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A ERA DO IMPREVISÍVEL

A revolução de Kevin Warsh: gestora desvenda os mistérios do novo banco central dos EUA para os investidores

Em carta mensal, a Dahlia Capital analisa o novo Fed e aponta os três fatores cruciais que o investidor precisa acompanhar a partir de agora

Frame do YouTube com Kevin Warsh sendo sabatinado no Senado dos EUA. Ele está sentado, com um microfone à frente. Veste terno azul matinho e camisa branca.
Kevin Warsh - Imagem: Impressão do YouTube

A economia dos EUA está operando em um compasso de espera intrigante. De um lado, o mercado de trabalho desacelera sem desabar; de outro, a inflação incomoda, mas é puxada por choques temporários. É nesse cenário de quebra-cabeças que a Dahlia Capital acende o alerta para os investidores: a chegada de Kevin Warsh ao comando do Federal Reserve (Fed) vai mudar as regras do jogo. 

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Para a gestora, o investidor precisa recalibrar o olhar. A grande questão que se impõe não é apenas se os juros vão subir ou cair, mas sim a profunda transformação na forma como o banco central dos EUA passará a se comunicar com o mundo. 

O novo Fed: menos sinais  e mais ação  

Desde a crise de 2008, o mercado se acostumou com um Fed extremamente falante, que usava projeções detalhadas (dot plot) e discursos frequentes para guiar os passos dos investidores. Sob a batuta de Kevin Warsh, essa dinâmica de professor que dá o spoiler da prova deve acabar. 

A Dahlia Capital explica que a relação entre a autoridade monetária e Wall Street acabou se tornando circular e prejudicial. 

O Fed observa o mercado, o mercado observa o Fed, e os dois reagem à reação um do outro — como um professor que passa tantas dicas antes da prova que os alunos param de estudar a matéria e passam a estudar só as dicas. Warsh parece querer romper parte desse ciclo.

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Para promover essa ruptura, o novo presidente do Fed anunciou cinco forças-tarefa (focadas em comunicação; balanço; uso de dados; produtividade e emprego; e arcabouço de inflação).  

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O objetivo é trocar estatísticas oficiais atrasadas por dados privados em tempo real, decidindo com base no agora, e não em ecos do passado. 

Na prática, teremos um Fed que falará menos sobre o futuro (forward guidance) e aceitará mais a volatilidade, gerando um paradoxo. 

"Um Fed mais disciplinado, no curto prazo, pode ser um Fed menos previsível. E um banco central menos previsível tende a exigir do investidor um prêmio de risco maior para compensar essa incerteza", diz a Dhalia.  

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Para onde o investidor deve olhar nos EUA? 

Com a taxa de juros mantida entre 3,50% e 3,75% ao ano pela quarta vez seguida na reunião de junho, o investidor não deve se concentrar apenas no indicador principal. Segundo a Dahlia, os olhos do mercado devem se voltar para três fatores específicos: 

  • o prêmio de risco que os investidores exigem para carregar títulos públicos norte-americanos de longo prazo; 
  • a volatilidade dos juros: como os contratos futuros vão oscilar a cada novo dado econômico; 
  • a crença histórica de que o banco central sempre virá resgatar o mercado com cortes de juros emergenciais caso as bolsas desabem. 

Segundo a gestora, isso significa que mesmo com a taxa básica estagnada, os juros de longo prazo vão reagir com força total a cada novo dado de emprego e inflação. 

O paradoxo da tecnologia 

Outro ponto de atenção crucial, segundo a Dahlia, é a inteligência artificial (IA). No longo prazo, ela promete ser a maior força desinflacionária da década, aumentando a produtividade. Porém, no curto prazo, a ordem dos fatores altera o produto.  

O boom de investimentos em data centers, semicondutores e infraestrutura digital consome muita energia e mão de obra qualificada, o que pode encarecer a economia no presente antes de barateá-la no futuro. 

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Onde Investir no 2º Semestre: renda fixa, investimentos internacionais e ativos digitais

Dos EUA ao Brasil 

Para os mercados emergentes e, especificamente, para o Brasil, a nova postura do Fed traz um cenário misto.  

Por um lado, o alívio de saber que não há um ciclo agressivo de alta de juros contratado nos EUA é positivo. Por outro, um Fed mais calado e uma curva de juros norte-americana volátil reduzem drasticamente a visibilidade para quem opera moedas e ativos de risco por aqui. 

A Dahlia destaca que, no contexto brasileiro, a previsibilidade global importa tanto quanto a direção dos juros. 

"Um Fed em pausa, porém mais calado, não traz o mesmo alívio que um Fed em ciclo claro de corte de juros. Por outro lado, se a inflação nos EUA continuar perdendo força nos indicadores que realmente importam e o mercado de trabalho seguir desacelerando de forma ordenada, o ambiente externo não precisa ser hostil ao Brasil", diz a gestora.  

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Apesar das incertezas de curto prazo, a Dahlia mantém o otimismo no horizonte mais longo, apostando que as forças estruturais como tecnologia e energia barata vão vencer a inflação. 

"Estamos otimistas. Talvez, essas forças-tarefa consigam calibrar melhor as decisões de política monetária, onerando menos setores e camadas mais sensíveis ou vulneráveis da economia", afirma. 

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