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Os analistas revelaram por que reduziram as perspectivas no curto prazo — e o que pode destravar valor para SOJA3 lá na frente
A colheita de boas notícias para a Boa Safra (SOJA3) ficou pelo caminho — ao menos por enquanto. O Itaú BBA decidiu puxar o freio no otimismo: rebaixou a recomendação da companhia para market perform (equivalente a neutra) e cortou o preço-alvo.
O novo target foi fixado em R$ 10,00 para o fim de 2026, uma redução de 33% em relação à estimativa anterior para o final de 2025. Apesar do corte, a nova cifra ainda prevê uma valorização de 13,7% das ações frente ao fechamento anterior.
Segundo os analistas, o rebaixamento é reflexo de “uma abordagem mais conservadora para o setor no curto prazo”.
Em outras palavras, o cenário deixou de ser terreno fértil para apostas mais agressivas. O otimismo não desapareceu por completo, mas perdeu força no curto prazo.
O pano de fundo da visão mais conservadora do Itaú BBA passa por uma combinação de frustrações recentes e expectativas mais modestas à frente. Os últimos balanços da Boa Safra ficaram aquém do esperado — e, na visão do banco, não indicam uma reversão rápida desse quadro.
O banco projeta que o ambiente siga desafiador para os produtores rurais ao longo da safra 2025/26, pressionando toda a cadeia de insumos agrícolas.
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Nesse contexto, o principal motor de criação de valor no curto prazo deixa de ser o crescimento acelerado e passa a ser a rentabilidade — uma virada que, segundo os analistas, tende a levar mais tempo para ganhar tração.
“Estamos ajustando nosso modelo com uma visão mais conservadora, desvinculando o principal vetor de criação de valor no curto prazo do crescimento e direcionando-o a uma plataforma mais orientada à rentabilidade”, afirmou o banco, em relatório.
Essa mudança de rota consiste em priorizar eficiência operacional e um maior aproveitamento da atual participação de mercado, em vez de perseguir ganhos de volume a qualquer custo.
O problema é que esse tipo de estratégia costuma exigir paciência — algo raro em um ambiente de custo de capital elevado.
Diante desse novo cenário, o Itaú BBA revisou para baixo suas estimativas de Ebitda para 2026 e 2027, com cortes de 32% e 40% nas projeções, respectivamente.
Para os analistas, essa recalibragem “pode manter os investidores à margem no curtíssimo prazo enquanto a companhia se ajusta a um cenário macro mais desafiador na cadeia de suprimentos”.
Segundo o banco, o apetite do mercado é limitado para teses com poucos gatilhos imediatos — especialmente quando combinadas a um perfil de resultados sazonal, como é o caso da Boa Safra.
A expectativa é que essa sazonalidade continue afastando investidores até que haja maior visibilidade sobre uma possível virada de ciclo, algo que só deve começar a ficar mais claro a partir do terceiro trimestre de 2026, na visão dos analistas.
“Esperamos pouca disposição a pagar antecipadamente por melhorias tangíveis em um ambiente de alto custo de capital — especialmente para companhias com resultados fortemente concentrados em determinados trimestres”, diz o banco.
Apesar do tom mais cauteloso, o Itaú BBA não descarta a tese de investimento na Boa Safra por completo.
Os analistas seguem enxergando valor no longo prazo, tanto na Boa Safra quanto no segmento de sementes. Mas preferem aguardar à margem enquanto o setor atravessa um ciclo difícil no curto prazo.
Para voltar a ficar mais construtivo com o papel, o BBA aponta dois gatilhos principais.
O primeiro é a descompressão do chamado pool de lucros ao longo da cadeia agrícola. O longo período de preços deprimidos da soja vem corroendo a rentabilidade dos produtores — e, por consequência, afetando volumes, preços e mix de sementes em toda a cadeia.
“Olhando adiante, acreditamos que compreender esse equilíbrio deverá acionar um novo vetor de criação de valor para a tese de investimento de curto prazo da Boa Safra”, escreveram os analistas.
O segundo fator é uma maior clareza sobre as iniciativas recentes da companhia para recuperar margens.
Nos últimos meses, a administração reforçou o discurso de disciplina de preços, eficiência operacional e uso mais conservador de capital — priorizando o fortalecimento da marca e o aproveitamento da escala atual, sem pressa para expandir capacidade ou capital de giro.
Para o Itaú BBA, essa postura é construtiva diante das “externalidades desafiadoras” que vêm pressionando o agronegócio.
A expectativa é que o foco renovado em margens possa levar o Ebitda a se recuperar gradualmente em direção aos níveis observados em 2023, ainda que esse movimento só se consolide ao longo dos próximos anos, possivelmente até 2028.
No horizonte mais distante, porém, a história é outra. O Itaú BBA segue confiante no potencial estrutural da indústria de sementes e do agronegócio brasileiro como um todo.
A demanda global por alimentos permanece robusta e ganhou um reforço adicional com a expansão do mercado de biocombustíveis.
Além disso, o avanço tecnológico liderado por grandes players globais tende a criar novas oportunidades de captura de valor ao longo da cadeia — e a Boa Safra aparece bem-posicionada para se beneficiar desse movimento, graças à escala e à relevância de mercado.
“Com sua atual participação de mercado e escala estabelecida, a companhia parece bem-posicionada para capitalizar essas dinâmicas de longo prazo e fortalecer seu papel em uma cadeia de valor mais consolidada e orientada à tecnologia”, afirmam os analistas.
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