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Banco destaca resiliência da Vale frente a outras mineradoras e projeta forte fluxo de caixa, mesmo com pressão de custos
Nem a guerra no Oriente Médio e custos mais altos dos combustíveis parecem suficientes para tirar o posto da Vale (VALE3) de queridinha do mercado. Para o Citi, a mineradora continua sendo uma das poucas apostas “seguras” em um setor conhecido pela volatilidade.
O banco reiterou a recomendação de compra e elevou o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts), negociados em Nova York, de US$ 14 para US$ 18.
A leitura é de que a companhia permanece relativamente blindada — e, mais importante, com uma máquina robusta de geração de caixa à frente, o que pode implicar em mais dividendos para o acionista.
“Mantemos recomendação de compra para a Vale, vendo a ação relativamente protegida em relação à maioria das outras mineradoras”, afirma o Citi, em relatório.
Entre os fatores que jogam a favor da ação, estão seu foco em fluxo de caixa livre, garantido por ativos já em funcionamento, em vez de começar novos projetos do zero (greenfield).
O minério de ferro também parece ser menos suscetível à instabilidade recente do mercado, em relação a metais básicos ou preciosos, diz o banco, embora o aumento do custo de combustível afete a produção e rentabilidade. Entenda melhor adiante.
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Nesta segunda-feira (6), os papéis da Vale operam em leve queda, em um pregão de liquidez reduzida para o minério de ferro, já que a bolsa de Dalian, especializada em commodities, permanece fechada por feriado na China.
Por volta das 14h00 (de Brasília), VALE3 tinha queda de 0,51% no Ibovespa, cotada a R$ 83,12. Enquanto isso, o ADR negociado na Nyse recuava 0,65%, a US$ 16,08.
O Citi atualizou suas estimativas para o primeiro trimestre de 2026, projetando um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 4 bilhões para a Vale — alta anual de 28,4%.
Já a produção deve ficar entre 68 milhões e 69 milhões de toneladas, praticamente estável na comparação anual, com preço realizado de US$ 96 por tonelada.
O problema, segundo os analistas, está do lado dos custos. A expectativa é de alta na comparação trimestral, pressionados por câmbio, combustível e custo de produção. “[A recente alta do petróleo] se refletiria no segundo trimestre e potencialmente aumentaria ao longo do tempo devido a efeitos secundários”, alerta o Citi.
Atualmente, cada alta de US$ 10 no preço do barril da commodity adiciona cerca de US$ 0,90 por tonelada ao custo do minério de ferro da Vale.
Além disso, o conflito no Oriente Médio já começa a gerar efeitos operacionais. A planta de pelotização da Vale em Omã enfrenta interrupções, embora o Citi destaque que a companhia pode compensar parte dessa perda aumentando a produção em Tubarão (ES).
Se o minério de ferro enfrenta um cenário mais desafiador no médio prazo com a guerra, os metais básicos, encabeçados pela subsidiária Vale Base Metals (VBM), surgem como um ponto de apoio.
O banco espera um desempenho sólido nessa divisão, com destaque para o cobre, tanto em volumes quanto em preços. Níquel e subprodutos também devem contribuir positivamente para os resultados.
Vale lembrar que, na semana passada, a Vale informou que a VBM deve se tornar responsável por 30% a 35% do Ebitda total da mineradora a partir de 2035. Para este ano, a projeção é que a subsidiária represente 26% do lucro total do grupo.
O principal pilar da tese do Citi está na capacidade de geração de caixa da Vale.
Para 2027, o banco projeta um Ebitda de US$ 17,2 bilhões (alta de 3%), considerando o minério de ferro a US$ 100 por tonelada. O fluxo de caixa livre (FCF) deve atingir US$ 4,4 bilhões — o equivalente a um retorno (yield) de 6%.
Excluindo pagamentos como indenizações relacionadas a acidentes com barragens, esse número sobe para US$ 7 bilhões, com yield de 10%.
É justamente esse perfil que, na visão do Citi, diferencia a Vale de outras mineradoras globais. Enquanto concorrentes ainda dependem de grandes projetos ainda em construção (greenfield), a empresa brasileira foca em extrair valor dos ativos já existentes — o que reduz riscos e aumenta a previsibilidade.
Mesmo após a recente recuperação no valor dos ADRs, que saíram do patamar dos US$ 13 no final de 2025, para cerca de US$ 16 atualmente, o Citi avalia que a Vale ainda negocia com desconto relevante.
O novo preço-alvo de US$ 18 por ADR considera um múltiplo de 6 vezes EV/Ebitda — indicador que relaciona o valor total da empresa (incluindo dívida) com sua geração operacional de caixa. Essa relação ainda está cerca de 15% abaixo dos pares globais.
Para o banco, esse desconto reflete riscos conhecidos, mas também abre espaço para valorização.
Entretanto, nem tudo são flores. O Citi destaca três principais riscos para a tese:
“Se o impacto desses riscos for maior ou menor do que o estimado, as ações podem não atingir nosso preço-alvo ou podem superá-lo”, dizem os analistas.
Além disso, o banco mantém uma visão mais cautelosa para o minério de ferro no médio prazo e aponta que as operações fora desse segmento ainda entregam retornos abaixo do ideal.
Ainda assim, no balanço geral, a conta fecha a favor do investidor: “No balanço, vemos mais risco de alta do que de baixa aos preços atuais”, pontua o Citi.
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