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Para os analistas, o valuation subiu, mas nem todos os bancos entregam rentabilidade para sustentar a alta
Enquanto o Ibovespa renova recordes quase diariamente, encontrar pechinchas no setor financeiro se tornou uma missão mais complexa. Neste início de ano, o fluxo estrangeiro forte empurrou para cima praticamente todas as ações da bolsa.
O dinheiro voltou e os preços subiram. O problema é que, em muitos casos, os lucros não acompanharam o ritmo da alta.
O resultado é um mercado em que os valuations já não gritam “oportunidade” como antes. Os grandes bancos, por exemplo, hoje negociam levemente acima das médias dos últimos cinco anos.
Para o Itaú BBA, isso não significa que a festa acabou — mas indica que a corrida entrou em uma fase mais seletiva. Nem todo papel tem fôlego para seguir avançando.
No curto prazo, o fluxo pode continuar sustentando a alta. Mas, se o humor virar em um cenário de eventual correção dos preços, alguns tendem a sofrer bem mais do que outros: a conta tende a cair primeiro sobre quem tem menos sustentação de resultados.
À primeira vista, o Banco do Brasil (BBAS3) não parece caro. O papel negocia hoje a múltiplos de preço sobre valor patrimonial (P/VPA) próximos da média histórica.
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O problema, segundo o Itaú BBA, está no outro lado da equação: a rentabilidade.
Para 2026, os analistas projetam um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) cerca de 8 pontos percentuais abaixo da média histórica do banco. Isso significa que o mercado precifica o BB como se ele fosse entregar uma rentabilidade que, ao menos por agora, não está no horizonte.
Em um eventual ajuste puxado por fluxo — e não por uma deterioração dos fundamentos —, o Banco do Brasil tende a ser o mais penalizado entre os grandes bancos, na avaliação do banco.
Entre os incumbentes, o Bradesco (BBDC4) é o principal destaque positivo. É o único grande banco coberto pelo Itaú BBA cuja projeção de rentabilidade para 2026 supera bastante a média dos últimos cinco anos.
O Santander Brasil (SANB11), por sua vez, ocupa uma posição intermediária. O ROE esperado está em linha com o histórico, mas os múltiplos já estão acima da média. Em outras palavras, não é caro demais, nem exatamente uma barganha, segundo os analistas.
No universo dos bancos digitais, o Nubank (ROXO34) chama atenção justamente por ter comido poeira em meio ao rali do setor.
“O Nubank ficou para trás na alta deste ano e ainda parece uma boa opção dentro do setor”, afirmam os analistas do Itaú BBA.
Tanto Nubank quanto Inter negociam hoje próximos às médias históricas de valuation. A diferença em relação aos bancos tradicionais está na rentabilidade: ROEs significativamente mais elevados, ainda que com crescimento de lucros mais moderado.
No caso do Nubank, essa combinação resulta em um dos perfis mais equilibrados do setor neste momento, na visão dos analistas.
Sem exageros nos múltiplos, com rentabilidade robusta e um histórico consistente de execução, o banco digital aparece como uma porta de entrada mais confortável para quem quer exposição ao setor financeiro, sem correr atrás de ações que já esticaram demais.
Entre os nomes ligados a mercados de capitais, o Itaú BBA mantém preferência por BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3).
O BTG negocia a cerca de 12 vezes o lucro — pouco acima da média de cinco anos (11,5 vezes), mas distante dos picos históricos, de 18 vezes.
Além disso, reúne o melhor histórico de resultados considerando lucros passados, projeções e revisões, segundo os analistas.
Já a B3 ainda negocia abaixo da média histórica, a cerca de 14 vezes o lucro futuro. Embora mais próxima desse patamar do que no ano passado, a empresa pode encontrar suporte adicional caso o impulso macroeconômico continue, abrindo espaço para um novo ciclo de valorização, segundo os analistas
“Se o impulso macroeconômico continuar, isso pode servir como suporte para um novo re-rating”, apontam os analistas.
Na avaliação dos analistas, BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3) estão sendo negociadas acima de suas médias históricas de valuation, enquanto estão próximas dos menores níveis de crescimento de lucros dos últimos cinco anos. Para o Itaú BBA, esse é o subsegmento mais vulnerável em caso de correção.
Do lado das empresas de maquininhas, a dLocal aparece como exceção: negocia com desconto em relação à média histórica e apresenta crescimento de lucros levemente superior aos anteriores, de acordo com os analistas.
“Com melhores resultados e um desconto maior em relação ao histórico, a dLocal pode ser uma candidata mais adequada para adicionar exposição a beta [maior sensibilidade a movimentos de mercado] do que as adquirentes locais.”
Apesar dos alertas, o Itaú BBA segue construtivo com o setor financeiro como um todo. O potencial de valorização ficou mais limitado, mas as preferências continuam sustentadas por qualidade, previsibilidade e resultados.
“Seguimos focados em qualidade e resultados; não há necessidade de inventar moda”, disse o BBA.
Entre os bancos, Nubank e Bradesco seguem como as principais escolhas. Em mercados de capitais, BTG e B3 continuam no topo da lista. São os nomes com maior capacidade de sustentar ganhos — e atravessar uma eventual correção com menos arranhões.
“Dada a ausência de mudanças fundamentais, acreditamos que é arriscado — ou taticamente tarde demais — perseguir ações de maior valor relativo, como XP, Banco do Brasil e adquirentes”, afirmam os analistas.
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