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TOUROS E URSOS #277

“A China vai estagnar”: CEO da AZ Quest prevê colapso econômico e diz que Brasil pode ser um dos maiores vencedores

Em participação no podcast Touros e Ursos, Walter Maciel afirma que o gigante asiático entrou em um declínio estrutural e prevê o maior deslocamento de produção e capitais da história da economia moderna

Em um fundo esverdeado, gráfico de ações, a bandeira da china e imagens de prédios. Do lado direito, um homem de blusa preta em frente a um microfone. Do lado esquerdo, a frase: Ciclo chinês tinha data para acabar... e acabou
Walter Maciel, CEO da AZ Quest - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

A China está em decadência, e seu modelo econômico parece estar bem perto de se esgotar de vez. Essa é a visão de Walter Maciel, CEO da AZ Quest, que participou do podcast do Seu Dinheiro, o Touros e Ursos, para explicar por que ele acredita que o Gigante Asiático está respirando por aparelhos.

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“O que veremos lá é o colapso econômico, sem exagero. O país vai passar por uma crise financeira e fiscal. A China vai estagnar”, afirmou Maciel durante a participação no podcast.

Para ele, o país está experimentando um declínio estrutural que se manifesta de forma acelerada, mais rapidamente do que ele próprio esperava, e isso pode abrir uma oportunidade para o Brasil.

Por que a China está em decadência, segundo Walter Maciel?

Na avaliação de Maciel, a deterioração não é resultado de um único fator, mas da combinação de problemas estruturais que, segundo ele, se reforçam mutuamente. Entre eles estão o elevado endividamento, a desaceleração do crescimento, a crise imobiliária, o envelhecimento da população e as limitações do próprio modelo político chinês.

O primeiro ponto é a dívida. O gestor cita que a relação entre a dívida agregada e o PIB já supera 300%, em linha com dados mais recentes do Instituto Nacional de Finanças e Desenvolvimento (NIFD), um centro de estudos estatal chinês.

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O indicador inclui as dívidas de famílias, governos e empresas não financeiras, cujo saldo total supera 400 trilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 57 trilhões.

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A partir dessa base, Maciel argumenta que o endividamento real da economia chinesa é ainda maior. Segundo o gestor, ao incluir passivos parafiscais — principalmente ligados a governos locais e mecanismos de financiamento fora do orçamento —, a relação chegaria a aproximadamente 350% do PIB.

Mas, para Maciel, o problema não está apenas no tamanho da dívida, mas na velocidade com que ela cresce em relação à economia. O gestor afirma que a China expande seu endividamento em um ritmo superior ao do PIB, o que, em sua avaliação, torna o modelo insustentável.

Ele contesta, por exemplo, a meta oficial de crescimento de cerca de 5% ao ano. Citando estimativas do Rhodium Group, Maciel afirma que a economia chinesa cresceu aproximadamente 2,5% no ano passado e deve avançar perto de 2% neste ano.

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Um dos indícios, segundo ele, é a sequência de mais de 30 meses de deflação industrial, fenômeno que considera incompatível com uma economia crescendo no ritmo informado por Pequim.

“As pessoas se preocupam com a dívida dos Estados Unidos, mas eles têm a máquina de imprimir dólar. Não é uma situação ideal, mas é diferente. Na China, a dívida é local, está nas mãos dos próprios chineses, e a moeda não é conversível”, disse Maciel.

Na avaliação dele, a tendência é que a relação entre a dívida agregada e o PIB chegue a 400% nos próximos anos, considerando que o endividamento avança mais rápido do que o crescimento da economia.

O que mais está afundado a economia chinesa?

Na visão do gestor, o endividamento é apenas um sintoma de um problema ainda maior. Segundo Maciel, durante décadas a economia chinesa concentrou riqueza no setor imobiliário, transformando imóveis no principal patrimônio das famílias.

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“Por longos anos, o chinês não tinha onde colocar dinheiro. Não havia liberdade para investir fora, e o mercado de capitais era muito limitado. Então todos compravam imóveis. Houve um momento em que pelo menos 60% da riqueza das famílias estava concentrada nisso”, ressalta.

Segundo Maciel, o modelo começou a ruir quando grandes incorporadoras, como a Evergrande, deixaram de conseguir sustentar um ciclo de crescimento baseado em crédito abundante, venda de imóveis e valorização contínua dos preços.

O excesso de construções deu lugar a uma oferta elevada de imóveis, enquanto a demanda perdeu força. Com isso, os preços passaram a cair de forma consistente, reduzindo o patrimônio das famílias e comprometendo um dos principais pilares da economia chinesa.

“Agora os preços voltaram para os níveis de 2006. A população inteira foi empobrecida. Quando você destrói a riqueza das famílias, destrói também a capacidade de consumo. É por isso que eu digo que a China vai estagnar”, diz Maciel.

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Tudo isso se alia com um problema demográfico

Na avaliação do CEO da AZ Quest, a crise imobiliária se soma a outro problema estrutural: a rápida mudança demográfica provocada por décadas da política do filho único.

Segundo Maciel, a redução da população em idade ativa compromete justamente o principal diferencial competitivo que impulsionou a industrialização chinesa: a abundância de mão de obra.

