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Giovanna Figueredo

Giovanna Figueredo

Repórter do Seu Dinheiro com cobertura focada em mercado imobiliário, pequenas e médias empresas e temas ESG. Formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA‑USP).

GIGANTE ASIÁTICO

Tecnologia chinesa no Brasil: como 99, AliExpress e Midea ‘importaram’ a inovação para o mercado nacional

Durante o evento VTEX Day 2026, executivos das empresas explicaram que é necessário fazer adaptações para conquistar o público brasileiro

Giovanna Figueredo
Giovanna Figueredo
16 de abril de 2026
19:05 - atualizado às 19:06
painel vtex day inovação chinesa no brasil
Imagem: Divulgação

A chegada de gigantes chinesas transformou o consumo do mercado brasileiro com inovações tecnológicas, um comércio que atravessa o oceano com alta velocidade na logística. Mas o que exatamente as empresas da China – ou com forte influência do modelo asiático – têm feito nas operações do Brasil?

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Foi justamente essa pergunta que Briza Rocha Bueno, diretora do AliExpress, Mario Sousa, vice-presidente de sales e marketing da Midea, e Simeng Wang, diretor da 99, responderam durante um painel do evento VTEX Day 2026, realizado em São Paulo entre os dias 16 e 17 de abril.

Cabe destacar que as três empresas têm influência asiática nas operações. O Aliexpress e a Midea têm sede na China, enquanto a 99, de origem brasileira, é controlada pela empresa chinesa de tecnologia Didi Chuxing.

Copia, mas não faz igual

Um dos pontos destacados pelos três palestrantes foi que os modelos chineses não funcionam no Brasil sem ajustes. Ou seja, não basta adotar a tecnologia chinesa e as operações no país e acreditar que vai funcionar de forma efetiva.

Na visão do executivo da 99, esse aprendizado foi essencial quando o grupo chinês começou a importar inovação para o país:

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“Trazer tecnologia da China não significa simplesmente replicar o que funciona lá. O Brasil precisa de times locais, de leitura regional e de soluções adaptadas à realidade de cada cidade”, explica Wang.

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Um exemplo dessa adaptação é o Aliexpress. A diretora da plataforma explica que os vendedores brasileiros e os chineses têm perfis diferentes. Enquanto o seller nacional gosta de cadastrar os produtos na plataforma e já começar a vender, o chinês gosta de personalizar o negócio.

Entender essas diferenças é fundamental e pode ser usada de maneira complementar. “O que os sellers chineses podem trazer para o e-commerce brasileiro é o jeito de inovar, usar tecnologia e criar novas funcionalidades para o processo de compra”, destaca.

Super app: o que é?

Uma discussão que também paira sobre a influência chinesa é a criação dos super apps, plataformas que concentram diversas funcionalidades em um único local. Na China, o conceito já bastante comum. Porém, no Brasil, ainda é uma iniciativa que engatinha.

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Segundo uma pesquisa feita pela 99 com o Datafolha, o consumidor brasileiro ainda não reconhece oficialmente nenhum aplicativo como super app, mas os sinais de interesse são claros.

Mobilidade, entrega de comida, mercado, farmácia e serviços financeiros aparecem como os serviços mais desejados pelos clientes em um único aplicativo. E é justamente isso que a 99 vem tentando adotar com a plataforma que reúne motoristas, entregadores e consumidores, como explica o diretor da companhia.

AliExpress e sua escala algorítmica

O AliExpress explica que, para manter o comércio de altíssima escala, usa os algoritmos como grandes aliados.

A diretora afirma que mais de 99% da curadoria do marketplace é feita por algoritmos e inteligência artificial, que analisam não apenas o comportamento individual do usuário, mas padrões coletivos de consumo.

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Esses dados são importantes para ajustar as expectativas de demanda da companhia: “Imagina que importamos produtos da China para o Brasil em poucos dias. Há toda uma logística porque os dois países são continentais. A gente conta muito com a ajuda da tecnologia para ajudar na previsão de demanda desses produtos”, explica.

Midea: tecnologia chinesa, mas fabricação brasileira

Um fator mencionado pela Midea, fabricante de eletrodomésticos, foi a necessidade de ter uma produção local, mesmo importando a inovação chinesa. Segundo Sousa, a fabricação no Brasil é fundamental tanto do ponto de vista financeiro quanto de operações.

“Existem incentivos fiscais, redução de impostos de importação e, principalmente, mais agilidade para responder à demanda. Ainda importamos bastante, mas produzir localmente reduz riscos cambiais, logísticos e acelera a resposta ao mercado”, explica.

No campo da inovação, a empresa destaca eletrodomésticos inteligentes, como ar-condicionado que aprende padrões de sono, lavadoras que ajustam ciclos automaticamente e aplicativos que integram toda a casa.

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