Brasil não é o mocinho, mas lidera entre as ações de bancos na América Latina; saiba o que ter na carteira agora
O UBS BB fez uma comparação entre cinco países da região e dois andinos levam a melhor — mas não dominam as recomendações dos ativos para comprar neste momento

Imagine que a América Latina tenha se transformado no Velho Oeste. Nesse cenário, os bancos no Brasil tentam segurar as rédeas de uma inadimplência que cresce tanto nas famílias quanto nas empresas. Peru e Colômbia cavalgam à frente, com números de crédito cada vez mais limpos. Já o México foge do tiroteio, com sinais pontuais de desgaste, enquanto o Chile observa a poeira baixar em ritmo mais lento.
Essa é a conclusão do raio-x feito pelo UBS BB, que compara a qualidade do crédito bancário entre os países latinos. O resultado escancara que, neste duelo, o Brasil está longe de ser o mocinho da história — e mesmo assim lidera as recomendações entre as ações dos bancos que se deve ter na carteira agora.
No levantamento, o Brasil é apontado como o mercado com a pior dinâmica de qualidade de ativos entre os países analisados. O motivo é uma combinação perigosa — famílias endividadas e empresas sofrendo com juros mais altos por mais tempo.
Os números por trás da preocupação são expressivos: 83,5 milhões de brasileiros negativados e o comprometimento de renda das famílias com dívidas rondando 30%.
A boa notícia, segundo o UBS BB, fica por conta dos bancos incumbentes — Itaú, Bradesco e Santander Brasil —, que têm conseguido navegar essa deterioração sem precisar aumentar tanto seus custos com risco.
Já os newcomers (os bancos digitais) sentiram mais o baque, de acordo com o estudo: o Nubank registrou um salto nas provisões e o Inter viu a piora se espalhar por “quase todos os seus indicadores” no primeiro trimestre.
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Um fator pode aliviar o cenário adiante: o governo lançou o programa de renegociação Novo Desenrola, voltado a dívidas de cartão de crédito em atraso, cheque especial e empréstimo pessoal para a baixa e média renda — uma frente que, segundo o UBS, tende a beneficiar principalmente o Nubank, dado o perfil de seus clientes.
Em números concretos, o Brasil não deixa dúvida sobre quem sofre mais: o Nubank tem o maior custo de risco de toda a cobertura do UBS BB, em 19,2% no primeiro trimestre de 2026, com o índice de baixas de créditos (write-off) em 2,9% — o maior entre todos os bancos analisados na região.
Bancos no México: sinais de desgaste, mas ainda sob controle
O México aparece em uma zona intermediária. O relatório descreve o país como estando em processo de normalização para níveis pré-pandemia, com índices de inadimplência controlados e cobertura de provisões robusta.
A maioria dos bancos mostra uma tendência estável nos empréstimos inadimplentes — com uma exceção: a Gentera, que vem reportando alta na inadimplência desde o terceiro trimestre de 2025, puxada pela unidade Compartamos México.
A expansão acelerada de empréstimos individuais nos últimos anos — alta de 33% em 2025 — cobrou seu preço em algumas regiões, segundo o UBS BB, incluindo a Cidade do México, onde a inadimplência já se aproxima do patamar de 7%.
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Peru e Colômbia saem na frente
É aqui que o UBS BB encontra o cenário mais animador. Os analistas classificam o quadro de qualidade de crédito nos países andinos como construtivo de forma geral — mas com destaque significativo para dois nomes.
Na Colômbia, o estudo identifica uma clara melhora nas métricas de qualidade de ativos de todos os bancos cobertos: a taxa de inadimplência e o custo de risco recuam desde 2023-24.
No Peru, o Credicorp, que é dono do banco BCP, também mostra trajetória positiva, com inadimplência em melhora e custo de risco sob controle.
O UBS BB ainda vê espaço para mais avanços à frente, à medida que a economia peruana ganha dinamismo após as eleições no país.
Já o Chile fica no meio do caminho: os bancos chilenos têm um nível relativamente baixo de inadimplência (beneficiado pela alta fatia de crédito imobiliário na carteira), mas a tendência recente é de estabilização em patamar elevado, sem o mesmo ímpeto de melhora visto em Peru e Colômbia.
O UBS BB destaca que o desempenho do Santander Chile tem sido “pior que seus pares”.
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Qual banco ter na carteira
Para quem quer se posicionar no setor bancário latino-americano, o UBS BB mantém preferência por seis nomes, todos com recomendação de compra:
- Nubank - preço-alvo de US$ 16,90
- Bradesco - preço-alvo de R$ 24,00
- Santander Brasil - preço-alvo de R$ 44,00
- Inter - preço-alvo de US$ 9,40
- Banorte (México) - preço-alvo de Ps 248,00
- Banco del Bajío (México) - preço-alvo de Ps 67,00
- Credicorp (Peru) - preço-alvo de US$ 412,00
Apesar do cenário mais desafiador de crédito no Brasil, o UBS BB não abandona o país — pelo contrário, mantém quatro das sete recomendações de compra em nomes brasileiros.
O banco suíço acredita que o pior da deterioração já estaria precificado ou concentrado nos bancos digitais, enquanto os incumbentes seguem resilientes.
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