CBA (CBAV3) muda de controle, terá OPA e pode deixar a bolsa após venda bilionária para gigantes do alumínio
Chalco e Rio Tinto fecham acordo de R$ 4,7 bilhões com o grupo Votorantim e avaliam fechar o capital da companhia de alumínio

Poucos dias após virar protagonista na bolsa, em meio a rumores de venda que fizeram as ações dispararem, a CBA (CBAV3) agora caminha para, de fato, trocar de dono.
O controle da produtora brasileira de alumínio vai sair das mãos do grupo Votorantim e passar para um consórcio formado por dois pesos-pesados globais do setor, a chinesa Aluminum Corporation of China Limited (Chalco) e a anglo-australiana Rio Tinto.
Atualmente, cerca de 69% do capital da CBA está nas mãos do conglomerado brasileiro Votorantim.
Com a operação, os novos sócios vão adquirir 446.606.615 ações CBAV3. Cada papel foi negociado a R$ 10,50, o que leva o valor da transação a R$ 4,69 bilhões.
As ações da empresa brasileira mais que dobraram nos últimos 12 meses, com valorização de 113%, elevando sua capitalização de mercado para R$ 6,7 bilhões, de acordo com dados do TradingView.
Como fica a CBA (CBVA3) após a venda?
O acordo prevê a criação de uma joint venture no Brasil que ficará com as ações adquiridas. Essa nova empresa será controlada pela Chalco, que deterá 67% do capital, enquanto a Rio Tinto ficará com os 33% restantes.
Leia Também
Devido à mudança de controle, os novos acionistas serão obrigados a lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações em circulação, oferecendo aos minoritários o mesmo preço pago ao antigo controlador.
Segundo o fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Chalco e a Rio Tinto sinalizaram a intenção de cancelar o registro da companhia como empresa aberta.
Na prática, isso significa que a empresa pode deixar a bolsa brasileira, se os novos controladores levarem os planos adiante.
Mas essa estratégia poderá ser reavaliada após a conclusão da operação, segundo o comunicado.
Outros detalhes da venda
O pagamento será realizado na data de fechamento da operação. O preço, no entanto, ainda pode sofrer ajustes.
Como toda transação desse porte, o acordo ainda depende de uma série de aprovações regulatórias.
Entre elas, o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de autoridades antitruste da China, Alemanha, Coreia do Sul e Uruguai.
Também serão necessárias autorizações de órgãos do setor elétrico brasileiro, como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), além de órgãos reguladores da própria China.
Quem são os novos donos da CBA?
Do lado comprador, os novos sócios não são novatos. Nem de longe.
A Chalco integra um dos maiores grupos de alumínio do mundo, com presença em mais de 50 países e atuação ao longo de toda a cadeia produtiva do metal, da mineração à transformação.
A companhia também se destaca pela escala operacional, robustez financeira e experiência na execução de projetos de grande porte nos setores de metais e mineração.
Já a Rio Tinto é um nome histórico da indústria global de recursos naturais. Com mais de 150 anos de atuação e operações em 35 países, o grupo é líder na produção de minério de ferro, cobre, alumínio e minerais considerados críticos para a nova economia.
A entrada desses dois gigantes no controle da CBA abre um novo ciclo para a produtora brasileira — agora sob o comando de acionistas com alcance global, musculatura financeira e ambições alinhadas à consolidação do setor em escala internacional.
Segundo a Reuters, o investimento está em linha com a estratégia da Rio Tinto de priorizar o alumínio de baixo carbono, um segmento que tende a ganhar tração com o avanço das políticas públicas voltadas à transição energética.
O que dizem os analistas?
Para o UBS BB, dado que a operação embutiu um prêmio de apenas 1,5% em relação ao preço de fechamento de hoje, isso torna a operação neutra do ponto de vista da tese de investimento em ações.
"A governança corporativa da CBA assegura o direito de tag along aos acionistas minoritários, de modo que esperamos que a ação seja deslistada da bolsa brasileira em breve, menos de cinco anos após o IPO", avaliam os analistas.
Na avaliação do Santander, um ponto relevante da transação é o potencial de investimento no projeto de bauxita Rondon, localizado no estado do Pará, no futuro.
Segundo os documentos do IPO da CBA, em 2021, o projeto deve ter capacidade de produção de 4,5 milhões de toneladas por ano, com um investimento (capex) de US$ 2,0 bilhões, além da possibilidade de expansão.
