Adeus, Wall Street: Cosan (CSAN3) prepara saída da bolsa de Nova York; veja quando será seu último pregão
Companhia pretende deslistar seus ADSs da NYSE, mas seguirá com as ações ordinárias negociadas normalmente na B3

A Cosan (CSAN3) já começou a fazer as malas para se despedir de Wall Street. A holding de Rubens Ometto notificou formalmente o mercado norte-americano sobre a intenção de deslistar voluntariamente suas American Depositary Shares (ADSs) da bolsa de Nova York (NYSE).
A despedida, porém, não significa deixar de vez o mercado de ações. As ações ordinárias da companhia continuarão negociadas no Novo Mercado da B3, onde, segundo a própria Cosan, já está concentrada a maior parte das negociações de seus papéis.
Vale destacar que cada ADS da Cosan, representada por American Depositary Receipts (ADRs), equivale a quatro ações ordinárias CSAN3.
Segundo a companhia, a saída de Nova York faz parte de um movimento maior para simplificar e otimizar sua estrutura de capital, reduzir custos e concentrar esforços nas frentes consideradas mais relevantes para o negócio.
Sozinha, a deslistagem não muda a história financeira da companhia. Mas é mais uma peça retirada de uma estrutura que a Cosan vem tentando enxugar — justamente depois de um período em que dívida e complexidade pesaram sobre a tese de investimento.
- Confira aqui: Ometto está desmontando o próprio império? O plano da Cosan (CSAN3) para finalmente destravar valor para a ação
Quando será o adeus da Cosan (CSAN3) a Nova York?
O próximo passo está previsto para 8 de setembro de 2026, quando a Cosan pretende protocolar o Formulário 25 junto à Securities and Exchange Commission (SEC), a reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos.
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Se o cronograma for cumprido, o último pregão dos ADSs da Cosan na NYSE será em 18 de setembro.
A companhia ressalta, porém, que as datas são estimativas e dependem do cumprimento das etapas necessárias para concluir o processo.
A saída da NYSE também não encerra completamente os vínculos da Cosan com o mercado norte-americano.
A holding informou que continuará registrada sob o U.S. Securities Exchange Act de 1934 e seguirá cumprindo as obrigações de divulgação previstas pela legislação dos Estados Unidos.
A empresa também não providenciou a listagem, cotação ou registro de seus ADSs em outra bolsa ou sistema de negociação.
Além disso, a Cosan afirmou que poderá adiar ou retirar os protocolos antes que produzam efeitos, assim como alterar seus planos relacionados à deslistagem.
A situação financeira do império de Ometto
A despedida de Wall Street acontece enquanto a Cosan tenta avançar em uma missão mais ampla: simplificar a estrutura e aliviar o peso da dívida sobre a holding.
No segundo trimestre, a dívida líquida da Cosan Corporate caiu 47% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 9,22 bilhões. A redução foi ajudada pelos recursos levantados na oferta secundária (IPO) da Compass (PASS3), dos quais cerca de R$ 2,3 bilhões foram usados para amortizar dívidas.
A companhia ainda encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 320 milhões, uma melhora de R$ 625 milhões em relação ao ano anterior. Segundo a Cosan, o resultado foi beneficiado principalmente pela menor despesa efetiva de impostos, pelo melhor resultado financeiro e pela redução das despesas gerais e administrativas.
É nessa equação que entra um dos principais indicadores para acompanhar a capacidade financeira da holding: o novo guidance de cobertura do serviço da dívida.
A métrica relaciona os dividendos recebidos das subsidiárias ao custo de servir a dívida da holding e estava em apenas 0,2 vez no fim do primeiro semestre.
A meta é levar esse indicador para 0,8 vez a 1,2 vez até o fim de 2026, com dividendos recebidos entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão.
A Cosan recebeu R$ 434 milhões em dividendos no primeiro semestre. Considerando o ponto médio do guidance, de R$ 1,55 bilhão, isso significa buscar mais R$ 1,1 bilhão na segunda metade do ano.
Desse montante, R$ 586 milhões já viriam da venda de terras agrícolas da Radar. Restariam, portanto, cerca de R$ 530 milhões a serem recebidos das demais subsidiárias. Para o BTG, essa cifra parece “bastante factível”.
*Com informações do Money Times.
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