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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

CHORIPÁN NO PIX

Banco do Brasil (BBAS3) passa a oferecer Pix para brasileiros em viagem à Argentina — e nem precisa ser cliente do banco

Brasileiros agora podem pagar compras em lojas físicas argentinas usando Pix; veja o mecanismo

Camille Lima
Camille Lima
6 de março de 2026
17:01 - atualizado às 19:05
Banco do Brasil (BBAS3) lança Pix na Argentina.
Banco do Brasil (BBAS3) lança Pix na Argentina. - Imagem: iStock/Montagem Seu Dinheiro

Durante muito tempo, viajar para a Argentina significou fazer uma pequena engenharia financeira antes mesmo de pedir o primeiro choripán: comprar pesos, levar dólares ou torcer para o cartão não cobrar caro demais no câmbio. Agora, o roteiro pode ficar mais simples. O Banco do Brasil (BBAS3) decidiu levar o Pix para fora do país. 

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A partir de agora, brasileiros poderão pagar compras na Argentina usando Pix diretamente em estabelecimentos físicos, mesmo que não sejam clientes do banco. 

Segundo o BB, a solução lançada na Argentina é pioneira entre instituições financeiras tradicionais para permitir pagamentos instantâneos de brasileiros no exterior. 

“Com a novidade, o BB marca mais uma vez uma posição de vanguarda, sendo o pioneiro no contexto de bancos incumbentes com esse tipo de solução a clientes bancários brasileiros”, disse o banco, em nota à imprensa. 

Mas o plano vai além da Argentina. A iniciativa foi pensada como um ponto de partida para um projeto mais ambicioso: levar o Pix para outros países ao redor do mundo — especialmente regiões com forte presença de brasileiros, como partes da América, Europa e Ásia. 

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“Começamos pela Argentina, ampliando oportunidades para o comércio local e oferecendo aos brasileiros uma experiência de pagamento ágil e confiável, mas nossa visão é global: queremos que o cliente BB se sinta em casa, onde quer que esteja”, afirmou Felipe Prince, conselheiro do Banco Patagonia e vice-presidente de controles internos e gestão de risco do Banco do Brasil. 

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Onde o Pix será aceito na Argentina 

A funcionalidade estará disponível em estabelecimentos credenciados no país. Segundo o Banco do Brasil, mais de 6 mil pontos comerciais em Buenos Aires e outras cidades argentinas já estão preparados para receber pagamentos por meio da solução. 

Na prática, o viajante precisará procurar os adesivos ou plaquinhas indicando que o comércio aceita pagamentos via Pix. 

Neste primeiro momento, a operação será concentrada em estabelecimentos clientes do Banco Patagonia, instituição argentina que faz parte do conglomerado do BB. 

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Mas o desenho do sistema foi feito com ambição maior. De acordo com o Banco do Brasil, a infraestrutura permitirá que, no futuro, qualquer comerciante argentino possa receber pagamentos via Pix, mesmo sem relacionamento direto com o Patagonia. 

Nova solução do Banco do Brasil: como pagar com Pix na Argentina? 

Para o turista brasileiro, a experiência será praticamente idêntica ao uso do Pix no Brasil. 

O processo começa com a leitura de um QR Code exibido pelo comerciante, que pode estar em uma maquininha de pagamento ou outro dispositivo. 

O cliente abre o aplicativo da sua instituição financeira no Brasil, escaneia o código, confere os dados da transação e confirma o pagamento. 

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Segundo o BB, não será necessário cadastro prévio ou qualquer tipo de liberação especial. 

Mais detalhes do Pix do Banco do Brasil na Argentina 

A solução foi construída em parceria com o Banco Patagonia e com a plataforma de cobrança Wapa, desenvolvida pela instituição argentina. 

Além disso, o sistema conta com integração da Coelsa, empresa que fornece infraestrutura tecnológica para conectar bancos, adquirentes e carteiras digitais no mercado de pagamentos da América Latina. 

Segundo Oswaldo Parré, presidente do Banco Patagonia, a iniciativa representa mais um passo na integração financeira da região. 

