Sonho americano cada vez maior: JBS (JBSS32) quer comprar fatia restante da Pilgrim’s Pride e ficar mais perto do S&P 500
JBS avança no mercado americano ao propor adquirir ações restantes da Pilgrim’s Pride, visando simplificar estrutura e fortalecer presença na indústria de proteínas

A JBS (JBSS32) quer dar mais um passo para se fortalecer ainda mais nos Estados Unidos. A gigante de produtos animais anunciou nesta terça-feira (18) proposta não vinculante para comprar a totalidade das ações ordinárias em circulação da norte-americana Pilgrim’s Pride que ainda não possui, segundo comunicados ao mercado.
A Pilgrim’s Pride é uma das principais empresas do grupo JBS no mercado de proteínas. A companhia atua na criação, processamento e comercialização de frangos e suínos, com operações na América do Norte, México e Europa, e comercializa produtos frescos, congelados e de maior valor agregado.
A companhia brasileira já controla cerca de 82% das ações da Pilgrim’s Pride, direta ou indiretamente. A proposta, portanto, busca incorporar os acionistas minoritários da empresa norte-americana.
Detalhes da oferta
A operação prevê a troca de 2,086 ações ordinárias Classe A da JBS por cada ação ordinária da Pilgrim’s Pride, cotadas a US$ 28,49. Ou seja, não há prêmio sobre o valor da ação.
A operação também pretende eliminar a listagem da empresa na Nasdaq e concentrar os ativos sob uma estrutura corporativa única.
Para os acionistas não afiliados da Pilgrim’s Pride, a proposta prevê a continuidade da participação no negócio por meio das ações da JBS, além do acesso a uma companhia com maior liquidez no mercado acionário.
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A proposta para a Pilgrim’s Pride ainda não representa um acordo definitivo. A conclusão depende da aprovação de um comitê especial independente do Conselho de Administração da companhia norte-americana, além da aprovação da maioria dos acionistas não afiliados e do cumprimento das demais condições habituais para o fechamento.
Qual o objetivo da JBS
Segundo a JBS, entre os objetivos da transação estão a simplificação da estrutura societária do grupo e a redução de custos associados à manutenção da Pilgrim’s Pride como companhia aberta independente.
Para o Itaú BBA, a oferta é um passo natural e uma progressão da estratégia da JBS no mercado norte-americano.
"Na nossa visão, incorporar integralmente a PPC à JBS não apenas simplifica a estrutura societária, mas também fortalece a tese de investimento do grupo ao consolidar uma importante fonte de resultados, ampliar a exposição dos investidores à plataforma combinada e, potencialmente, melhorar o posicionamento da JBS para futura inclusão em índices acionários."
Com maior valor de mercado, ela pode ampliar sua vocação para índices mais abrangentes do mercado acionário dos EUA, justamente um dos pontos centrais da estratégia da companhia.
A JBS passou recentemente a integrar os índices Russell 1000 e Russell 3000, de small caps. O próximo degrau para a empresa é ser incluída no índice S&P MidCap 400 (S&P 400), um intermediário antes de buscar um lugar no cobiçado S&P 500, que inclui as empresas mais capitalizadas do mercado norte-americano.
A ideia é aumentar a liquidez do papel de forma indireta. Ao compor esses índices, a ação entra na carteira de todos os fundos que investem neles automaticamente.
O sonho americano da JBS
O mercado norte-americano está no centro da estratégia de expansão internacional da brasileira. Hoje, a JBS é a maior produtora global de frango e carne bovina no mundo e segunda maior produtora de carne suína. Na América do Sul, é a maior produtora de ovos, depois da compra de 50% da Mantiqueira Alimentos.
A JBS pisou nos Estados Unidos pela primeira vez com a aquisição da Swift & Company em 2007, por US$ 1,4 bilhão. Na época, era uma das maiores processadoras de carne bovina e suína do país.
Já em 2009, comprou uma fatia da Pilgrim's Pride, que estava em um processo de reestruturação de dívida, conhecido como Chapter 11 nos EUA. A empresa incorporou 64% da norte-americana por US$ 800 milhões. Foi a entrada da JBS no mercado de frangos dos EUA.
Desde então, a JBS aumentou (e muito) sua presença no país. A JBS passou a ter ações negociadas diretamente em Nova York em junho de 2025, em uma operação de dupla listagem que ampliou sua base potencial de investidores internacionais, e depois deu adeus à B3.
Segunda tentativa de compra da Pilgrim's Pride
Não é a primeira vez que a JBS tenta comprar o controle da mão dos minoritários. Em agosto de 2021, fez uma oferta de US$ 26,50 por ação para embolsar os 18% restantes. Acabou aumentando o valor para US$ 28,50, mas foi rejeitada por um comitê independente da produtora de frango por considerar o valor baixo.
Em fevereiro de 2022, a JBS retirou formalmente a oferta.
Entre 2024 e 2025, os papéis da Pilgrim's Pride chegaram a valores recordes, mas já caíram cerca de 50% desde o seu pico, diz o Itaú BBA.
Mais de quatro anos depois da primeira proposta pelo controle total, a oferta pela Pilgrim's Pride volta. O preço por papel é praticamente o mesmo, mas a empresa de frango vive um momento diferente, com queda das ações na Nasdaq.
Hoje, a Pilgrim's não está no seu melhor momento em termos de rentabilidade. A divisão anunciou uma receita de US$ 4,63 bilhões no segundo trimestre, queda de 2,8%.
O Ebitda caiu para quase metade, de US$ 687 milhões para US$ 360 milhões, com a margem Ebitda sendo reduzida de 14,4% para 7,8% em um ano. Já o lucro operacional ajustado foi de US$ 237 milhões, com margem de 5,1%, também queda em relação ao trimestre anterior.
Entre os outros negócios da JBS no país, a margem melhorou de um ano para cá. A divisão de carne suína viu a margem do lucro operacional aumentar para 6,6%, e a de carne bovina melhorou de -4,6% para -1,9% — os EUA vivem um dos piores momentos em termos de oferta de gado dos últimos anos, pressionando os custos.
Apesar do desempenho mais fraco, a JBS continua investindo na divisão. Ela anunciou um investimento recente um uma fábrica de alimentos processados da Pilgrim's, no estado de Georgia, além de investimentos no México para a produção de alimentos frescos e industrializados.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Money Times
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