Oncoclínicas (ONCO3) dobra prejuízo para R$ 1,5 bilhão no 4T25, e auditoria cita “incerteza” sobre continuidade da operação
A empresa vem passando por um momento de reestruturação, decorrente de uma pressão financeira que a levou a recalcular a rota e buscar retomar o seu core business

Depois de atraso na divulgação dos seus números, a Oncoclínicas (ONCO3) anunciou que dobrou seu prejuízo. Ela registrou perdas líquidas de R$ 1,51 bilhão no quarto trimestre de 2025, ante um prejuízo de R$ 759 milhões no mesmo período de 2024.
As informações foram divulgadas na noite desta quinta (9), 10 dias após a previsão inicial de apresentação dos dados financeiros.
A auditoria chama a atenção para a situação financeira da companhia. Conforme reportado pelos auditores independentes, a empresa de tratamentos tem capital circulante líquido negativo em R$ 2,3 milhões.
Esses eventos "indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da entidade", diz a auditoria.
Por que a Oncoclínicas tem caixa líquido negativo
O caixa circulante líquido negativo é decorrente, primordialmente, do descumprimento de cláusulas financeiras (covenants) em contratos de financiamento.
Ou seja, para manter certas dívidas, a empresa precisa manter uma relação saudável entre dívida líquida e Ebitda, previamente estabelecida em 3,5 vezes.
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Como ela descumpriu essa cláusula, suas dívidas de longo prazo foram reclassificadas para passivo circulante (dívidas de curto prazo), já que credores podem pedir o vencimento antecipado dessas obrigações.
No entanto, o vice-presidente financeiro e de relações com investidores, Marcel Cecchi, disse que ainda não houve nenhum pedido de adiantamento.
Em teleconferência, ele disse que já há negociações com credores para a quebra dessas obrigações, além de acordos para não pedirem o adiantamento do vencimento da dívida. Algumas dessas dispensas já foram obtidas, disse ele.
Outros dois eventos afetaram o seu fluxo de caixa no ano. A inadimplência da Unimed FERJ custou R$ 864,9 milhões, contabilizada integralmente no 3T25, e a empresa perdeu R$ 431 milhões relacionados aos depósitos mantidos no Banco Master.
A crise na Oncoclínicas
A Oncoclínicas vem passando por um momento de reestruturação, decorrente de uma pressão financeira que levou a companhia de tratamentos oncológicos a recalcular a rota e buscar retomar o seu core business. Na última semana, inclusive, a companhia anunciou que está em discussões com seus credores financeiros.
Em mensagem ao mercado, a administração da Oncoclínicas afirma que a empresa “vem enfrentando um cenário adverso no âmbito operacional que fez com que a administração tomasse medidas em relação à sua operação para endereçar estes desafios”.
A situação da empresa está tão apertada que afeta o seu capital de giro líquido, para manter a operação.
As contas a receber demoraram 93 dias a cair no quarto trimestre. Os estoques têm uma duração média de 19 dias.
A média de contas a pagar é de 111 dias, um alívio, já que a empresa conseguiu renegociar prazos com um dos seus principais fornecedores de medicamentos, diz o CFO. Ou seja, considerando todos esses prazos, ela tem capital de giro líquido de apenas um dia.
A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024.
A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.
Aportes de acionistas e novos negócios
Recentemente, a companhia anunciou que seu acionista MAK Capital Fund LP está interessado em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões. Na visão do JP Morgan, a proposta é mais uma evidência da necessidade de capital de curto prazo da companhia.
A proposta, no entanto, não é a única na mesa, uma vez que a Oncoclínicas e a Porto firmaram um term sheet (termo de natureza preliminar e não vinculante) para negociar a potencial constituição de uma nova empresa, em meio à pressão financeira que a rede de serviços oncológicos enfrenta.
O Fleury também entrou na jogada, tendo aderido ao termo de compromisso não vinculante originalmente assinado pelas outras duas.
Com Money Times
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