Brasil é a grande alternativa dos Estados Unidos à China, diz CEO da AZ Quest
De acordo com o executivo, projeções do FMI indicam que a população chinesa será reduzida em 500 milhões de pessoas nos próximos 30 anos. Para ele, esse processo, combinado com uma crise fiscal, compromete o potencial de crescimento do país.
O Brasil pode ser uma das alternativas dos Estados Unidos à China, diante de um eventual colapso da economia do gigante asiático, afirma o CEO da AZ Quest, Walter Maciel.
Na avaliação do executivo, a economia chinesa caminha para um período de estagnação, o que provocaria uma redistribuição global da produção industrial e dos fluxos de capital.
“O colapso chinês vai fazer o maior deslocamento de produção de manufatura e de capitais da história da economia moderna. Vai levar a uma mudança de dinheiro para outros lugares”, disse Maciel em entrevista ao Seu Dinheiro, no podcast Touros e Ursos.
Segundo ele, o movimento de nearshoring, discutido após a pandemia da covid-19, tende a se intensificar, aproximando cadeias produtivas do Ocidente.
Nesse cenário, o CEO da AZ Quest acredita que o Brasil tem condições de se beneficiar da nova dinâmica econômica, desde que aproveite suas vantagens competitivas, e de se tornar um parceiro estratégico dos Estados Unidos.
"O Brasil é a grande alternativa para os Estados Unidos à China", afirmou Maciel.
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O executivo diz que o Brasil reúne vantagens por possuir ampla oferta de energia renovável e uma das maiores matrizes hidrelétricas do mundo.
A crescente demanda energética impulsionada pela inteligência artificial (IA) abre uma oportunidade para o país atrair investimentos em infraestrutura tecnológica, especialmente data centers.
O principal gargalo global para a expansão da IA, segundo ele, deixou de ser capital ou mão de obra e passou a ser energia.
Maciel afirma que o Brasil dispõe de energia abundante, um sistema elétrico de grande porte e espaço para receber novos empreendimentos industriais. Para aproveitar esse cenário, defende a criação de condições que atraiam empresas estrangeiras e iniciem um novo ciclo de industrialização.
"Temos uma oportunidade hoje para terminar de reindustrializar o país, pegar o maior ciclo de investimento da história", disse.
Para ele, no entanto, o país ainda carece de uma estratégia de desenvolvimento voltada para o longo prazo.
Quebra da China pode levar Brasil a uma crise?
Questionado se uma eventual estagnação da China impactaria o Brasil, uma vez que ambos são parceiros comerciais, o CEO da AZ Quest diz que o país está relativamente protegido.
A pauta de exportações, segundo ele, é concentrada em alimentos e petróleo. "A gente vende hoje comida e petróleo.”
Vale destacar que a China é hoje o principal parceiro comercial do Brasil, segundo relatório recente da Moody’s Ratings.
O comércio entre China e América Latina superou US$ 500 bilhões em 2025. Só o Brasil movimentou US$ 100 bilhões em exportações para a China e US$ 75,9 bilhões em importações.
A estagnação chinesa, segundo Walter Maciel
Maciel diz que há sinais claros de que a economia da China está em processo de estagnação.
Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) do país, o Produto Interno Bruto (PIB) chinesa cresceu 5% em 2025. No entanto, para o executivo, o crescimento do país parece significativamente menor do que o divulgado oficialmente.
"Quando eu olho o que teve nos últimos 30 meses de deflação industrial, 30 meses consecutivos, eu falo, não pode ter crescido 5%", afirma.
Ele, inclusive, cita o relatório do Rhodium Group, que diz que o crescimento efetivo do PIB do gigante asiático no ano passado ficou abaixo de 3%.
Outro fator apontado pelo CEO da AZ Quest é a mudança demográfica provocada pela política do filho único.
De acordo com o executivo, projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a população chinesa será reduzida em 500 milhões de pessoas nos próximos 30 anos. Para ele, esse processo, combinado com uma crise fiscal, compromete o potencial de crescimento do país.
Maciel também cita a crise do setor imobiliário como um dos principais riscos para a economia chinesa. Ele diz que os preços dos imóveis voltaram aos níveis de 2006, reduzindo a riqueza das famílias e pressionando a atividade econômica.
"Você vai ver uma crise financeira com uma crise fiscal. A China vai estagnar, vai entrar numa profunda crise", diz.
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