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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DIFÍCIL DE RECLAMAR?

O novo normal do BTG Pactual: o que o CEO prevê por trás do guidance de rentabilidade — e quais as alavancas de crescimento para 2026

Resultado do quarto trimestre fecha uma sequência de trimestres recordes e reforça a mensagem do banco: a rentabilidade elevada veio para ficar

Camille Lima
Camille Lima
9 de fevereiro de 2026
17:47 - atualizado às 17:58
Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual
Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual - Imagem: Reprodução redes sociais

Entregar uma rentabilidade acima de 20% é um feito cobiçado no setor bancário. No BTG Pactual (BPAC11), já se tornou rotina. No quarto trimestre de 2025, o banco voltou a elevar a régua ao entregar uma rentabilidade de 27,6%. 

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A performance coroou uma sequência de resultados fortes e voltou a colocar o banco à frente dos principais concorrentes privados, incluindo o Itaú. 

“É um nível de rentabilidade que nos deixa bastante confortáveis”, afirmou o CEO, Roberto Sallouti, durante a teleconferência com analistas após a divulgação do balanço.  

Na divulgação do resultado, o banco inclusive decidiu traçar um guidance (projeção) para o “novo normal” da rentabilidade: “Seguimos bem-posicionados para sustentar ROAE acima de 25%”. 

“Sabemos que queremos sempre ser conservadores com nossos guidances para deixar espaço para a volatilidade do mercado, mudanças de cenário e até algumas frustrações com nossas estratégias”, disse o CEO. 

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Em outras palavras: o banco prefere prometer menos do que pode entregar — mesmo partindo de um patamar já elevado. 

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Veja os principais destaques do balanço do BTG Pactual (BPAC11) no 4T25: 

Indicador Resultado 4T25 Projeções Variação (a/a) Evolução (t/t) 
Lucro líquido R$ 4,59 bilhões R$ 4,67 bilhões +40,3%  + 1,1% 
ROAE 27,6% 27,6% +4,6 p.p. -0,5 p.p 
Receita total R$ 9,09 bilhões —  +35,3%   +3,2% 
Carteira de crédito total R$ 262,3 bilhões —  +18,3%  +6,2% 

Fonte: Balanço enviado à CVM, consenso Bloomberg e média de projeções compiladas pelo Seu Dinheiro. 

Por trás desse desempenho, não há um único motor puxando os resultados. O próprio BTG fez questão de reforçar que o avanço foi disseminado pelas diferentes frentes de negócio, sem depender de uma alavanca específica. 

“Não houve efeito particular de nenhuma linha específica. O crescimento foi bem distribuído, com expansão da base de clientes, aumento da receita de serviços, mais produtos e oportunidades de expansão geográfica”, afirmou o diretor financeiro (CFO), Renato Hermann Cohn, em entrevista coletiva com jornalistas. 

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A leitura do mercado: difícil reclamar de um ROE de 27,6% 

Entre analistas, o diagnóstico é praticamente unânime: o resultado foi forte.  

Para o BB Investimentos (BB-BI), o BTG entregou “mais um trimestre muito sólido”, sustentado por um modelo diversificado, escalável e capaz de atravessar tanto períodos adversos quanto momentos mais construtivos do mercado. 

“Mesmo em um ambiente volátil e com juros elevados, o BTG seguiu entregando forte crescimento orgânico, recorde de captação líquida e expansão do patrimônio tangível, criando um ponto de partida robusto para 2026”, avalia o BB-BI. 

A avaliação do BB-BI é que a diversificação seguirá como o principal trunfo competitivo do BTG — um desenho que permite ao banco continuar entregando resultados robustos mesmo em cenários adversos e, ao mesmo tempo, capturar um potencial expressivo quando o ambiente se torna mais favorável. 

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É essa combinação que sustenta a “fórmula” do BTG para ganhar dinheiro em praticamente todos os ciclos de mercado. 

O JP Morgan segue uma linha parecida. Embora classifique o resultado como “em linha”, o banco norte-americano foi direto: “é difícil reclamar de um trimestre com ROE de 27,6%”. Para os analistas, 2025 foi um ano excepcional para o BTG. 