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“Esta inovação permite que os comércios argentinos ampliem suas vendas e que os cidadãos brasileiros que visitam a Argentina possam contar com uma solução segura e ágil para pagar suas compras”, afirmou Parré. 

Segundo o BB, o trunfo da funcionalidade é a operação cambial integrada, que acontece automaticamente no momento do pagamento. 

Quando o cliente realiza a transação, o Banco do Brasil executa a conversão da moeda para pesos argentinos. O débito ocorre em reais diretamente na conta corrente ou poupança do cliente. 

Para o usuário, a operação aparece no extrato como um Pix comum — com a diferença de que haverá incidência de IOF. 

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Antes de confirmar o pagamento, o aplicativo exibirá todas as informações da transação, incluindo o valor em pesos, a cifra convertida em reais e o imposto incidente na operação. 

Do lado do comerciante argentino, o valor é creditado diretamente em pesos na conta do Banco Patagonia. 

O que muda em relação ao pagamento com Pix que já é feito na Argentina? 

É verdade que já existiam formas alternativas de usar Pix para pagar na Argentina, principalmente por meio de fintechs

O Mercado Pago, por exemplo, lançou em fevereiro de 2025 uma solução que permite que turistas brasileiros paguem com Pix em estabelecimentos na Argentina, por meio de QR Code, nas maquininhas da empresa.

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Mas, em alguns casos, o funcionamento costuma ser diferente: o pagamento é recebido em uma conta no Brasil e posteriormente transferido ao exterior — muitas vezes utilizando sistemas de liquidação internacional como o Swift. 

Na avaliação de Rafael Bianchini, professor da FGV Direito SP, o grande diferencial da solução do Banco do Brasil está na verticalização da operação: o BB conseguiu integrar as pontas da transação em um único conglomerado. 

Nos modelos anteriores, a operação dependia de acordos entre diferentes instituições financeiras em países distintos. 

“Os arranjos já existentes englobam diferentes instituições e conglomerados, o que acaba trazendo mais riscos legais e, em menor medida, operacionais”, afirmou. “É inovador sim, mas não é uma inovação brutal. Eu diria que é um caminho natural das instruções que possuem subsidiárias no exterior.” 

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Bianchini ressalta, porém, que essa iniciativa não deve ser confundida com o Pix internacional, projeto que faz parte da agenda do Banco Central. 

Nesse caso, seria necessário um acordo entre bancos centrais de diferentes países para permitir liquidação direta entre contas mantidas nas autoridades monetárias. 

Argentinos também já podem pagar com “Pix” no Brasil 

Em fevereiro, o Banco do Brasil também lançou uma solução “inversa”, que permite que clientes argentinos também utilizem uma experiência semelhante ao Pix durante visitas ao Brasil. 

Batizada de QR Pix, a ferramenta permite que clientes do Banco Patagonia realizem pagamentos em estabelecimentos brasileiros diretamente pelo aplicativo do banco argentino. 

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O funcionamento é simples: o comerciante apresenta o QR Code Pix e o turista argentino faz o pagamento pelo celular — sem precisar baixar aplicativos adicionais ou lidar com dinheiro em espécie.  

Por trás da operação, a compra é convertida para dólares e debitada da conta do cliente na Argentina, enquanto o comerciante brasileiro recebe o valor instantaneamente via Pix. 

Na fintech Mercado Pago, desde dezembro de 2025, turistas argentinos podem pagar com Pix em estabelecimentos no Brasil usando a conta digital Mercado Pago.

Segundo pesquisa da fintech com clientes argentinos, sete em cada dez turistas argentinos entrevistados utilizaram Pix em todas as compras durante a viagem para o Brasil, e 96% consideraram o meio de pagamento simples de usar.

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Na prática, significa que um turista argentino pode abrir o aplicativo do Banco Patagonia e pagar, por exemplo, uma água de coco na praia no Brasil, com um processo quase idêntico ao Pix que os brasileiros usam todos os dias. 

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