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Citi avalia as chances de o entendimento entre as duas potências se consolidar — e o que o desfecho significa para quem tem dinheiro aplicado em commodities

Um memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) entre Estados Unidos e Irã foi confirmado por ambos os países nesta segunda-feira (15) e deve ser assinado na próxima sexta-feira (19). O acordo abre caminho para a retomada do fluxo de petróleo iraniano ao mercado global — e, segundo Citi, muda o jogo para quem investe em commodities.
Desde o início do ano, o mercado de petróleo vinha sendo dominado pela geopolítica: primeiro pelas tensões entre EUA e Venezuela, depois pela incerteza sobre um possível entendimento entre Washington e Teerã.
Agora, com o MoU confirmado, o Citi acredita que o petróleo iraniano deve voltar a circular no mercado de forma relativamente rápida — com normalização prevista entre meados e o final de julho.
O ponto central é que o mercado já precificou a existência do memorando, mas ainda não incorporou a possibilidade de um acordo que garanta esse fluxo de petróleo no médio prazo.
Se isso acontecer, segundo o Citi, o preço do barril poderia cair entre US$ 10 e US$ 15 a menos do que está hoje. Nesta segunda-feira (15), o barril do Brent — usado como referência global, inclusive pela Petrobras — fechou com queda de 4,40%, a US$ 83,49 o barril.
O banco traçou três cenários sobre o acordo entre EUA e Irã: cenário base, com 60% de probabilidade de se concretizar; um cenário mais otimista para o petróleo, com 20% de probabilidade; e um cenário baixista, com outros 20% de chance de acontecer.
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No cenário base, o MoU é assinado e as negociações evoluem para um fluxo sustentado e normalizado de petróleo iraniano.
Com isso, o mercado volta a olhar para os fundamentos fracos do setor: o Citi projeta um excedente de cerca de 4 milhões de barris por dia até 2027, o que pressionaria os preços para baixo de US$ 70 o barril.
O banco revisou as projeções de preço para US$ 75 o barril no terceiro trimestre de 2026, US$ 70 no quarto trimestre e US$ 65 em 2027 — uma queda expressiva em relação às estimativas anteriores, que chegavam a US$ 110 o barril.
No cenário otimista para o petróleo, a trégua é temporária. Tensões envolvendo Israel e Líbano poderiam reacender o conflito, derrubando a oferta novamente.
Mesmo assim, o Citi pondera que liberações de estoques pela Agência Internacional de Energia (AIE) tendem a limitar qualquer disparada dos preços.
No cenário baixista, uma aceleração forte da produção de Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Irã, somada a um eventual acordo entre Rússia e Ucrânia, poderia gerar um excedente ainda mais rápido no mercado — derrubando os preços com mais velocidade.
A leitura do banco é clara: com pouco apetite dos EUA para um novo conflito e o Irã sinalizando disposição para negociar, a recomendação é vender altas do petróleo no verão (do hemisfério norte).
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Aqui a notícia é positiva. O Citi elevou a projeção para o ouro nos próximos três meses de US$ 4.000 para US$ 4.500 por onça, e para a prata de US$ 60 para US$ 70 por onça.
A lógica é que, com a redução das tensões geopolíticas, o sentimento de risco melhora de forma mais ampla nos mercados.
O banco admite que havia um risco de queda no curto prazo para esses metais, justamente por causa da incerteza com o conflito e seus reflexos nos preços do petróleo. Esse risco diminui com o acordo.
Na visão de prazo mais longo (seis a 12 meses), o Citi segue otimista com o ouro, projetando US$ 5.000 por onça — embora reconheça que o metal pode apresentar volatilidade relevante no caminho.
Nesta segunda-feira (15), o ouro para agosto encerrou em alta de 2,7%, a US$ 4.351,6 por onça-troy, enquanto a prata para julho avançou 3,2%, a US$ 70,18 por onça-troy.
O alumínio caiu com a notícia do acordo. A lógica do mercado: menos tensão geopolítica, menos prêmio de risco. Mas o Citi discorda da reação e recomenda comprar na baixa.
O argumento é estrutural. Segundo o banco, o mercado de alumínio vive um déficit real, e os estoques devem cair de forma acentuada nos próximos três a seis meses.
O banco projeta alta de 15% a 20% no preço, saindo dos atuais US$ 3.400 para US$ 4.000 por tonelada.
O motivo? O maior choque de oferta da história do metal — e smelters (fundições) que levarão de seis a 18 meses para retomar a produção. O acordo EUA-Irã, na visão do banco, até aumenta a demanda esperada pelo metal, o que reforça o otimismo.
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