inicia uma rotina que mistura reuniões de negócios, gravações de conteúdo, planejamento estratégico e viagens constantes entre Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
Foi justamente compartilhando essa disciplina quase militar que ela construiu uma comunidade fiel nas redes sociais (mais de 3 milhões de seguidores) e transformou a influência digital em um portfólio de negócios que a deixou milionária antes dos 20 anos.
Hoje, aos 22 anos, Manu não se define mais apenas como criadora de conteúdo. Sócia da Guday, marca de suplementos em gummy que faturou R$ 70 milhões no último ano, e da academia carioca The Simple Gym, que vai abrir três unidades em São Paulo neste ano, ela representa uma nova geração de influenciadores que usa audiência como ativo empresarial.
"Sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho", afirma em entrevista ao Seu Dinheiro.
Vivendo na ponte aérea entre Rio e São Paulo, onde mora e mantém seus negócios, Manu contou os detalhes sobre sua rotina, como se tornou milionária ainda muito jovem e quais são os sonhos para o futuro.

Antes da internet, a vida de Manu era distante do universo dos negócios. Criada em Curitiba, ela levava uma rotina comum de classe média e tinha um objetivo bastante claro: passar em medicina em uma universidade federal. "Era o que a minha condição me permitia. Sempre fui muito dedicada e sonhadora", relembra.
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Na época, vivia com uma mesada de R$ 500, morava com os pais na capital paranaense, sua cidade natal, e passava os finais de semana com a família e os amigos. Mas os sonhos já eram maiores do que a realidade. "Eu tinha uma vida supernormal, mas tinha sonhos muito grandes."
A virada começou aos 16 anos, quando passou a produzir conteúdo na internet. Curiosamente, o objetivo inicial não era financeiro. "Eu queria ser famosa. Eu não conhecia esse universo de publicidade, de monetização."
O potencial econômico surgiu quando percebeu que conseguia vender produtos. "Quando notei que estava tirando dois salários mínimos só de comissão, pensei: 'Caramba, isso aqui é uma profissão'."
Pouco depois, uma assessora entrou em contato pelas redes sociais e abriu portas para campanhas com grandes marcas. "Em pouquíssimo tempo eu já trabalhava com empresas gigantes e fiz campanhas que mudaram a minha vida. Acho que aconteceu porque eu sempre fui muito verdadeira."
Mesmo enquanto crescia na internet, Manu seguiu o plano original e ingressou em medicina. Ela, então, se mudou para estudar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A experiência, porém, durou até o quarto período, quando decidiu trancar a faculdade.
"Eu criei uma imagem idealizada da medicina. Quando entrei, tive um choque com a realidade. Cirurgias, plantões, pacientes." Apesar de admirar a profissão, percebeu que sua vocação estava em outro lugar. "Eu sou apaixonada por ajudar pessoas, mas não me apaixonei pela medicina."
A decisão de abandonar o curso gerou burburinho na internet na época e uma certa apreensão dentro de casa. "Meus pais projetavam muito esse sonho na medicina. Mas eles também queriam que eu encontrasse meu caminho."
Hoje, ela enxerga a escolha como um divisor de águas. "Eu sinto que empreender é o meu lugar. Na medicina eu não sentia isso."
Se a influência digital abriu as portas, foi a Guday que transformou Manu Cit em empresária. A marca de suplementos em gummy nasceu em 2023 a partir de uma conexão feita justamente pelas redes sociais. Na época, ela já chamava atenção pelo perfil disciplinado e pela forma como falava sobre produtividade, saúde e rotina.
"Meus sócios me procuraram e disseram: 'Gostamos muito de você. Vamos ser sócios?'" O convite veio dos jovens empreendedores Enzo Moreira, Gabriel Delgado e João Leão, todos com menos de 25 anos. Embora já tivesse experimentado o empreender anteriormente com uma marca de roupas que acabou sendo encerrada, Manu decidiu embarcar no novo projeto.
O investimento inicial foi enxuto: apenas R$ 30 mil. "Eles entraram com o capital e eu entrei com a minha imagem." O primeiro ensaio fotográfico foi produzido dentro de casa com equipamentos improvisados e sem grandes investimentos.
Antes de chegar ao formato atual, os sócios avaliaram diferentes possibilidades de produto. Depois de descartar ideias que iam de papelaria a outros segmentos, encontraram nos suplementos em gummy uma oportunidade de mercado. A creatina mastigável foi o primeiro lançamento e rapidamente se tornou o carro-chefe da operação.

