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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SD ENTREVISTA

“Temos que estar com a guarda alta”, diz diretor do ABC Brasil (ABCB4) após queda no ROE do 1T26

Após um 1T26 pressionado, Ricardo Moura aposta em melhora gradual da rentabilidade — sem abrir mão do conservadorismo

Camille Lima
Camille Lima
7 de maio de 2026
19:55 - atualizado às 9:15
Ricardo Moura, diretor de Relações com Investidores, Estratégia & Business Development do Banco ABC Brasil (ABCB4).
Ricardo Moura, diretor de Relações com Investidores, Estratégia & Business Development do Banco ABC Brasil (ABCB4). - Imagem: Divulgação

O primeiro trimestre ainda nem tinha engatado quando o cenário macroeconômico mudou — e isso impactou diretamente o resultado do Banco ABC Brasil (ABCB4) no 1T26. 

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Para um banco que já convive com a sazonalidade mais fraca do início do ano, 2026 trouxe um componente extra: juros que devem permanecer elevados por mais tempo e um ambiente global mais instável do que o previsto poucos meses antes. 

“É um trimestre mais suave por natureza, mas, desta vez, tivemos fatores adicionais. 2026 começou com uma variável nova: um ambiente global mais incerto e juros que devem ficar altos por mais tempo”, afirmou o diretor de relações com investidores (DRI), estratégia & business development do banco, Ricardo Moura, em entrevista ao Seu Dinheiro.  

A combinação ajuda a explicar um resultado que, embora tecnicamente sólido, ficou aquém do potencial que o próprio banco enxerga para o negócio.  

lucro líquido recorrente chegou a R$ 230,2 milhões no 1T26, crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período de 2025, mas queda de 16,4% na comparação trimestral. 

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Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que há anos ronda a casa dos 15% e 16%, caiu para 13,5%, um recuo de 0,54 ponto percentual (p.p) na base anual e de 2,83 p.p na comparação trimestral. 

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Na visão de Moura, a rentabilidade carrega mais do que apenas a sazonalidade típica do início do ano: embute pressão de crédito, impacto de marcação a mercado e um pano de fundo macro que exige cautela redobrada. 

Ainda assim, na leitura da gestão, o trimestre diz menos sobre uma perda de fôlego estrutural e mais sobre um ponto de partida, com vetores claros de melhora ao longo de 2026. 

“O melhor momento de rentabilidade ainda está por vir”, afirma Moura. 

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Um trimestre mais fraco para o ABC Brasil (ABCB4) 

No ABC Brasil, o primeiro trimestre costuma ser o mais fraco do ano. Menos dias úteis, menor atividade econômica e um ritmo mais lento de negócios fazem parte do padrão histórico. 

Mas, em 2026, houve um ingrediente adicional: a mudança no cenário global. Segundo o diretor, o conflito no Oriente Médio alterou expectativas relevantes, especialmente em relação à trajetória de juros no Brasil.  

A mudança no cenário global — com destaque para o conflito no Oriente Médio — alterou expectativas importantes, especialmente em relação à trajetória de juros no Brasil, segundo o DRI.  

Com isso, o que antes parecia um ciclo mais claro de queda da Selic passou a ser visto como um processo mais lento, gradual e incerto. Isso também sinaliza um ambiente de crédito mais pressionado por mais tempo. 

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“A gente trabalha com queda de juros, mas uma queda mais comedida”, projeta Moura. 

De acordo com o executivo, esse ajuste de cenário tem efeitos diretos sobre o negócio: pressiona o fluxo de caixa das empresas, aumenta o nível de atrasos e eleva o custo do crédito. 

A despesa com provisões passou de 0,5% da carteira no primeiro trimestre de 2025 para 0,8% agora. Ainda assim, houve melhora em relação ao quarto trimestre, quando o índice estava em 0,9%. 

Crescimento com cautela: o avanço da carteira do ABC Brasil 

Mesmo com esse pano de fundo mais apertado, o banco ABC Brasil conseguiu entregar crescimento de carteira de crédito dentro do planejado.  

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A expansão foi de pouco mais de 6,3% em um ano, em linha com o guidance (projeção) do banco, de crescimento entre 6% e 10% em 2026. 

O segmento Middle Market avançou mais de 24% na comparação anual e ganhou participação no portfólio. É um movimento estratégico, mas conduzido com cautela, segundo o diretor. 

“Qualquer aumento de participação do Middle é sempre gradual”, afirma Moura, que relembra que médias empresas tendem a ser mais sensíveis a ciclos de juros altos. 

Por isso, o crescimento vem acompanhado de uma mudança de postura na originação. Colateralização elevada, garantias robustas e estruturas mais seguras passaram a ser prioridade. 

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“A gente está focado em operações com bons colaterais. Esse é o padrão para um ambiente mais defensivo. São níveis que mostram uma carteira bastante protegida”, diz Moura. 

A avaliação do diretor é de que a inadimplência começa a se estabilizar — um “platô”, ainda dependente da trajetória dos juros, mas sem sinais de deterioração mais aguda até o momento. 

ABC Brasil (ABCB4) em busca de um ROE maior 

Para o diretor, o ROE de 13,5% do 1T26 está abaixo do potencial que o banco acredita ser sustentável. “A gente trabalha para níveis maiores do que esse. E já estivemos nesses níveis antes.” 

A melhora ao longo do ano deve vir de três frentes principais: a retomada da atividade após o primeiro trimestre, a queda — ainda que gradual — dos juros e a normalização das receitas de banco de investimento. 

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Além disso, há vetores estruturais em curso, como ganhos de eficiência e diversificação de receitas. 

“São pequenos incrementos que vão se compondo ao longo do tempo”, diz o diretor. 

O que esperar de 2026? Conservadorismo que veio para ficar

Se o plano original do ABC Brasil previa alguma flexibilização na concessão de crédito ao longo de 2026, ele foi recalibrado. 

O banco já operava com uma postura conservadora — e agora prevê manter esse perfil por mais tempo.  

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“O cenário nos fez entender que o cuidado precisa durar mais”, afirma Moura. “O principal risco sempre foi e continua sendo o risco de crédito. Temos que estar sempre com a guarda alta.” 

No ABC Brasil, isso significa uma concessão mais seletiva, com foco em garantias, análise mais rigorosa de alavancagem e atenção redobrada à geração de caixa dos clientes. 

Em um ambiente mais volátil, a estratégia passa também por diversificação de receitas. Produtos como derivativos, que se beneficiam de volatilidade, têm ganhado espaço. Outros, como consórcios, começam a ser explorados como alternativas em um cenário de juros elevados. 

“Não é uma bala de prata”, diz o DRI. “Mas é mais um produto para ampliar nossa grade.” 

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