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Em evento do Seu Dinheiro, Marcela Rocha, CIO da Avenue, e Daniel Popovich, portfolio manager da Franklin Templeton, explicam como buscar lucros com ativos internacionais
De tédio nenhum investidor que acompanha o cenário internacional sofreu no primeiro semestre de 2026. Em meio à guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o mercado observou o Brent — tipo de petróleo usado como referência internacional — ultrapassar US$ 100 por barril, as bolsas globais em um período de alta volatilidade, o enfraquecimento do dólar e discussões sobre o fim do excepcionalismo americano.
Porém, mesmo diante de incertezas, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 encerraram os seis primeiros meses do ano em alta, no melhor desempenho para o período desde 2021.
O S&P 500, por exemplo, valorizou 9,55% no período e chegou a bater o recorde de 7.620,90 pontos, mas a perspectiva é de que existe espaço para mais.
Durante o evento Onde Investir no 2º semestre de 2026, realizado pelo Seu Dinheiro, Marcela Rocha, CIO da Avenue, e Daniel Popovich, portfolio manager da Franklin Templeton, defenderam que as bolsas norte-americanas devem ser o destaque do segundo semestre entre os investimentos no exterior.
“Não é porque os índices estão na máxima que vão desvalorizar. Conforme os lucros das empresas crescem, o S&P 500 deve continuar renovando os recordes”, afirmou Popovich.
Esta reportagem faz parte da série sobre Onde Investir no 2º semestre de 2026:
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Um dos principais motivos para o otimismo dos especialistas sobre a bolsa norte-americana é o avanço da inteligência artificial (IA).
A CIO da Avenue acredita que o setor de tecnologia é o mais atrativo do cenário e, apesar das pernadas de valorização nos papéis, “o preço atual não gera receio”.
Para Rocha, o mercado norte-americano é o que mais consegue refletir a tese de inteligência artificial. A especialista ainda enxerga um bom potencial de valorização.
Essa visão é compartilhada pelo portfolio manager da Franklin Templeton. Popovich defende que a inteligência artificial é uma tecnologia transformadora que deve estar na carteira do investidor, mas faz um alerta sobre o setor: os papéis devem ser pensados para o longo prazo.
“Os investimentos vêm de recursos próprios das empresas, mas o fluxo de caixa está encurtando cada vez mais rápido e as companhias começaram a acessar o mercado de dívida para financiar esses aportes. Não necessariamente algo ruim está para acontecer; é preciso estar posicionado no setor para o longo prazo.”
Ainda que as bolsas norte-americanas devam ser as maiores beneficiadas com o desenvolvimento da IA, os especialistas também enxergam outros países que tendem a se beneficiar desse avanço.
Os mercados no radar da Avenue são Taiwan e Coreia do Sul, que devem aproveitar a cadeia de semicondutores e tecnologia. Além disso, há um país latino-americano na lista: o Chile.
Por ser o maior produtor de cobre no mundo, uma commodity necessária para a infraestrutura de IA, o Chile deve ficar no radar dos investidores e, na visão de Rocha, vale a pena expor a carteira a investimentos no país.
“Se os investidores querem participar das tendências de inteligência artificial e ganhar dinheiro no longo prazo, a renda variável no exterior faz muito sentido”, diz Popovich.
O especialista também defende que, para além da tese de IA, um mercado que se destaca com um reaquecimento da economia é o Japão. O país chama a atenção por ter realizado reformas que reforçam a governança corporativa das empresas e pode ser uma oportunidade para quem quer investir.
Embora a inteligência artificial seja a grande estrela para buscar lucros nas bolsas norte-americanas (e nos outros mercados globais), os especialistas enxergam potencial em outros setores nos Estados Unidos.
O mercado precifica um crescimento do lucro corporativo de 20% entre os papéis listados nos EUA, o que, na visão de Popovich, é bastante atrativo.
Para aproveitar esse cenário, Rocha recomenda o investimento em segmentos que se beneficiam indiretamente de IA, como energia e infraestrutura, além de setores já estabelecidos no mercado, como saúde e biotecnologia.
Outra estratégia destacada por Popovich é o investimento em fundos multimercados, chamados de hedge funds no exterior. Na visão do especialista, essa indústria está ressurgindo no mercado internacional.
Na contramão, Rocha e Popovich também avisam sobre o que deve ser evitado pelos brasileiros.
No mercado norte-americano, a CIO da Avenue prefere ficar de fora de setores mais sensíveis à taxa básica de juros dos EUA, estabelecida entre 3,5% e 3,75% ao ano, como o imobiliário e o consumo.
Já fora dos EUA, Popovich enxerga com cautela as economias dos países da Europa e da Austrália.
Na reta final do primeiro semestre, uma mudança na maior economia do mundo chamou a atenção: a cadeira de presidente do Federal Reserve recebeu um novo ocupante. Kevin Warsh assumiu a presidência do Fed em 22 de maio e realizou a primeira decisão a respeito dos juros no dia 17 de junho.
Uma preocupação levantada pelo mercado após a reunião de junho, que manteve os juros inalterados nos EUA, foi a diminuição da comunicação da autarquia sobre os próximos passos da política monetária, o chamado forward guidance.
Porém, para Rocha, esse posicionamento “faz sentido com a complexidade do cenário macroeconômico atual”.
Diante das incertezas, a especialista recomenda uma posição neutra na renda fixa norte-americana de curto prazo por projetar a possibilidade de o Fed elevar os juros dos Estados Unidos nos próximos meses.
Já no longo prazo, a indicação é ficar de fora e manter cautela. “Existe a possibilidade de as taxas abrirem. As taxas [dos títulos de dívida do Tesouro norte-americano] de 10 anos já chegaram a 4,5% antes e eu não me surpreenderia se voltassem a ter uma elevação”, defende a CIO da Avenue.
Vale lembrar que os títulos de dívida de dez anos dos EUA aos quais ele se refere são considerados um dos títulos mais seguros do mundo.
Outra visão em comum entre Marcela Rocha e Daniel Popovich é a necessidade de o investidor brasileiro ampliar a diversificação no exterior.
“O ideal é uma exposição internacional de no mínimo 16%. O brasileiro só tem 2% do patrimônio no exterior. Estamos muito atrasados”, diz Rocha. A especialista defende que o principal erro do investidor é pensar nos investimentos internacionais apenas no curto prazo.
A estratégia, segundo a CIO da Avenue, deve ser pensada de forma estrutural. O movimento no primeiro semestre é um exemplo disso. No início do ano, houve uma avalanche de dinheiro em direção aos países emergentes, como o Brasil, mas, ao longo dos meses, o dinheiro voltou para as economias fortes, como os Estados Unidos.
Rocha ressalta que quem deixou para alocar com atraso não conseguiu capturar os ganhos.
O gestor da Franklin Templeton também reforça a importância de investir no exterior como forma de reduzir os riscos. Nos últimos 15 anos, o dólar registra uma valorização de 8% ao ano em relação ao real.
Para o especialista, ter parte da carteira alocada no exterior é uma forma de proteção: “não se sabe o que vem no dia de amanhã”.
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