Braskem (BRKM5) sobe na bolsa após pedido de OPA do controlador; saiba o que move a ação
Apesar do protocolo do pedido, a oferta ainda não foi lançada. O início depende da aprovação da CVM e da B3

O novo controlador da Braskem (BRKM5) anunciou a intenção de comprar todas as ações ordinárias e preferenciais da companhia, o que pode levá-la a sair da bolsa de valores. Segundo fato relevante divulgado pela manhã de hoje (11), a OPA terá como objeto a aquisição de 100% das ações ordinárias e preferenciais da Braskem.
A proposta do fundo Shine prevê que os acionistas que aderirem à oferta recebam a mesma contrapartida utilizada na compra do controle da companhia junto à Novonor: uma estrutura baseada em debêntures (títulos de dívida) emitidas pela própria NSP Investimentos.
Apesar do protocolo do pedido, a oferta ainda não foi lançada. O início depende da aprovação da CVM e da B3. Após a obtenção dos registros necessários será divulgado o edital definitivo com todas as condições.
Sob a nova estrutura de controle, a IG4, por meio do fundo Shine, detém 50,1% das ações com direito a voto da petroquímica, enquanto a Petrobras tem 47%.
Além disso, a empresa já apresentou aos credores detentores de dívidas emitidas no exterior (bonds) uma proposta de alongamento do prazo em cinco anos, além de um corte de 2% nos juros. A informação é do Broadcast, servido em tempo real do Estadão Conteúdo.
A companhia somava, ao fim do primeiro trimestre de 2026, uma dívida bruta de US$ 9,4 bilhões, cerca de R$ 48,6 bilhões, e 91% desses débitos foram emitidos em moeda estrangeira.
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As ações estão em alta hoje. Por volta das 11h30, a ação sobe 5,06%, negociada a R$ 9,75, e é a maior valorização do Ibovespa do dia. As ações acumulam queda de 6,90% no último ano e de 7,17% apenas em junho.
A empresa petroquímica, que vem sofrendo com o descasamento entre oferta e demanda desde a pandemia, além dos efeitos do crime ambiental do afundamento de um bairro em Maceió, também está sentindo os efeitos da guerra no Oriente Médio.
Os problemas da Braskem
Se entre março e abril a empresa acreditava que poderia se beneficiar de uma oferta mais restritiva de produtos de petróleo, agora o cenário é o contrário. O mercado vive uma correção impulsionada por demanda fraca e aumento constante de oferta dos produtos.
No início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã, com o fechamento do Estreito de Ormuz, os preços dos bens petroquímicos na Ásia ficaram mais caros. Esse descasamento com os valores do ocidente agora está se fechando, à medida que um aumento na oferta de cargas asiáticas mais competitivas pressiona os preços na Europa e nas Américas.
"As tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam sendo uma fonte de incerteza, mas seu impacto imediato nos preços foi ofuscado por fundamentos de mercado fracos", diz o Citi em relatório.
O Citi também reduziu o preço-alvo para a Braskem para R$ 11,50 por ação (de R$ 14), potencial de valorização de 16,2%. A mudança foi feita porque o banco enxerga um múltiplo menor entre o preço da ação e o Ebitda estimado para o ano, diante da deterioração do cenário de preços e spreads petroquímicos.
Em meio a tudo isso, ela recentemente mudou de mãos — a fatia da Novonor, ex-Odebrecht, passou para gestora de private equity IG4 — e de CEO e CFO.
Qual a luz no fim do túnel para a Braskem?
O banco Citi adicionou, em seu relatório, um alerta de catalisador de alta à tese. Esse potencial seria o anúncio de um plano de recuperação. Em seu mais recente relatório, o banco manteve a posição neutra e de alto risco para a ação BRKM5 e ainda cortou o preço-alvo, mas acrescentou um catalisador positivo para o papel.
E a empresa precisa correr contra o relógio para evitar um calote de R$ 760 milhões nos investidores em juros de dívidas emitidas no exterior, que vencem entre julho e agosto.
No dia 3 de junho, o portal Pipeline, do Valor Econômico, noticiou que a petroquímica não fará esses pagamentos nos prazos originais, o que abre as portas para um calote oficial. Alguns dias depois, no entanto, a petroquímica informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que ainda não tomou qualquer decisão formal sobre uma eventual reestruturação de sua dívida.
Em seu estudo, o Citi considera um provável período de carência para pagamento de dívida e juros até o final de 2027, além de um desconto (haircut) sobre a dívida bruta variando entre 5% e 25%.
O banco também considera que não haverá conversão de dívida em ações, o que eliminaria a diluição da posição dos acionistas. Vale lembrar que o mecanismo de conversão de débitos em equity, ou participação acionária, tem sido bastante usado pelas empresas.
"Acreditamos que o provável plano de reestruturação pode ser positivo para os acionistas, já que entendemos que a companhia pode reduzir sua alavancagem no curto prazo nessas condições, dado nosso cenário operacional. Assim, passamos a incluir um Catalyst Watch de alta para um provável plano de reestruturação, que deve ser divulgado em breve", afirmou o banco.
Com Money Times
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