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O Citi não está sozinho nas projeções: o Goldman Sachs já avisou que o mercado está prestes a voltar ao excesso de oferta e o Morgan Stanley cortou as previsões para o barril duas vezes

Os investidores seguraram a respiração no final de fevereiro. A eclosão do conflito entre Estados Unidos e Irã transformou o Estreito de Ormuz — a principal artéria para o petróleo do Golfo Pérsico — no palco de um bloqueio duplo que lançou os mercados globais de energia ao choque.
O medo de um desabastecimento global fez os preços dispararem: em questão de semanas, o barril do petróleo que custava cerca de US$ 60 estava valendo praticamente o dobro. Mas, como no mercado financeiro a tempestade costuma ser sucedida pela calmaria — ou por uma reprecificação —, o cenário agora é outro.
Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento para pausar as hostilidades, buscando um acordo permanente. Embora a vigência dessa “trégua” seja incerta, não dá para negar que a fumaça da guerra se dissipou, alguns navios voltaram a trafegar e a conta chegou para o preço do barril.
O Brent — referência global, inclusive para a Petrobras (PETR4) — já recuou 30% no segundo trimestre, apagando os ganhos do auge do conflito. E se você acha que a queda parou por aí, os gigantes de Wall Street avisam: a ladeira pode ser ainda mais íngreme para o petróleo.
Se no início do ano a palavra de ordem era escassez, agora o mercado global de petróleo flerta com o excesso de oferta.
O Brent, que atualmente está sendo negociado na casa de US$ 70, não via a faixa dos US$ 60 desde janeiro — mas é exatamente para lá que o barril deve voltar, segundo o Citi.
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Os analistas do banco, liderados por Francesco Martoccia, foram enfáticos ao afirmar que os fundamentos econômicos estão rapidamente se reafirmando. A tese do Citi se baseia em uma tempestade perfeita para a queda dos preços:
"Continuamos recomendando vender qualquer rali de verão [no hemisfério Norte] e prevemos que o Brent alcance entre US$ 60 e US$ 65 por barril até o início do ano", dizem os analistas do Citi.
Eles acreditam que o ambiente de risco voltou a ser gerenciável e que o acordo no Oriente Médio deve se sustentar.
O Citi não está sozinho nas projeções para a commodity. O Goldman Sachs já avisou que o mercado está prestes a voltar ao excesso de oferta com a recuperação do tráfego em Ormuz. O Morgan Stanley cortou as previsões para o petróleo duas vezes nas últimas semanas.
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"Eu não invisto em barris de petróleo, ando de transporte público ou meu carro é elétrico. Por que eu deveria me importar com o Brent a US$ 60?"
Se você está se perguntando isso, a resposta direta é: porque o preço do petróleo dita o ritmo do custo de vida global, provocando um efeito dominó que chega na inflação, nos juros e nos investimentos.
1. O alívio na inflação
O petróleo é a matéria-prima do combustível que move navios, aviões e os caminhões que levam a comida até o supermercado da sua esquina.
Quando o petróleo cai de US$ 80 para US$ 60, o custo de transporte despenca. Frete mais barato significa produtos mais baratos na prateleira.
Essa queda nos custos puxa para baixo a inflação — aqui no Brasil, medida pelo índice de preços ao consumidor amplo (IPCA).
2. A dança dos juros
O controle da inflação é a grande meta a ser perseguida pelos bancos centrais. Para combater a disparada de preços, a principal ferramenta usada pelos BCs é o aumento dos juros. No Brasil, a Selic está em 14,25% ao ano.
Mas, se o petróleo mais barato está fazendo o trabalho de esfriar a inflação, os bancos centrais ganham uma margem de manobra valiosa.
Em um cenário de inflação controlada pelo alívio nas commodities, abre-se espaço para cortes nas taxas de juros ou, no mínimo, para que elas parem de subir.
3. O impacto nos investimentos
É aqui que a mágica acontece na sua carteira: com juros menores e inflação sob controle, o tabuleiro dos investimentos muda.
Ações ligadas ao consumo (varejo, construção, shoppings) tendem a decolar. Com juros mais baixos, o crédito fica mais barato, as pessoas compram mais e as empresas lucram mais.
Já no caso de petroleiras como a Petrobras ou a Prio (PRIO3) é preciso um pouco mais de cautela. Um petróleo a US$ 60 espreme as margens de lucro dessas empresas. Elas ganham menos por cada barril extraído, o que pode pressionar o valor de suas ações e a distribuição de dividendos.
E quem prefere a renda fixa também sente. Com a taxa de juros mais baixa, a rentabilidade do Tesouro Selic ou CDB pós-fixado vai render um pouco menos. Por outro lado, quem comprou títulos prefixados ou atrelados à inflação (IPCA+) no auge do pânico em fevereiro pode ver os papéis se valorizarem com a marcação a mercado.
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