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Programa para renegociação de dívidas promete juros menores, mas analistas alertam para pressão sobre os balanços das instituições financeiras

O novo Desenrola Adimplentes promete aliviar o custo do crédito para milhões de brasileiros, mas pode criar uma dor de cabeça para os bancos. Na avaliação do JP Morgan, o programa lançado pelo governo nesta segunda-feira (29) tende a pressionar a rentabilidade do setor.
A nova iniciativa é voltada a trabalhadores informais e clientes com empréstimos em dia ou com até 90 dias de atraso, em operações de até R$ 15 mil.
As linhas terão garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO) e juros limitados a 1,99% ao mês, bem abaixo das taxas praticadas atualmente pelo mercado, que giram em torno de 8% ao mês, segundo os analistas.
Na visão do JP Morgan, o programa traz dois impactos principais para o setor bancário.
O primeiro é uma possível compressão da margem financeira (NIM). Com clientes migrando de empréstimos mais caros para operações subsidiadas ou garantidas pelo governo, a receita financeira dos bancos tende a diminuir.
O segundo ponto preocupa ainda mais os analistas: o risco moral. Para os analistas, a sucessão de programas de renegociação pode estimular parte dos consumidores a adiar o pagamento das dívidas na expectativa de condições mais favoráveis no futuro.
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"Vários programas governamentais podem aumentar o risco moral", afirmam os analistas, em relatório.
Desde maio, o governo lançou diferentes iniciativas para refinanciamento de dívidas envolvendo pessoas físicas inadimplentes, pequenas e médias empresas (PMEs), crédito estudantil, produtores rurais e, agora, também consumidores adimplentes.
O JP Morgan reconhece que o mercado de crédito brasileiro enfrenta desafios importantes.
Segundo o banco, o país reúne cerca de 75 milhões de pessoas com restrições de crédito, comprometimento elevado da renda das famílias e um ambiente que ainda sofre influência do crescimento das apostas esportivas, visto como um novo concorrente pela renda disponível dos brasileiros.
Ainda assim, os analistas questionam se ampliar sucessivamente os programas de renegociação é a resposta mais adequada para esses problemas estruturais.
"Não temos certeza de que a criação de múltiplos programas — incluindo programas voltados para empréstimos adimplentes — seja a abordagem correta para lidar com essas questões estruturais e estamos preocupados com as implicações de risco moral que isso pode gerar", avaliam os analistas.
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