Em 2025, a Norte Media, empresa responsável pela Guday, recebeu investimento da Rebels Ventures, fundo criado por Rony Meisler, fundador da Reserva. O valor não foi divugado, no entanto. No mesmo período, a marca acelerou sua expansão e encerrou o ano com faturamento de aproximadamente R$ 70 milhões.
Hoje, o portfólio da marca inclui produtos como creatina, melatonina, vinagre de maçã, GABA e combinações de matcha com coenzima Q10. Mas, para Manu, os números representam apenas o começo. "Antes a gente falava que queria ser a maior empresa de gummies do Brasil. Agora queremos ser a maior do mundo", diz.
Enquanto a Guday cresce no mercado de suplementos, a The Simple Gym representa a entrada de Manu em outro segmento que vive expansão: o wellness.
A academia carioca nasceu no Rio com uma proposta diferente das grandes redes tradicionais e ficou conhecida por sua estética minimalista. O branding é realmente um destaque da marca. O empreendimento combina musculação, cardio, pilates, recovery e experiências voltadas ao bem-estar.
Fundada em 2024 pelos irmãos Gabriel e Gustavo Rodrigues, a empresa entrou em uma nova etapa de expansão. O plano prevê um investimento de R$ 8 milhões por unidade e a abertura de três endereços na região do Ibirapuera, em São Paulo. A expectativa é que cada operação trabalhe com ticket médio de R$ 500.
Manu tornou-se sócia por meio de um modelo conhecido como media for equity, no qual influência e participação societária caminham juntas. Agora, a expansão para São Paulo ocupa boa parte de sua agenda.
"São Paulo é o público perfeito para a Simple Gym. As pessoas estão cansadas, estressadas e as academias estão cada vez mais hiperestimulantes." Segundo ela, a proposta vai além do exercício físico. "A academia é o terceiro espaço da vida das pessoas, depois da casa e do trabalho. A gente quer transformar esse lugar em algo onde as pessoas realmente queiram estar."
Embora evite associar o sucesso das empresas exclusivamente à sua audiência, Manu reconhece que sua presença acelerou o crescimento dos negócios. "Não dá para creditar o sucesso a um único fator, mas com certeza agrega."
No dia a dia das empresas, sua atuação se concentra principalmente em branding, posicionamento e growth marketing. "Eu preciso estar criativa. Se eu me afogar em reuniões e operações, eu deixo de entregar aquilo que é o meu maior diferencial."
Segundo Manu, sua principal fonte de renda vem da publicidade e os projetos comerciais desenvolvidos em suas redes sociais. Segundo ela, cerca de 13% dos seus ganhos vêm da Guday, enquanto aproximadamente 8% são provenientes de renda passiva. O restante, quase 80%, está ligado a contratos com marcas, campanhas publicitárias e iniciativas de conteúdo.
A Simple Gym, por exemplo, atravessa uma fase intensa de crescimento e reinveste praticamente todos os recursos na operação. Por isso, Manu afirma que não costuma retirar dividendos do negócio e recebe apenas um pró-labore sem impacto significativo em sua renda. "Mas, olhando para o futuro, existe muito mais potencial vindo das empresas, do equity."
A visão de longo prazo ajuda a explicar sua relação com dinheiro. Em vez de priorizar consumo, Manu prefere reinvestir os ganhos em novos projetos e na expansão dos negócios. “Eu sou um pouco mão fechada e não gasto muito o meu dinheiro”, conta com bom-humor.
Essa mentalidade também se reflete na parceria que mantém com o BTG Pactual, banco do qual é embaixadora e cliente na área de investimentos. “Amo reinvestir meu dinheiro. Hoje, o retorno dos meus investimentos paga meus alugueis no Rio e São Paulo", diz. Por questões de segurança, no entanto, ela evita divulgar detalhes sobre patrimônio ou faturamento pessoal.
Apesar do discurso frequentemente associado à produtividade extrema, Manu rejeita a ideia de que o trabalho seja um fim em si mesmo. "Eu sei que vai chegar um momento em que vou querer dedicar minha energia à família, aos filhos, a outras prioridades. "A internet pode parecer fácil depois que dá certo. Mas a parte mais importante continua sendo a mesma: ser autêntico."
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