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Grupo expandiu rápido, diversificou negócios e atraiu investidores com promessas ambiciosas. Mas afirma que não resistiu ao efeito dominó da crise do Banco Master
O Grupo Fictor entrou em 2025 parecendo estar no auge. A marca estampava o uniforme do Palmeiras, sua subsidiária estava listada na B3 sob o ticker FICT3 e a empresa emitia cartões de crédito premium com a bandeira American Express. Era o retrato de uma holding que queria ser grande.
Em discursos com investidores, a Fictor falava em planos ambiciosos de entrar para o clube das dez maiores potências de proteína animal do Brasil até 2030.
Pouco mais de um ano depois, o conglomerado passou a aparecer nos noticiários por outros motivos: atrasos de pagamentos de sócios e, em 1º de fevereiro de 2026, um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
A empresa sustenta a visão de que a crise não foi fruto de uma implosão operacional. Foi, segundo ela, um colapso de confiança — um efeito dominó que começou fora da Fictor e terminou travando o caixa, assustando investidores e empurrando o grupo para a busca de uma proteção na Justiça.
O gatilho, de acordo com a própria companhia, veio do caso Banco Master.
A história da Fictor começa em 2007. À época, era uma empresa de base focada na prestação de serviços operacionais e tecnológicos. Durante quase uma década, cresceu de forma discreta, até decidir acelerar.
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A partir de 2016, a holding iniciou um processo agressivo de diversificação. Entrou no mercado de commodities agrícolas em 2018 e, na sequência, avançou para áreas como infraestrutura, energia e setor imobiliário.
Em 2021, o grupo já administrava cerca de dez empresas em diferentes frentes de atuação. Mas foi na Fictor Alimentos que encontrou seu principal motor de crescimento.
No mercado financeiro, a consolidação veio com um IPO reverso com a aquisição da Atom Participações, empresa de educação financeira, em 2024. A empresa passou a se chamar Fictor Alimentos (FICT3).
Além da divisão de alimentos, o grupo lançou em 2024 a FictorPay, sua aposta no segmento de tecnologia financeira. No ano seguinte, porém, a fintech sofreu um ataque hacker milionário, adicionando um novo foco de tensão à estrutura do grupo.
Em março de 2025, o grupo deu mais um passo em busca dos holofotes. Fechou um contrato de patrocínio de três anos com o Palmeiras, no valor de R$ 30 milhões por ano, passando a estampar a marca da Fictor na frente e nas costas das camisas dos jogadores.
Ao se apresentar ao mercado, a Fictor se vendia como um ecossistema de investimentos diversificado e sustentável.
Nos segmentos imobiliário e de energia, as promessas eram robustas. Projetos de condomínios residenciais e fazendas solares projetavam, juntos, receitas futuras superiores a R$ 1,8 bilhão.
Para financiar essa expansão, a empresa lançou mão de um modelo bastante utilizado no agronegócio: as Sociedades em Conta de Participação (SCPs). Por meio delas, captou cerca de R$ 3 bilhões com investidores privados para projetos agroindustriais específicos.
O castelo começou a balançar em novembro de 2025. Foi quando a Fictor anunciou a compra do Banco Master por R$ 3 bilhões — um movimento que surpreendeu o mercado, tanto pelo tamanho da operação por uma holding pouco conhecida no mercado, quanto pelo fato de a instituição financeira atravessar sérios problemas.
Um dia depois do anúncio, o Master virou alvo de uma operação da Polícia Federal. O controlador, Daniel Vorcaro, foi preso. Na sequência, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
Embora a Fictor alegasse ser apenas uma potencial compradora, a associação foi imediata: manchetes destacaram suspeitas envolvendo o caso Master.
“A tentativa de aquisição passou a ser retratada como parte de uma sucessão de movimentos desesperados para evitar a intervenção regulatória”, diz a Fictor em seu pedido de recuperação.
“O nome da Fictor já se encontrava amplamente exposto em um ambiente de intensa crítica midiática, associado ao colapso do Banco Master, a especulações levantadas por investigadores e a análises que colocavam em dúvida a legitimidade e a viabilidade da operação anunciada”, acrescentou.
