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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

DEJÁ-VU

Grupo Pão de Açúcar (PCAR3): depois de um “não”, acionista aliado de Rafael Ferri insiste e pede uma nova Assembleia

O acionista Hugo Shoiti Fujisawa formalizou uma nova solicitação de assembleia geral extraordinária no Pão de Açúcar. A tentativa anterior, feita em conjunto com Rafael Ferri, foi negada pela varejista na semana passada

Bia Azevedo
Bia Azevedo
19 de janeiro de 2026
15:10 - atualizado às 14:16
Pão de Açúcar
Pão de Açúcar - Imagem: Jacques Lepine / Estadão Conteúdo

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) recebeu um novo pedido de convocação de Assembleia Geral Extraordinária (AGE) pelo acionista Hugo Shoiti Fujisawa. A intenção é deliberar sobre a eleição de membros para o conselho de administração e a exclusão do dispositivo estatutário que obriga a realização uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) em casos de aquisição de 25% ou mais do capital de da companhia.

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Essa é a segunda vez que o acionista esteve envolvido em um pedido como esse. No começo deste mês, Fujisawa assinou, ao lado do acionista Rafael Ferri, um pedido semelhante — que foi negado pela companhia na semana passada, sob a alegação de que os dois não teriam o percentual mínimo de ações exigido por lei para convocar uma AGE.

Agora, o Grupo Pão de Açúcar afirmou que irá analisar a proposta e responderá ao acionista solicitante e ao mercado no prazo e nos termos previstos em lei.

A trajetória de Rafael Ferri no Pão de Açúcar

Ferri é um velho conhecido do GPA. Ao longo do ano passado, ele teve uma atuação ativa e ruidosa na varejista, marcada por tentativas de ganhar espaço no conselho de administração e por disputas com outros grupos de acionistas.

O investidor começou 2025 aumentando participação e articulando apoio entre minoritários para entrar no conselho. Em um primeiro momento, ele até foi eleito para ocupar vaga no conselho, mas perdeu a posição depois de movimentações no alto escalão associadas à chegada da família Coelho Diniz ao posto de acionista majoritária da companhia.

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Cabe lembrar que, no passado, Ferri chegou a ser condenado pela CVM por manipulação de mercado no caso da chamada "bolha do alicate", como ficou conhecida a valorização e posterior queda da empresa de utensílios domésticos Mundial.

Leia Também

As mudanças no alto escalão do Grupo Pão de Açúcar

Recentemente, o comando da empresa passou por uma série de mudanças marcantes e que mexeram fortemente com as ações da companhia.

Primeiro, a varejista anunciou um novo CEO: Alexandre Santoro, vindo da IMC, dona das redes Frango Assado, Viena e Pizza Hut, entrou para substituir Marcelo Pimentel, que renunciou ao cargo em outubro do ano passado.

Dias depois, o CFO e diretor de relação com investidores, Sirotsky Russowsky, renunciou ao cargo, empurrando o GPA para uma queda forte na bolsa.

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O CEO recém-empossado ocupa essas posições de forma interina. Russowsky liderava o processo de desalavancagem e as negociações tributárias com o fisco, e seu substituto terá que acumular funções mesmo com pouco tempo na empresa, elevando o risco de execução.

Você pode entender mais detalhes sobre isso nesta reportagem do Seu Dinheiro.

Esses movimentos são simultâneos à tomada de rédeas do controle da companhia pela família mineira Coelho Diniz, que se tornou a principal acionista do grupo no ano passado.

Com isso, a família superou a empresa francesa Segisor, que tem pouco mais de 20% do capital, que se tornou acionista após reorganização societária realizada em 2015 pela Casino, antiga controladora do Grupo Pão de Açúcar.

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