BTG Pactual (BPAC11) já não é pechincha, mas JP Morgan aposta que ação ainda tem fôlego para saltar mais 30% na B3
Analistas elevam a recomendação das units BPAC11 e apostam em crescimento mais resiliente, mesmo com juros altos e mercado de capitais mais travado

As ações do BTG Pactual (BPAC11) já não negociam nos níveis mais baratos vistos em outros momentos do mercado, mas isso não foi suficiente para afastar o JP Morgan da tese.
Depois de um período com recomendação neutra, o banco norte-americano elevou as units do BTG para overweight — equivalente à compra — e estabeleceu um preço-alvo de R$ 66 para o fim de 2027.
O valor representa um potencial de valorização de 30% em relação ao fechamento anterior.
Na visão dos analistas, o BTG deixou de ser apenas uma aposta no humor do mercado para se tornar uma plataforma de crescimento mais resiliente, apoiada em receitas diversificadas, ganhos recorrentes de participação de mercado e novas avenidas de expansão.
“A franquia parece cada vez mais ‘all weather’ [para qualquer clima] e um gerador de crescimento resiliente”, afirmam os analistas.
Para o JP Morgan, a combinação de qualidade operacional, liquidez das ações e valuation torna o ponto de entrada atrativo — mesmo depois da reprecificação dos papéis nos últimos anos.
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BTG Pactual deixou de ser só um banco de ciclos
Historicamente, investir no BTG significava, em boa medida, apostar em uma retomada do mercado de capitais.
Em ciclos de juros mais baixos, maior apetite por risco e atividade mais intensa em ofertas de ações, fusões e aquisições (M&As), o banco costumava se beneficiar de forma mais evidente.
Porém, em momentos de mercado mais travado, a exposição ao Investment Banking (IB) e às receitas ligadas a tarifas alimentava a percepção de maior sensibilidade ao ciclo.
É justamente essa lógica que o JP Morgan considera superada — ou, ao menos, menos relevante do que no passado.
Mesmo com os juros em patamares elevados e um ambiente ainda menos favorável para operações de mercado de capitais, o BTG tem conseguido compensar parte da desaceleração em Investment Banking com outras áreas de negócios.
Asset & Wealth Management, que responde por cerca de 22% das receitas, e crédito corporativo, com participação de aproximadamente 24%, são apontados pelo banco como os principais amortecedores do resultado.
Na visão dos analistas, essas frentes têm capacidade para sustentar o crescimento da receita e reduzir a volatilidade do lucro por ação mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador.
“Mesmo que alguns mercados finais esfriem com juros mais altos, esperamos que os ganhos contínuos de participação mantenham o crescimento da receita acima do setor”, diz o JP Morgan.
O avanço do BTG Pactual sobre os rivais
Segundo o JP Morgan, a principal evidência dessa transformação está no avanço do BTG sobre a concorrência.
Desde 2019, o banco tem crescido, em média, duas vezes acima do ritmo da indústria na maior parte de seus segmentos. Esse desempenho ajudou a ampliar de forma relevante sua presença no sistema financeiro brasileiro.
A participação do BTG no lucro líquido total do setor bancário, por exemplo, saltou de 2,4% em 2019 para 8,3% no primeiro trimestre de 2026.
No crédito corporativo, a carteira do banco já alcança cerca de 55% do tamanho do portfólio de grandes empresas do Itaú, ante apenas 19% em 2019.
Em Asset Management, a participação de mercado em ativos sob gestão passou de 2,1% para 5,9% no mesmo intervalo.
Para o JP Morgan, os números mostram que o crescimento do BTG não depende apenas de um ambiente mais favorável para os mercados.
A leitura é que o banco vem se consolidando como um ganhador estrutural de participação — isto é, uma instituição que cresce acima dos pares mesmo quando o setor desacelera.
A expectativa é que esse movimento continue nos próximos anos, apoiado em uma gestão que, segundo os analistas, vem reiterando a confiança na capacidade de entregar mais uma década de expansão.
Crédito consignado, PMEs e exterior: as próximas avenidas
Além do avanço nos negócios já consolidados, o JP Morgan vê espaço para novas fontes de crescimento.
Uma delas é o crédito consignado privado. Nas contas do banco, o BTG saiu de uma participação próxima de zero para uma fatia superior a 10% desse mercado em cerca de um ano.
O segmento de pequenas e médias empresas (PMEs) também aparece como uma oportunidade relevante de médio prazo.
A recomendação dos analistas, no entanto, é que o banco preserve a disciplina de risco em um momento de juros elevados e maior seletividade no crédito.
“Crescer com cuidado” é a estratégia mais adequada para esse ponto do ciclo, na avaliação do JP Morgan.
A expansão internacional completa o mapa de oportunidades, ainda que em estágio inicial. Para o banco norte-americano, a operação fora do Brasil pode ampliar o mix de receitas e prolongar a trajetória de crescimento do BTG ao longo do tempo.
Crédito corporativo, Investment Banking e Wealth Management são vistos pelos analistas como os “vetores mais naturais” dessa expansão.
BPAC11: o valuation ainda faz sentido?
O upgrade do JP Morgan não ignora que o BTG já passou por uma reprecificação relevante e não negocia mais nos níveis observados em períodos de maior estresse do mercado.
Ainda assim, os analistas avaliam que a melhora operacional justifica parte desse prêmio.
Nas contas dos analistas, as units do banco negociam a 8,3 vezes o lucro estimado para 2027.
Para o JP Morgan, o múltiplo parece atraente diante de um retorno sobre o patrimônio líquido, ou ROE, projetado entre 25% e 26% — patamar que o BTG tem conseguido sustentar mesmo em um ambiente de juros elevados e menor atividade em algumas linhas de negócio.
“Embora não esteja tão barato quanto em dezembro de 2024, o negócio também é de maior qualidade hoje, e vemos a combinação de qualidade + liquidez neste ponto de entrada como atraente”, avalia o JP Morgan.
O que pode atrapalhar a tese de compra do BTG Pactual
Apesar do tom positivo, o JP Morgan também destaca os riscos que podem comprometer a trajetória esperada para as ações.
O principal deles é uma desaceleração mais intensa nas receitas de Sales & Trading, área responsável por cerca de 20% do faturamento do banco e sensível às condições de mercado e à volatilidade dos ativos.
Uma normalização mais rápida do que o esperado na inadimplência corporativa também pode pressionar os resultados, especialmente se vier acompanhada de um ambiente macroeconômico mais fraco.
O relatório ainda cita eventuais ruídos relacionados à sucessão na liderança do BTG como outro ponto de atenção para os investidores.
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