Marcopolo (POMO4) cai forte após governo cancelar a compra de 7.500 ônibus escolares. Saiba se a ação ficou barata e se vale a pena comprar agora
Na visão dos analistas, a decisão aumenta o risco de um hiato nas entregas do programa Caminho da Escola

As ações da fabricadora de carrocerias Marcopolo (POMO4) caem forte nesta quarta-feira (4), depois que Governo Federal revogou a licitação do novo ciclo do programa Caminho da Escola, que previa a compra de cerca de 7,5 mil ônibus escolares.
Por volta das 16h05 (de Brasília), os papéis da companhia caíam 4,92% no Ibovespa, cotadas a R$ 6,18. Nos últimos seis meses, POMO4 acumula queda de quase 25%.
Mais cedo, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) decidiu cancelar — e não apenas suspender — o certame, com o objetivo de adequar o edital a uma nova lei de isenção tributária.
A mudança exige a realização de novos estudos técnicos antes da publicação de um novo edital, sem previsão de lançamento.
Marcopolo sai perdendo
Na avaliação do Itaú BBA, a decisão é negativa no curto prazo para a Marcopolo, pois aumenta o risco de um hiato nas entregas do programa, justamente em um momento em que a carteira atual de pedidos da companha ligada ao Caminho da Escola tende a se esgotar.
“Embora sigamos confiantes de que um novo conjunto de documentos será publicado e de que o programa deve avançar, o cancelamento aumenta o risco de uma interrupção temporária nas entregas, à medida que o backlog da companhia se encerra”, escreveram os analistas, liderados por Gabriel Rezende, em relatório.
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Segundo o banco, o novo ciclo do Caminho da Escola responde por cerca de 10% do volume total projetado para a empresa em 2026, o que faz com que qualquer atraso tenha impacto direto sobre a visibilidade de produção e receitas da companhia no próximo ano — leitura que ajuda a explicar a reação negativa das ações no pregão.
O que esperar para o futuro
Ainda assim, o Itaú BBA aponta possíveis amortecedores. Um deles é o contrato vencido pela Volkswagen, em parceria com a Marcopolo, para fornecer até 3 mil micro-ônibus ao Ministério da Saúde em 2026, dentro de um programa que não existia em 2025.
“Esperamos que ao menos 700 unidades se convertam em pedidos firmes, o que pode ajudar a compensar parte dos atrasos relacionados ao Caminho da Escola”, acrescenta o relatório.
Apesar do ruído no curto prazo, o banco manteve recomendação outperform (equivalente à compra) para a Marcopolo, com preço-alvo de R$ 10,00 para o fim de 2026.
Ainda assim, o episódio reforça a dependência da companhia de grandes programas públicos — um risco que o mercado tratou de precificar rapidamente nesta terça-feira.
*Com informações do Money Times
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