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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

ACABOU A COLHEITA?

Boa Safra (SOJA3) na berlinda? Itaú BBA rebaixa ação e corta preço-alvo. Descubra o que fazer com a ação agora

Os analistas revelaram por que reduziram as perspectivas no curto prazo — e o que pode destravar valor para SOJA3 lá na frente

Camille Lima
Camille Lima
19 de janeiro de 2026
17:25 - atualizado às 16:29
Boa Safra SOJA3
Imagem: Boa Safra / Divulgação / Instagram

A colheita de boas notícias para a Boa Safra (SOJA3) ficou pelo caminho — ao menos por enquanto. O Itaú BBA decidiu puxar o freio no otimismo: rebaixou a recomendação da companhia para market perform (equivalente a neutra) e cortou o preço-alvo. 

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O novo target foi fixado em R$ 10,00 para o fim de 2026, uma redução de 33% em relação à estimativa anterior para o final de 2025. Apesar do corte, a nova cifra ainda prevê uma valorização de 13,7% das ações frente ao fechamento anterior.  

Segundo os analistas, o rebaixamento é reflexo de “uma abordagem mais conservadora para o setor no curto prazo”. 

Em outras palavras, o cenário deixou de ser terreno fértil para apostas mais agressivas. O otimismo não desapareceu por completo, mas perdeu força no curto prazo. 

Por trás do corte na Boa Safra (SOJA3) 

O pano de fundo da visão mais conservadora do Itaú BBA passa por uma combinação de frustrações recentes e expectativas mais modestas à frente. Os últimos balanços da Boa Safra ficaram aquém do esperado — e, na visão do banco, não indicam uma reversão rápida desse quadro. 

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O banco projeta que o ambiente siga desafiador para os produtores rurais ao longo da safra 2025/26, pressionando toda a cadeia de insumos agrícolas.  

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Nesse contexto, o principal motor de criação de valor no curto prazo deixa de ser o crescimento acelerado e passa a ser a rentabilidade — uma virada que, segundo os analistas, tende a levar mais tempo para ganhar tração. 

“Estamos ajustando nosso modelo com uma visão mais conservadora, desvinculando o principal vetor de criação de valor no curto prazo do crescimento e direcionando-o a uma plataforma mais orientada à rentabilidade”, afirmou o banco, em relatório. 

Essa mudança de rota consiste em priorizar eficiência operacional e um maior aproveitamento da atual participação de mercado, em vez de perseguir ganhos de volume a qualquer custo.  

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O problema é que esse tipo de estratégia costuma exigir paciência — algo raro em um ambiente de custo de capital elevado. 

Projeções mais conservadoras 

Diante desse novo cenário, o Itaú BBA revisou para baixo suas estimativas de Ebitda para 2026 e 2027, com cortes de 32% e 40% nas projeções, respectivamente.  

Para os analistas, essa recalibragem “pode manter os investidores à margem no curtíssimo prazo enquanto a companhia se ajusta a um cenário macro mais desafiador na cadeia de suprimentos”.   

Segundo o banco, o apetite do mercado é limitado para teses com poucos gatilhos imediatos — especialmente quando combinadas a um perfil de resultados sazonal, como é o caso da Boa Safra.  

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A expectativa é que essa sazonalidade continue afastando investidores até que haja maior visibilidade sobre uma possível virada de ciclo, algo que só deve começar a ficar mais claro a partir do terceiro trimestre de 2026, na visão dos analistas.

“Esperamos pouca disposição a pagar antecipadamente por melhorias tangíveis em um ambiente de alto custo de capital — especialmente para companhias com resultados fortemente concentrados em determinados trimestres”, diz o banco. 

O que precisa mudar para a Boa Safra voltar ao radar? 

Apesar do tom mais cauteloso, o Itaú BBA não descarta a tese de investimento na Boa Safra por completo.  

Os analistas seguem enxergando valor no longo prazo, tanto na Boa Safra quanto no segmento de sementes. Mas preferem aguardar à margem enquanto o setor atravessa um ciclo difícil no curto prazo. 

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Para voltar a ficar mais construtivo com o papel, o BBA aponta dois gatilhos principais.  

O primeiro é a descompressão do chamado pool de lucros ao longo da cadeia agrícola. O longo período de preços deprimidos da soja vem corroendo a rentabilidade dos produtores — e, por consequência, afetando volumes, preços e mix de sementes em toda a cadeia. 

“Olhando adiante, acreditamos que compreender esse equilíbrio deverá acionar um novo vetor de criação de valor para a tese de investimento de curto prazo da Boa Safra”, escreveram os analistas. 

O segundo fator é uma maior clareza sobre as iniciativas recentes da companhia para recuperar margens.  

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Nos últimos meses, a administração reforçou o discurso de disciplina de preços, eficiência operacional e uso mais conservador de capital — priorizando o fortalecimento da marca e o aproveitamento da escala atual, sem pressa para expandir capacidade ou capital de giro. 

Para o Itaú BBA, essa postura é construtiva diante das “externalidades desafiadoras” que vêm pressionando o agronegócio.  

A expectativa é que o foco renovado em margens possa levar o Ebitda a se recuperar gradualmente em direção aos níveis observados em 2023, ainda que esse movimento só se consolide ao longo dos próximos anos, possivelmente até 2028. 

A tese segue viva no longo prazo 

No horizonte mais distante, porém, a história é outra. O Itaú BBA segue confiante no potencial estrutural da indústria de sementes e do agronegócio brasileiro como um todo.  

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A demanda global por alimentos permanece robusta e ganhou um reforço adicional com a expansão do mercado de biocombustíveis. 

Além disso, o avanço tecnológico liderado por grandes players globais tende a criar novas oportunidades de captura de valor ao longo da cadeia — e a Boa Safra aparece bem-posicionada para se beneficiar desse movimento, graças à escala e à relevância de mercado. 

“Com sua atual participação de mercado e escala estabelecida, a companhia parece bem-posicionada para capitalizar essas dinâmicas de longo prazo e fortalecer seu papel em uma cadeia de valor mais consolidada e orientada à tecnologia”, afirmam os analistas. 

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