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APOSTA FRUSTRADA

O grande erro de Warren Buffett: novo CEO da Berkshire Hathaway pode desistir do “sonho grande” do Oráculo de Omaha

Após anos de perdas e baixa contábil, a saída do “sonho grande” volta à mesa com a chegada do novo CEO Greg Abel; entenda

Montagem com um gráfico de ações em vermelho e Warren Buffett no primeiro plano.
O megainvestidor Warren Buffett. - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/ Canva Pro

Poucos investimentos desafiaram tanto a paciência de Warren Buffett quanto a Kraft Heinz. O “sonho grande” do megainvestidor se transformou em uma das poucas gafes do Oráculo de Omaha em décadas. Agora, sob novo comando, a Berkshire Hathaway dá sinais de que pode encerrar uma aposta que nunca entregou o retorno prometido. 

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novo CEO da Berkshire, Greg Abel, deu um passo formal para consertar a aposta frustrada de Buffett, ao registrar a totalidade da participação de 27,5% da holding na Kraft Heinz.  

Na prática, o movimento não significa uma venda imediata, mas abre caminho para que a Berkshire reduza — ou até encerre de vez — sua exposição à fabricante de ketchup e salsichas. 

A aposta frustrada de Warren Buffett 

A Kraft Heinz há anos figura como uma mancha isolada em um histórico de investimentos de Warren Buffett que beira o impecável.  

Desde a fusão que criou o gigante global de alimentos, em 2015, as ações da companhia acumulam uma queda de cerca de 70%. 

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Mesmo assim, a Berkshire manteve-se firme na posição durante quase toda a última década. Com 27,5% do capital, segue sendo a maior acionista da Kraft Heinz — e a empresa figurou por muito tempo entre as dez maiores participações do portfólio de Buffett.  

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Uma aposta grande demais para ser ignorada, e cara demais para ser facilmente abandonada de forma precipitada. 

Parte das perdas com a Kraft Heinz foi, ao longo dos anos, amortecida por dividendos bilionários. Ainda assim, o desempenho decepcionante cobrou seu preço. Em 2025, a Berkshire reconheceu uma baixa contábil de US$ 3,8 bilhões relacionada à participação.  

Pelas contas da Morningstar, o custo do investimento chegava a US$ 8,5 bilhões no fim do terceiro trimestre de 2025 — bem acima do valor de mercado da participação na empresa, estimado em US$ 7,7 bilhões.  

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Em outras palavras, era mais caro para a holding de Buffett possuir ações da Kraft Heinz do que a própria avaliação da empresa a mercado. 

A cisão da gigante Kraft Heinz 

Segundo analistas da Stifel, o registro da participação dá flexibilidade à Berkshire, sem necessariamente sinalizar uma venda iminente.  

“O documento permite que a Berkshire Hathaway reduza sua participação acionária; acreditamos que novas notificações só devem aparecer nos relatórios trimestrais 13F”, dizem os analistas.  

A próxima atualização relevante deve vir em meados de maio, com a divulgação das posições da Berkshire no primeiro trimestre. 

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Para o mercado, o timing diz muito sobre a nova fase da Berkshire. Na avaliação de Greggory Warren, analista da Morningstar, o movimento “reflete o desejo de Greg Abel de simplificar e reduzir o portfólio de investimentos logo no início de seu mandato”.  

O movimento também coincide com um momento de reorganização dentro da própria Kraft Heinz. A companhia estuda se dividir em duas: de um lado, molhos, pastas e refeições de longa duração; de outro, marcas icônicas do mercado americano, como Oscar Mayer, Kraft Singles e Lunchables.  

A cisão busca destravar valor, mas não convence a todos — nem mesmo o Oráculo de Omaha. 

O próprio Buffett já deixou claro seu desconforto com os rumos do negócio. Em entrevista à CNBC, em 2025, o megainvestidor reconheceu que a fusão não foi o “negócio brilhante” que imaginava. Ainda assim, mostrou ceticismo quanto à solução proposta pela empresa

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“Com certeza não foi uma ideia brilhante juntá-los, mas não acho que separá-los vá resolver o problema”, disse o investidor. 

Do sonho grande de Buffett e Lemann... ao pesadelo  

A história da Kraft Heinz começa com ambições elevadas. A fusão que criou a companhia nasceu da aliança entre a Berkshire Hathaway, de Buffett, e a 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann.  

O “sonho grande” dos investidores era formar um gigante global de alimentos. Mas o roteiro não saiu como planejado. 

Poucos anos após o negócio, as vendas nos Estados Unidos começaram a encolher. O consumidor americano, cada vez mais atento à saúde, passou a evitar alimentos ultraprocessados, enfraquecendo marcas que haviam sido sinônimo de conveniência por décadas.  

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Ao mesmo tempo, cortes agressivos de custos limitaram a capacidade da Kraft Heinz de investir em inovação e marketing — justamente quando essas marcas precisavam se reinventar para continuar relevantes.  

O resultado foi um gigante pesado, pouco ágil e cada vez mais distante do crescimento. 

Enquanto a 3G reduziu sua fatia gradualmente até sair completamente do investimento em 2023, a Berkshire permaneceu. Mesmo depois de Buffett admitir que pagou caro demais pelo ativo, a holding manteve a aposta — até agora. 

*Com informações da CNBC. 

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