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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Como uma nova ferramenta de IA da Anthropic explica a queda de 13% da Totvs (TOTS3) na bolsa

Lançamento da Anthropic automatiza tarefas nas áreas jurídica, comercial, marketing e análise de dados, segmentos em que empresas como a Totvs concentram boa parte de seus ganhos

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4 de fevereiro de 2026
19:20 - atualizado às 18:58
Totvs (TOTS3)
Fachada da Totvs (TOTS3) - Imagem: Divulgação

Um novo anúncio da Anthropic, dona do grupo de modelos de linguagem Claude, está chacoalhando o setor de tecnologia. Empresas de software mundo afora vêm, desde terça-feira (3), acumulando fortes quedas após a Anthropic lançar uma nova ferramenta de inteligência artificial (IA) especializada em automatização de contratos. E a brasileira Totvs (TOTS3) não escapou disso.

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A ferramenta — um plug-in para o Claude — automatiza tarefas nas áreas jurídica, comercial, marketing e análise de dados, segmentos em que empresas de software corporativo, como a Totvs, concentram parte relevante de suas receitas.

O lançamento em si, segundo os analistas, mais do que um produto, mostra a investida de companhias na chamada “camada de aplicação”, em que elas estão cada vez mais se infiltrando em negócios corporativos lucrativos.

Se bem-sucedida, temem os investidores, essa estratégia poderá causar impactos em diversos setores, das finanças, ao direito e à programação.

As ações da Totvs fecharam o pregão desta quarta-feira (4) em queda de 12,89%, cotada a R$ 37,98, figurando entre as maiores perdas do Ibovespa. Nas últimas cinco sessões, TOTS3 acumula baixa de quase 17,5%.

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Totvs aposta na IA

A Totvs, frequentemente apontada como a maior companhia brasileira de softwares, atua principalmente com Enterprise Resource Planning (ERP), sistemas de gestão que integram áreas como finanças, contabilidade, recursos humanos, produção e vendas.

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As soluções atendem companhias de diferentes tamanhos e setores, com oferta tanto na nuvem quanto instalada.

Além disso, a Totvs oferece Customer Relationship Management (CRM), voltado à gestão de clientes e vendas, ferramentas de análise de dados e a frente de Techfin, que integra serviços financeiros — como crédito e pagamentos — aos sistemas de gestão.

Vale lembrar que, recentemente, a empresa anunciou a venda da Dimensa para a multinacional latino-americana de tecnologia financeira Evertec, em uma transação avaliada em R$ 1,4 bilhão.

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Segundo a Totvs, o negócio teve como objetivo "ampliar o foco no crescimento de suas operações core, com desenvolvimento de seu portfólio integrado de soluções em Cloud, com inteligência artificial”.

Estratégia da Anthropic

A estratégia da Anthropic e seu potencial para prejudicar empresas estabelecidas, lembra a forma como a Amazon.com revolucionou diversos setores ao usar sua posição consolidada em um nicho de mercado de livros online para construir um negócio que agora abrange varejo, computação em nuvem e logística.

Alguns analistas afirmaram que o sucesso desses modelos de negócios baseados em IA, no entanto, está longe de ser garantido, visto que eles carecem dos dados especializados que são cruciais para as empresas nesses setores.

A venda de ações expressou uma corrida para proteger portfólios, já que os rápidos avanços na tecnologia obscurecem as avaliações e as perspectivas de negócios para além das previsões padrão de três a cinco anos das empresas.

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Veja também: Revolução ou bolha? A verdade sobre a febre da inteligência artificial

“Ainda não chegamos ao ponto em que os agentes de IA irão destruir as empresas de software, especialmente considerando as preocupações com segurança, propriedade e uso de dados”, disse Ben Barringer, chefe de pesquisa de tecnologia da Quilter Cheviot.

Barringer afirmou que é provável que haja mais volatilidade no futuro. “Em tempos de volatilidade, as pessoas costumam atirar primeiro e perguntar depois”, acrescentou.

Muita calma nessa hora

Alguns analistas e especialistas afirmaram ser prematuro decretar o fim das empresas globais de software e dados. O presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, declarou na terça-feira que o temor de que a IA substitua o software e ferramentas relacionadas é “ilógico” e que “o tempo provará” isso.

Mark Murphy, chefe de pesquisa de software empresarial nos EUA do JP Morgan, disse que “parece um salto ilógico” afirmar que um novo plug-in de um LLM “substituiria todas as camadas de software empresarial de missão crítica”.

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O software é visto como especialmente vulnerável à disrupção, uma vez que ferramentas como o Claude automatizam cada vez mais as tarefas rotineiras que há muito sustentam o poder de precificação do setor.

“Estamos agora em um ambiente em que o setor não é apenas considerado culpado até que se prove o contrário, mas está sendo sentenciado antes do julgamento”, disse Toby Ogg, analista do JP Morgan.

“Nossa impressão, baseada em conversas com investidores, é de que o interesse geral em entrar nesse mercado permanece baixo”, acrescentou, citando riscos como a concorrência de empresas nativas de IA e clientes que desenvolvem suas próprias soluções internamente.

*Com informações da Reuters e Money Times

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