Primeiro a Venezuela, depois a Colômbia: por que não conseguimos saber quando um terremoto vai acontecer?
Monitorados por redes de sensores e satélites, esses tremores estão entre os fenômenos naturais mais difíceis de prever com precisão — e um dos mais letais

Um forte terremoto atingiu nesta segunda-feira (10) a Colômbia e países vizinhos. Com magnitude 7,4, o tremor foi apontado como um dos mais intensos já registrados no país, provocando o desabamento de edifícios e deixando dezenas de mortos e feridos.
O episódio ocorreu apenas duas semanas após outra tragédia sísmica na América do Sul. No fim de julho, a Venezuela foi atingida por dois terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2 em um intervalo de menos de um minuto, também destruindo cidades e causando milhares de mortes.
Eventos como esses não são incomuns no continente. A América do Sul abriga algumas das áreas de maior atividade sísmica do mundo, especialmente ao longo da Cordilheira dos Andes e na região da Venezuela, devido ao encontro de importantes placas tectônicas.
E muitas causam catástrofes — não apenas pelos efeitos diretos, mas também pela impossibilidade de prever esses eventos, o que dificulta a contenção adequada das regiões afetadas.
Por que é impossível prevê-los?
Terremotos ocorrem quando a energia acumulada em áreas de tensão na crosta terrestre é liberada na superfície repentinamente, gerando ondas sísmicas.
Os tremores tendem a ocorrer ao longo de falhas geológicas, onde é mais propenso a ter movimentos da crosta terrestre. No entanto, eles também podem ser causados por erupções vulcânicas e deslizamentos de terra.
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Como são o resultado de uma complexa interação de fatores geológicos — alguns dos quais não são totalmente compreendidos —, o Serviço Geológico dos EUA (USGS) afirma que não há como determinar precisamente quando, onde e com que magnitude os terremotos ocorrerão.
Isso ocorre porque ainda não foi identificado um sinal precursor confiável que anteceda todos os terremotos e permita prever sua ocorrência, segundo um estudo da pesquisadora Miryam Naddaf publicado na revista científica Nature.
Algumas hipóteses já foram estudadas, como o aumento da concentração de gás radônio em fontes de água e mudanças incomuns no comportamento de animais. No entanto, essas ainda são imprecisas e inconsistentes, já que podem surgir sem anteceder um terremoto ou simplesmente não se manifestar antes dele.
Uma sentença desafiada
Embora ainda não seja possível prever terremotos, a atividade sísmica pode ser monitorada por meio de sismômetros, estações de GPS e satélites. O objetivo não é antecipar a ocorrência dos tremores, mas detectá-los, compreendê-los e viabilizar a operação de sistemas de alerta precoce.
Por outro lado, cientistas tentam mudar essa realidade ao desenvolver novas formas de análise de terremotos, utilizando ferramentas como inteligência artificial (IA), monitoramento por satélite e redes avançadas de sensores.
Embora promissoras, essas tecnologias ainda enfrentam grandes limitações, envolvendo falta de dados sobre os sinais iniciais que precedem os eventos e a escassez de registros históricos digitalizados.
Somado à dificuldade de previsão, a própria tarefa também envolve riscos elevados. Isso porque alarmes falsos não só podem gerar custos emergenciais desnecessários, como também comprometer a credibilidade e a eficácia dos sistemas de alerta.
Embora o assunto esteja sendo estudado, antecipar com exatidão a ocorrência de terremotos ainda permanece fora de alcance da ciência. Por enquanto, os esforços se concentram em aperfeiçoar os sistemas de monitoramento quando os tremores ocorrem e, assim, salvar vidas.
*Sob supervisão de Carolina Gama.
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