"Em nossa avaliação, sua localização estratégica aumenta ainda mais a atratividade, dada a proximidade com a Estrada de Ferro Carajás", avaliam os analistas do Santander.
Após o anúncio da transação, o Bank of America (BofA) mudou a recomendação para as açõe da CBA de compra para "sem rating", dado que as ações não devem mais negociar em linha com os fundamentos, segundo os analistas.
VAI PINGAR
Dividendos e JCPs: Sabesp (SBSP3) vai depositar R$ 2,6 bilhões — e ainda dá para aproveitar
5 de novembro de 2026 - 19:58BALANÇO 3T26
Fleury (FLRY3): Lucro cresce 42,9% no 3T26 e bate expectativa; CEO detalha planos para sustentar o crescimento
5 de novembro de 2026 - 18:11SD ENTREVISTA
“A arte está em saber quem merece crédito”: o recado do ABC Brasil (ABCB4) para empresas em meio à pressão dos juros
5 de novembro de 2026 - 16:31É DINHEIRO OU NÃO É?
Após OPA da Helbor (HBOR3), HBR Realty (HBRE3) vende ativos a FII por quase R$ 1 bilhão; ações sobem 6%
5 de novembro de 2026 - 14:18ENTROU EM PROMOÇÃO?
Ações com desconto? Queda de 9% é oportunidade para Méliuz (CASH3) após balanço, segundo dois bancões; entenda
5 de novembro de 2026 - 14:18EMPRESAS
Cosan (CSAN3) está barata demais? UBS-BB vê oportunidade após tombo de 40% e aponta o que pode destravar valor
5 de novembro de 2026 - 13:58O QUE AGRADOU?
Ação da C&A (CEAB3) dispara até 10% após trimestre melhor do que o temido pelo mercado; veja os destaques
5 de novembro de 2026 - 13:25ONDE INVESTIR NO VAREJO?
Juros mais altos por mais tempo: Citi rebaixa Magazine Luiza (MGLU3), eleva Alpargatas (ALPA4) e muda apostas no varejo
4 de novembro de 2026 - 14:45AMBIÇÃO RENOVADA
Revolut chega a US$ 115 bilhões e já vale mais que o dobro do Nubank; o que está por trás da aposta dos investidores
4 de novembro de 2026 - 12:35CENÁRIO MAIS APERTADO
“É preciso ser realista”: CEO do Itaú (ITUB4) revela como o banco pretende equilibrar crédito e rentabilidade em 2027
4 de novembro de 2026 - 11:56MAIS UMA PARA A LISTA
Aeris (AERI3) recorre à recuperação extrajudicial para lidar com dívida de R$ 1,52 bilhão
4 de novembro de 2026 - 10:06PECHINCHA ENTRE OS BANCÕES
Nem na crise de 2016 o Bradesco (BBDC4) ficou tão barato: o que o Morgan Stanley está vendo após o tombo de quase 40% desde as eleições
4 de novembro de 2026 - 8:56RESULTADO
Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com o esperado; veja o que pesou no balanço
3 de novembro de 2026 - 18:37CAIU DEMAIS?
Nubank (NU): XP vê duas cartas na manga para roxinho; saiba o potencial da ação
3 de novembro de 2026 - 17:47PRÉVIA DO BALANÇO
Após decepção dos rivais no 3T26, é a vez de o Itaú (ITUB4) mostrar por que joga em outra liga; veja o que esperar do balanço
3 de novembro de 2026 - 6:02ALÔ, É UM SER HUMANO?
Fim da secretária eletrônica? Empresas terão de oferecer atendimento humano obrigatório no SAC; veja o que muda
2 de novembro de 2026 - 14:00O TEMPO FECHOU
Chilli Beans vê o sol se esconder: rede de óculos escuros pede recuperação extrajudicial; entenda os próximos passos da empresa
1 de novembro de 2026 - 10:35TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA
Nada de dividendos extras: Vale (VALE3) descarta possibilidade, mas CFO revela alternativa que pode agradar acionista
31 de outubro de 2026 - 16:11REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) será dividida em duas empresas listadas em bolsa e aprova aumento de capital de R$ 39,8 bilhões
30 de outubro de 2026 - 19:00PROTEÇÃO ATIVADA