Empreendedor deixa para trás um histórico de 65 cartões estourados e gera bilhões para sua família
Sem caixa nos anos 1990, Ravinder Sajwan bancou startups no crédito. Décadas depois, está por trás da UltraGreen, empresa de tecnologia médica que levantou US$ 400 milhões no maior IPO primário de Singapura fora do setor imobiliário em oito anos

Se você acha que sua fatura de janeiro está bem gorda depois das festas de fim de ano, precisa conhecer a história deste empreendedor que já levou o cartão de crédito ao limite e (bastante) além… várias vezes.
Ravinder Sajwan, que hoje dirige uma companhia de tecnologia médica, a UltraGreen.ai, começou a vida empresarial na base do improviso na década de 1990.
Sem dinheiro para investir em suas startups, a tática do empreendedor era um tanto controversa: estourava o limite do cartão de crédito, pedia desculpas à operadora e tentava a sorte com mais um, repetindo o ciclo. Ele fez isso tantas vezes que chegou a estourar o limite de 65 cartões de crédito, segundo uma reportagem da Bloomberg.
Ao relembrar o início da trajetória empresarial, Sajwan resume o cenário sem rodeios: “não tinha dinheiro”.
Empreendendo sem mais improvisos?
Hoje, no entanto, o improviso ficou para trás — principalmente depois da estreia da UltraGreen.ai na bolsa de Singapura, em uma abertura de capital de US$ 400 milhões.
Essa foi a maior oferta pública inicial primária da cidade-Estado fora do setor imobiliário em oito anos e consolidou a guinada definitiva na trajetória do executivo.
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A UltraGreen atua em um nicho crítico da medicina: vende um corante fluorescente que, combinado a uma câmera portátil, permite aos cirurgiões visualizar o fluxo sanguíneo em tempo real durante procedimentos.
Após mudar de estratégia e integrar tecnologia, distribuição e software, a empresa conquistou posição dominante no mercado e hoje detém cerca de 85% de participação nos Estados Unidos, mesmo após reajustes expressivos de preços nos últimos dois anos.
O empreendedor virou bilionário “indireto”?
O negócio colocou Sajwan no clube dos bilionários — ainda que de forma indireta.
Documentos corporativos analisados pelo Bloomberg Billionaires Index indicam que a família controla a UltraGreen por meio da Renew Group, holding sediada em Singapura que concentra mais de 60% do capital da companhia. Só essa participação é avaliada em cerca de US$ 1,2 bilhão.
Apesar de comandar a operação, Sajwan não aparece como acionista direto da UltraGreen, segundo os registros societários.
O controle econômico da participação está concentrado em sua irmã, Indu Rawat, e no marido dela, Mahipal Singh Rawat, apontados como beneficiários finais da fortuna por meio de uma estrutura pouco conhecida, o The Saul Trust. A entidade investe globalmente via a Renew Group, holding sediada em Singapura da qual Sajwan é CEO.
A trajetória do executivo
Sajwan, de 64 anos, nasceu em Nova Délhi, a Índia, e construiu uma trajetória marcada por mudanças de foco.
Começou no setor de tecnologia nos anos 1990, com startups de hardware que acabaram vendidas, passou pelo mercado de bebidas energéticas — com participação na 5-Hour Energy — e, mais recentemente, migrou para a área de saúde, onde consolidou seu maior acerto com a UltraGreen.
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