Os principais erros que podem te levar à malha fina do imposto de renda e como evitá-los
Omissões de rendimentos e erros na declaração de despesas de saúde estão entre os principais erros que podem levar o contribuinte à malha fina. Veja como evitá-los

Mesmo com a declaração pré-preenchida, a prestação anual de contas ao Leão ainda requer bastante atenção do contribuinte, ainda que seja apenas para conferência e confirmação dos dados fornecidos. Também não convém deixar tudo para a última hora, pois a pressa em declarar o imposto de renda pode acabar gerando erros e levando a declaração à malha fina.
O prazo de entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda 2026 termina às 23h59 de 29 de maio, então ainda dá tempo de fazer tudo com calma.
Se você ainda não preencheu a sua declaração, fique atento aos erros mais comuns e que podem te levar à malha fina, segundo a Receita Federal:
- Omissão ou erro na declaração de rendimentos, em especial de fontes pagadoras secundárias, como honorários, aluguéis recebidos, rendimentos por palestras etc. É comum também que o contribuinte esqueça rendimentos pagos por uma empresa da qual tenha se desligado no decorrer do ano anterior.
- Omissão de rendimentos de dependentes, como bolsa de estágio ou pensão alimentícia de um filho, ou aluguéis e aposentadorias de um dos pais, por exemplo.
- Informar como dependentes contribuintes que não se enquadram nas condições de dependência, principalmente quando estes declaram em separado ou já constam como dependentes em outra declaração. Veja aqui as regras para declarar dependentes.
- Informar valor de imposto de renda retido na fonte maior do que aquele que consta na declaração entregue pelo empregador (e que, consequentemente, consta no informe de rendimentos).
- Informar despesas de saúde que não tenham sido realizadas ou com valores diferentes daqueles que constam nos recibos e notas fiscais. Outro erro comum, nesse ponto, é tentar deduzir despesas de saúde de pessoas que não constem como dependentes na declaração.
Às vezes, porém, o erro não é do contribuinte que está preenchendo a declaração, mas sim da fonte pagadora, que pode ter entregue o informe de rendimentos com erro ou tê-lo alterado sem comunicar ao contribuinte. Também pode ocorrer de a fonte pagadora ter deixado de repassar à Receita o imposto de renda retido na fonte referente aos rendimentos do contribuinte ao longo do ano anterior.
Caso perceba erros em informes, entre em contato com a fonte pagadora (ou com quem recebeu seus pagamentos, caso você seja a fonte pagadora, como no caso dos gastos com saúde) para verificar o erro na outra ponta.
É importante, porém, que você só declare aquilo que pode comprovar. Guarde todos os informes de rendimentos, recibos, notas fiscais e comprovantes de transferências por pelo menos cinco anos após o processamento da declaração.
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Caso caia na malha fina, eles te ajudarão a comprovar à Receita que o erro não foi seu. Saiba quais documentos você deve guardar após entregar a declaração e por quanto tempo.
Para evitar a malha fina, use a declaração pré-preenchida — mas ainda declare apenas o que pode comprovar
A declaração pré-preenchida é uma mão na roda para minimizar erros e omissões por esquecimento, pois basta verificar as informações já preenchidas e completar com o que falta, o que também agiliza muito a entrega da declaração.
Para acessá-la, faça login com a sua conta gov.br no Programa Gerador da Declaração ou no serviço Meu Imposto de Renda, via app ou e-CAC. É necessário que a conta tenha nível prata ou ouro.
Porém, a declaração pré-preenchida também não é imune a erros, pois as informações vêm das fontes pagadoras, instituições financeiras e outros contribuintes com os quais você tenha feito transações financeiras no ano anterior.
Caso essas fontes tenham errado na sua própria prestação de contas, as informações da pré-preenchida não vão bater com as dos seus comprovantes.
Aliás, é possível que no IR 2026 a pré-preenchida esteja trazendo mais erros que o normal. Isso porque a forma de repasse das informações para a Receita mudou neste ano.
Até o ano passado, a principal fonte de informação da Receita para a pré-preenchida era a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), que foi descontinuada.
Assim, parte dos dados passou a vir de outras fontes, como o e-Social, o Carnê-Leão, o Revar, o Receita Saúde, a Dmed (declaração de serviços médicos e de saúde), a Dimob (declaração de atividades imobiliárias) etc.
Veja também: Quer SONEGAR o IMPOSTO DE RENDA? Entenda as consequências de mentir para o Leão
De acordo com o Fisco, a introdução desses novos sistemas permite coletar mais informações do contribuinte e dar acesso a uma declaração pré-preenchida mais completa.
Em contrapartida, diante do fim da DIRF e da introdução de novas fontes, a Receita alertou para o risco de informações erradas, que precisam de correção, pedindo atenção redobrada aos contribuintes.
O Fisco não faz filtro dos dados recebidos. O cruzamento de dados é automático e depende do CPF do contribuinte. Se a informação chegou errada, na pré-preenchida estará exatamente igual.
Se a sua declaração pré-preenchida vier com informações diferentes das que constam nos seus informes e comprovantes, a Receita orienta o contribuinte a corrigi-las.
Se possível, entre também em contato com as empresas e profissionais que possam ter prestado aquelas informações incorretas ao Leão, para esclarecer os motivos da divergência ou pedir a retificação das declarações enviadas, a fim de evitar problemas no futuro.
Em caso de informações desconhecidas, a Receita aconselha o contribuinte a excluí-las, dizendo que somente devem ser apresentados dados que o contribuinte de fato possa comprovar.
Conferi a pré-preenchida, fiz as correções e caí na malha fina!
Pode acontecer, porém, de o contribuinte constatar erros e omissões na pré-preenchida, corrigir ou acrescentar os dados de acordo com os seus comprovantes e, mesmo estando tudo certo, ficar com a declaração do imposto de renda 2026 retida na malha fina pouco tempo após sua transmissão ao Fisco.
Isso se deve provavelmente ao fato de a fonte das informações da pré-preenchida ter sido transmitida com erros ou informações faltando — daí as inconsistências iniciais na pré-preenchida.
Outra possibilidade, no caso de informações ausentes na pré-preenchida, é que a fonte ainda não tenha sequer prestado contas ao Leão.
Nesses casos, a própria Receita recomenda o contribuinte a esperar, pois até o fim do prazo, em 29 de maio, as fontes ainda podem prestar contas ou corrigir informações erradas que tenham sido transmitidas anteriormente.
Assim, muitas vezes, a declaração sai da malha fina sozinha, sem que o contribuinte precise tomar alguma providência. Falamos um pouco disso nesta matéria.
Leia também:
- Entregou a declaração com erro ou ficou faltando alguma informação? Veja como retificar
- Caiu na malha fina? Veja como regularizar a situação
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