Já o Itaú BBA vai além e vê no guidance de ROEs sustentáveis acima de 25% um sinal de novo patamar estrutural de rentabilidade — algo de 2 a 3 pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos. 

“Embora isso não necessariamente gere revisões positivas para 2026, reforça a tese de alta rentabilidade de longo prazo”, afirmaram os analistas. 

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Quanto mais alto, mais difícil ir além 

Com tantos elogios, a cautela aparece justamente no ponto mais óbvio: o ROE já está muito alto. E quanto mais elevado o patamar, mais difícil é seguir avançando. 

“Não vemos sinais de esgotamento, mas esse é um tema para acompanhar trimestre a trimestre, especialmente diante do novo mix de receitas e do ritmo de crescimento que o banco será capaz de sustentar”, dizem os analistas do BB-BI. 

A leitura conversa com o tom da própria administração. Cohn reforçou que o guidance foi desenhado com margem de segurança — uma forma de navegar um ano que tende a ser mais volátil, inclusive por conta das eleições de outubro. 

“Queremos passar um número que tenhamos conforto em entregar mesmo em cenários de instabilidade. Se o mercado for favorável, com o ciclo de queda de juros, o cenário pode ser melhor, trazendo novas safras de IPOs e fazendo com que clientes busquem ativos de maior risco, o que eleva a receita”, disse o CFO. 

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Manter um ROE próximo de 27%, disse o executivo, exige crescimento robusto de lucro — algo em torno de 20% —, o que justifica uma postura mais cautelosa nas projeções. “É um esforço desafiador, por isso preferimos um guidance mais conservador.” 

Juros menores, mercado maior — e mais espaço para o BTG 

Na visão do BTG, o início do ciclo de cortes na Selic tende a ser um vento a favor importante para a operação em 2026.  

Juros mais baixos reduzem o risco de crédito, ampliam o apetite por ativos de maior risco e ajudam a destravar o mercado de capitais — uma equação especialmente favorável para um banco com forte presença em investment bankingwealthasset sales & trading

“Com juros mais baixos, nossas vantagens competitivas ficam ainda mais evidentes”, afirmou Cohn. 

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A expectativa é de uma migração gradual da renda fixa para ações, fundos imobiliários e multimercados ao longo de 2026. Ainda que títulos isentos sigam competindo por recursos, o banco já espera movimentos marginais nessa direção nos próximos meses. 

No mercado de capitais, o otimismo também aparece. “Além dos follow-ons recentes, há uma boa chance de vermos IPOs se o ambiente se mantiver”, disse o CFO. “Muitas empresas estão prontas, os múltiplos melhoraram e o patamar da bolsa subiu. Vemos investidores estrangeiros procurando ativos no Brasil.” 

Expansão internacional no radar 

A agenda de crescimento de resultados inclui ainda a expansão geográfica do BTG Pactual. Cohn destacou a conclusão da compra do M.Y. Safra Bank, nos Estados Unidos, que permitirá ao banco receber depósitos e conceder empréstimos no país — ampliando a oferta para clientes brasileiros, latino-americanos e residentes nos EUA. 

A expectativa é que a operação ganhe tração no fim de 2026 e se torne mais relevante em 2027. 

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No Uruguai, a aquisição de um banco local aguarda aprovação regulatória e deve contribuir nos próximos anos. No Peru, o BTG aguarda a licença bancária para iniciar operações ainda neste ano. 

“Continuamos desenvolvendo novos produtos e serviços, seja por aquisições maiores ou menores”, afirmou o CFO. 

O que fazer com as ações do BTG? 

Entre as sete recomendações para BPAC11 compiladas pelo TradeMap, cinco são de compra e duas neutras.  

O Itaú BBA segue otimista. Enquanto isso, o BB Investimentos elevou o preço-alvo para R$ 68,60 ao fim de 2026, o que implica em um potencial de valorização de 14% em relação ao último fechamento, e manteve recomendação de compra. 

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Já o JP Morgan reconhece que crescimento e execução justificam prêmio de valuation, mas vê um potencial de alta mais limitado para o BTG Pactual no curto prazo — o que sustenta sua posição neutra. 

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