Trump vs. Canadá: como um possível acordo com a China aumentou a tensão entre os países vizinhos
O presidente dos EUA acusa o primeiro-ministro Mark Carney de transformar o país vizinho em um "porto de entrada" para produtos chineses

As relações diplomáticas e comerciais entre os Estados Unidos e o Canadá entraram em uma nova fase de instabilidade. No sábado (24), o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou impor uma tarifa comercial de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos EUA.
O gatilho para a retaliação é um possível acordo comercial que o governo do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, está costurando com a China.
A crise ganhou corpo quando o premiê Mark Carney anunciou um acordo preliminar para remover barreiras comerciais com Pequim. Pelos termos do tratado, a China reduziria impostos sobre produtos agrícolas do Canadá, enquanto o governo canadense facilitaria a entrada de veículos elétricos chineses, aplicando uma tarifa de apenas 6,1%.
Para Trump, esse movimento é uma estratégia da China para usar o território canadense como um "porto de desembarque" na América do Norte. O presidente dos EUA argumenta que as empresas chinesas enviariam seus produtos ao Canadá para, então, cruzarem a fronteira norte-americana sem pagar os altos impostos que os EUA aplicam diretamente à China.
Em tom agressivo, Trump declarou em suas redes sociais que a China "comerá o Canadá vivo" e destruirá o tecido social do país vizinho.
Canadá: de aliado a alvo
A postura de Trump mudou drasticamente em pouco tempo. Em 16 de janeiro de 2026, ele chegou a dizer a repórteres que Carney "estava certo" em buscar um acordo com a China para fortalecer sua economia. No entanto, o clima azedou após o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
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Durante o evento, Carney fez um discurso cauteloso contra a "coerção econômica" exercida pelas superpotências mundiais — sem citar Trump ou os Estados Unidos —, mas defendendo que nações médias devem se unir para resistir a pressões externas.
A fala foi interpretada como uma crítica direta à política de tarifas de Trump, que reagiu imediatamente retirando o convite para que o Canadá participasse de seu "Conselho da Paz" (Board of Peace), uma iniciativa para resolver conflitos globais que exige uma taxa de US$ 1 bilhão para assentos permanentes.
Carney disse na semana passada que pretendia entrar para o conselho, mas os detalhes ainda não haviam sido definidos.
Impacto nos Estados Unidos
Se a ameaça de 100% de imposto for concretizada, o impacto será sentido no bolso do consumidor e nas prateleiras dos dois países.
Atualmente, a maior parte das trocas entre EUA e Canadá é protegida por acordos como o USMCA (antigo NAFTA), mas alguns setores como aço, cobre e autopeças já sofrem com tarifas de 35% impostas por Trump em agosto de 2025.
A Câmara de Comércio do Canadá defende que o acordo com a China visa apenas beneficiar os consumidores domésticos e que a relação com os Estados Unidos continua sendo a prioridade máxima para a competitividade da América do Norte.
Por outro lado, a Casa Branca mantém a pressão, sinalizando que a integração econômica canadense com a China é uma linha vermelha que não pode ser cruzada sem consequências severas.
*Com informações de CNBC e Reuters.
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