“A política do filho único durou quase 50 anos. Segundo projeções do FMI, a China terá 500 milhões de habitantes a menos nos próximos 30 anos. Daqui a quatro anos, serão cerca de 770 milhões de trabalhadores sustentando 350 milhões de aposentados. Nenhum país da história conseguiu atravessar uma mudança demográfica dessa magnitude sem enfrentar uma grande crise”, disse Maciel durante a participação no podcast Touros e Ursos.

Na visão dele, esse envelhecimento pressiona as contas públicas, reduz o potencial de crescimento da economia e dificulta ainda mais uma recuperação do mercado imobiliário e do consumo.

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O grande erro da China

Para Maciel, a desaceleração do PIB não é um fenômeno conjuntural, mas consequência do esgotamento do modelo que sustentou o crescimento chinês nas últimas décadas.

Segundo o gestor, durante anos a economia foi impulsionada por investimentos maciços em infraestrutura e imóveis, financiados por crédito abundante. Com o estouro da bolha imobiliária, o envelhecimento da população e o elevado endividamento, esse motor perdeu força sem que outro fosse capaz de substituí-lo.

“A China cresceu durante décadas construindo cidade, estrada, prédio, infraestrutura. Só que chega um momento em que esse modelo se esgota. Você já construiu demais, a população começa a diminuir, a dívida explode e o mercado imobiliário entra em colapso. O motor que fazia a economia crescer simplesmente para de funcionar”, afirmou.

Na avaliação do CEO da AZ Quest, o problema foi agravado pelo próprio sistema político chinês, que, segundo ele, perdeu a capacidade de promover ajustes conforme a economia deixou de crescer em ritmo acelerado.

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"O grande erro do país foi liberalizar a economia sem liberalizar a política. Com isso, cria-se um sistema autoritário, que concentra poder, aumenta a corrupção e perde a capacidade de corrigir os próprios erros. Esse modelo funcionou enquanto a economia crescia a dois dígitos. Quando o crescimento desacelera, essas fragilidades começam a aparecer", afirma Maciel.

Mas isso pode abrir uma oportunidade para o Brasil

Para a economia brasileira, pode parecer até uma previsão arrepiante a de Maciel, já que se trata do nosso principal parceiro econômico. No entanto, o CEO da AZ Quest enxerga de outra forma: como uma oportunidade para o país.

O enfraquecimento estrutural da economia chinesa deve desencadear uma profunda reorganização das cadeias globais de produção, abrindo espaço para que outros países passem a receber investimentos e fábricas que, por décadas, tiveram a China como destino natural.

"Eu acho que veremos o maior deslocamento de produção manufatureira e de capitais da história da economia moderna", afirmou.

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Segundo Maciel, esse processo já começou. Os Estados Unidos passaram a restringir o acesso chinês a semicondutores de última geração, ampliaram os incentivos para a produção doméstica de chips e vêm estimulando a reindustrialização da economia. Na Europa, acrescenta, cresce a pressão para proteger setores estratégicos da concorrência chinesa.

Nesse novo cenário, o gestor acredita que países como o Brasil podem ganhar protagonismo, desde que consigam oferecer segurança jurídica, ambiente de negócios favorável e capacidade de absorver parte desses investimentos.

Na visão de Maciel, o Brasil reúne vantagens competitivas difíceis de replicar, como abundância de recursos naturais, produção agrícola em larga escala, matriz energética relativamente limpa e um amplo mercado consumidor.

Se conseguir transformar esses atributos em ganhos de produtividade, o país poderá capturar parte do capital que tende a deixar a China ao longo dos próximos anos.

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"Não significa que a China vai desaparecer. Ela continuará sendo uma potência econômica. O que está mudando é o modelo que sustentou esse crescimento nas últimas décadas. E, quando esse modelo se esgota, o mundo inteiro precisa se reorganizar”, diz Maciel.

Touros e Ursos da Semana

Apesar de o foco do episódio ter sido a China — seleção que sequer conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 2026 —, os tradicionais Touros e Ursos da semana entraram no clima do Mundial para avaliar o desempenho das equipes dentro e fora de campo. O quadro elege destaques positivos e negativos da semana.

Na visão de Walter Maciel e da bancada de apresentadores, o Brasil ficou entre os "touros" da semana. Mais do que o resultado, o gestor destacou a capacidade de reação da equipe de Carlo Ancelotti ao buscar uma virada inédita em Copas desde 2002 e elogiou a organização tática da seleção, que, segundo ele, está acima da média das equipes brasileiras de edições anteriores.

Paraguai e França também foram destaques positivos. Os paraguaios foram elogiados pela entrega e por alcançarem um dos maiores feitos da história da seleção. Já os franceses foram apontados como o time mais convincente do torneio até aqui, impulsionados pelas atuações de Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé.

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Entre os "ursos", Alemanha e Holanda apareceram como as grandes decepções.

Fora das quatro linhas, a CazéTV recebeu o posto de "touro" por representar a transformação na forma de consumir transmissões esportivas, enquanto a Globo ficou com o papel de "urso", em uma discussão sobre o avanço das plataformas digitais e a perda de protagonismo da mídia tradicional na cobertura de grandes eventos.

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