A empresa chama isso de “contaminação reputacional externa”. No pedido de recuperação judicial, o grupo resume assim a situação financeira:
"Os desdobramentos do caso Banco Master desencadearam um efeito em cadeia sobre a Fictor, marcado por perda de confiança, exposição negativa contínua, retração de parceiros, corrida por retiradas e o consequente impacto direto no fluxo de caixa operacional da empresa, exigindo ajustes emergenciais de liquidez e reestruturação operacional como um todo. Ainda que a companhia tenha reiterado a solidez de seus ativos, os efeitos reputacionais se converteram em dificuldades operacionais concretas.”
No entanto, segundo apuração da revista Piauí, a Fictor já estaria sob investigação desde 2023 em um inquérito sigiloso da Polícia Federal por “possível crime contra o sistema financeiro nacional”.
Além disso, o grupo também estaria na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por suposta venda irregular de investimentos e práticas consideradas duvidosas no mercado de capitais.
Não demorou para que reclamações sobre a Fictor inundassem redes sociais e plataformas como o ReclameAqui, com atrasos nos pagamentos de investidores.
Em janeiro de 2026, a holding tentou conter o estrago. Em comunicado, reconheceu que “enfrentava um momento atípico de mercado” e admitiu atrasos nos resgates, mas reforçou que não estava insolvente — apenas enfrentava uma crise de imagem. Não colou.
O que se seguiu foi, na prática, uma espécie de corrida bancária, com pedidos de resgates em massa. Segundo o pedido de recuperação judicial, as solicitações de retirada chegaram a 71,38% de todo o capital aportado nas SCPs.
Até novembro de 2025, a Fictor havia recebido cerca de R$ 3 bilhões por esse modelo. Em poucas semanas, boa parte desse dinheiro tentou sair ao mesmo tempo.

Sobre os contratos de SCP, a Fictor alega que “o pilar de todas as relações era justamente a confiança”. Porém, em meio à instabilidade e choque reputacional, esse pilar “se fragiliza e os pedidos de retirada das sociedades ultrapassam os parâmetros considerados como sendo corriqueiros”, escreveu a empresa, no pedido de RJ.
Em paralelo, bancos parceiros cortaram linhas de crédito, contratos comerciais foram revistos ou encerrados, operações ficaram comprometidas e ativos estratégicos precisaram ser colocados à venda para recompor caixa.
Como se não bastasse, uma disputa judicial com a Orbitall — responsável pelo processamento de cartões da FictorPay — resultou no bloqueio de R$ 150 milhões nas contas do grupo, travando fluxos operacionais da empresa.
Investidores das SCPs, temendo não receber, passaram a ingressar com ações judiciais que, segundo a empresa, já somam mais de R$ 800 mil.
Na bolsa, o reflexo foi imediato. As ações da Fictor Alimentos (FICT3) despencaram cerca de 80% em poucos meses. Hoje, caem outros 30%.
Diante da escalada da crise, a Fictor optou por buscar proteção contra os credores. Ontem, entrou com um pedido de recuperação judicial no valor de R$ 4,25 bilhões.
O objetivo central é ganhar tempo. Ao acionar o mecanismo, a empresa busca o chamado stay period — a suspensão das execuções por 180 dias — para evitar o esvaziamento do patrimônio por “bloqueios judiciais e decisões pulverizadas”.
A estratégia da defesa é isolar a holding e a Fictor Invest do restante do grupo, preservando as operações consideradas saudáveis. A Fictor Alimentos, responsável por cerca de 87% da receita, ficou fora do pedido principal justamente para continuar operando e sustentar o pagamento dos credores no futuro, segundo a Fictor.
No documento enviado à Justiça, a empresa insiste que é operacionalmente viável e que não há problema patrimonial.
A Fictor diz ainda que a saída da crise é “plenamente possível” e que, passada a reestruturação, o grupo “voltará a crescer e o endividamento se transformará em algo pequeno, frente às capacidades do grupo”.
“O Grupo possui conhecimento organizacional e técnico, bem como vasta cadeia de relacionamentos e contratos já consolidada com seus stakeholders, os quais, aliados às condições do procedimento recuperacional, serão suficientes para transpor a crise.”
Procurada pelo Seu Dinheiro, a assessoria da Fictor informou que não se manifestaria além da nota ao mercado.
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