Corrida do varejo no Brasil: quem ganha e quem fica para trás, segundo o BTG
Com base no desempenho do quarto trimestre de 2025, banco destaca quais empresas conseguiram driblar os juros altos e o consumo fraco no final do ano passado

Os pesos-pesados do varejo já colocaram na mesa os números do quarto trimestre de 2025 — e o recado é claro: o cenário segue apertado.
Na leitura do BTG Pactual, o setor atravessou mais um trimestre desafiador, sem grandes sinais de alívio no fim do ano. A desaceleração que já tinha dado as caras no terceiro trimestre continuou firme até dezembro, como o banco já antecipava.
“As altas taxas de juros continuam a corroer a renda disponível, enquanto o endividamento das famílias, ainda elevado, restringiu o poder de compra. Esse cenário é agravado pela inflação acumulada nos últimos anos, que elevou estruturalmente os níveis de preços e reduziu a acessibilidade real”, diz o BTG.
A partir do terceiro trimeste, essas pressões têm sido mais agudas nas categorias discricionárias com maior exposição ao crédito e aos consumidores de média e baixa renda, de acordo com o banco.
“Com a temporada de resultados praticamente encerrada, podemos afirmar que o quarto trimestre confirmou as tendências (fracas) esperadas, refletindo um cenário mais desafiador para o consumo, com algumas exceções”, afirmam os analistas.
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Destaques do trimestre no varejo
Na visão da equipe de analistas do banco, mais uma vez os resultados de alta qualidade vieram das histórias de crescimento estrutural, com a Smart Fit (SMFT3) e a Track&Field (TFCO4) reforçando o posicionamento de vencedoras de longo prazo no setor.
O BTG destaca que a Smart Fit reportou forte crescimento de receita, impulsionada por uma combinação de expansão de unidades, maior valor médio por transação e aumento da base de membros.
As margens, no entanto, enfrentaram alguma pressão diante da maior concentração de novas aberturas de academias e dos investimentos contínuos no TotalPass.
“Apesar dessas pressões de curto prazo, o crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) permaneceu robusto (+25% a/a), e a empresa continua a demonstrar forte escalabilidade e potencial de geração de caixa no médio prazo”, dizem os analistas.
A Track&Field, por sua vez, apresentou mais um trimestre muito forte, na visão do banco.
Os analistas destacam o crescimento de receita de dois dígitos e expansão significativa das margens, impulsionado em grande parte por um mix de canais mais favorável, incluindo maior contribuição das lojas próprias e royalties.
“Enquanto isso, o Grupo SBF (SBFG3) reportou um quarto trimestre misto, marcado por tendências de melhora na receita líquida, com números sólidos tanto na Centauro quanto na Físia, mas com lucratividade pressionada, prejudicada pela pressão cambial na Físia e por despesas SG&A mais elevadas, bem como um lucro líquido acima do esperado, ajustado por perdas de valor de goodwill não caixa”, diz o banco.
Já no caso da Vivara (VIVA3), o BTG enxerga que a joalheria apresentou resultados fracos entre outubro e dezembro do ano passado, com uma série de ajustes que afetaram a comparabilidade das margens, marcada por uma sólida expansão da receita líquida.
De acordo com os analistas, o balanço refletiu a estratégia mais agressiva para aumentar a participação de mercado. Já o Ebitda e o lucro líquido ficaram abaixo das estimativas devido a menores incentivos fiscais, maiores despesas de vendas e resultados financeiros no período.
Por fim, a Azzas 2154 (AZZA3) registrou uma fraca expansão da receita líquida no trimestre, enquanto o Ebitda ficou ligeiramente acima das estimativas do BTG devido à eficiência das despesas SG&A e o lucro líquido foi impactado positivamente por uma reversão do imposto de renda.
Visão macro
Na visão do BTG Pactual, os resultados do quarto trimestre de 2025 reforçam a ideia de que, embora as condições macroeconômica permaneçam como um ponto de incerteza, a execução específica das empresas e o posicionamento estrutural continuam capazes de impulsionar um desempenho relativamente melhor.
“O setor permanece altamente sensível à trajetória dos juros e à disponibilidade de crédito, o que determinará, em última instância, o ritmo da recuperação do consumo. No entanto, a atual temporada de resultados destaca que empresas bem posicionadas ainda podem apresentar resultados sólidos, mesmo em um ambiente abaixo do ideal”, diz o banco.
Dessa maneira, a leitura é menos sobre o valuation e mais em duas variáveis-chave que estão no centro da atenção dos investidores:
- Perspectivas de queda das taxas de juros reais (e o efeito sobre o crédito/alavancagem das famílias);
- Sustentabilidade dos lucros (exceto para os varejistas farmacêuticos, que o banco espera revisões positivas limitadas).
Em síntese, os analistas do BTG continuam privilegiando empresas de qualidade com fatores de crescimento visíveis e histórico sólido de execução, mantendo a cautela em relação aos nomes cíclicos e alavancados, em que há uma visibilidade limitada.
*Com informações do Money Times
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