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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

BALANÇO

Itaú Unibanco (ITUB4) supera expectativas com lucro de R$ 12,3 bilhões e rentabilidade de 24% no 4T25; veja os destaques do resultado

O resultado veio acima das expectativas de analistas de mercado; confira os indicadores

Camille Lima
Camille Lima
4 de fevereiro de 2026
18:34 - atualizado às 19:31
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4).
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4). - Imagem: Divulgação

Quando o sarrafo é alto demais, o risco de decepção é grande. No Itaú Unibanco (ITUB4), porém, a frustração raramente entra em campo. No quarto trimestre de 2025 (4T25), o maior banco privado do país entregou um lucro líquido gerencial de R$ 12,3 bilhões.

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O resultado representa um expansão de 13,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 3,7% ante o trimestre imediatamente anterior

“Entregamos resultados consistentes em 2025 com disciplina de risco, solidez e governança robusta", afirmou o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, em nota. "Entramos em 2026 preparados para crescer com responsabilidade e seguir criando valor de forma sustentável."

O desempenho veio acima do que o mercado esperava. Analistas projetavam, em média, um lucro de R$ 11,369 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg. Os ADRs (recibos de ações) do Itaú reagiram ao balanço mais forte que o esperado: subiam quase 3% no aftermarket em Wall Street.

No consolidado de 2025, o Itaú fechou o ano com lucro de R$ 46,8 bilhões — um avanço de 13,1% em relação a 2024.

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Rentabilidade em outro patamar

Em termos de rentabilidade, o Itaú voltou a ampliar a distância em relação aos pares do setor bancário brasileiro, se isolando no topo da lista de bancos mais rentáveis.

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O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) alcançou 24,4% no trimestre — alta de 2,3 pontos percentuais na comparação anual e de 1,1 ponto em relação ao terceiro trimestre. No acumulado do ano, o ROE ficou em 23,4%.

A métrica veio praticamente em linha com o esperado pelo mercado, que projetava um ROE médio de 24,2%, segundo dados compilados pelo Seu Dinheiro.

Mais do que isso, reforçou a diferença em relação aos pares privados. No mesmo período, o Santander Brasil (SANB11), por exemplo, registrou um ROE de 17,6%.

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Itaú (ITUB4) entrega o prometido em 2025

Mais importante: o banco entregou exatamente o que havia prometido. Em 2025, os resultados ficaram próximos ao ponto médio de praticamente todas as linhas do guidance divulgado ao mercado. Confira:

Fonte: Reprodução/Balanço

Outros destaques do balanço do Itaú (ITUB4) no 4T25 

margem financeira, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, encerrou o trimestre a R$ 31,5 bilhões, o que representa um avanço de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado e estabilidade (+0,5%) na comparação trimestral. 

Já a margem com clientes do Itaú teve alta de 8,6% na base anual e 1,5% na comparação trimestral, a R$ 30,9 bilhões. O desempenho acompanhou o maior volume de crédito, maior margem de passivos e de capital de giro próprio.

O peso veio da margem financeira com o mercado, que mede o desempenho das operações de tesouraria. Esse indicador tombou 34% em relação ao quarto trimestre do ano passado e 33,9% frente ao trimestre anterior, para R$ 597 milhões — reflexo de um ambiente menos favorável para esse tipo de operação no país, segundo o banco.

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Crédito cresce com qualidade

A carteira de crédito do Itaú cresceu 6% frente ao mesmo intervalo de 2024, com aumento de 6,3% em comparação com o último trimestre, para R$ 1,49 trilhão.  

No Brasil, o portfólio de pessoas físicas cresceu 3,9% no ano, puxado principalmente por cartões de crédito, crédito imobiliário e crédito consignado.

Já a carteira de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) avançou 8,8%, impulsionada pela expansão dos programas governamentais voltados ao segmento.

De olho na inadimplência e provisões  

Mesmo com um cenário macroeconômico ainda exigente, o Itaú manteve a qualidade dos ativos sob controle. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou estável pelo quarto trimestre consecutivo, com leve retração de 0,1 ponto percentual na comparação anual, em 1,9%.

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Já o indicador de curto prazo (entre 15 e 90 dias) recuou 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e permaneceu estável frente a 2024, em 1,6%.

Segundo o banco, a melhora está ligada a um evento pontual envolvendo um grande cliente corporativo, que já estava "adequadamente provisionado, classificado em estágio 3 e que foi cedido para empresa não ligada, sem coobrigação".

No quarto trimestre, o Itaú também vendeu carteiras de crédito ativas sem retenção de risco, incluindo:

  • R$ 3,3 bilhões em créditos do atacado no Brasil com atraso superior a 90 dias;
  • R$ 25 milhões em créditos da América Latina também acima de 90 dias;
  • R$ 1,3 bilhão em carteiras ativas ainda adimplentes, sendo R$ 1,1 bilhão de grandes empresas e R$ 189 milhões da América Latina.

Por sua vez, as provisões para perda esperada (PDD) — o colchão dos bancos contra calotes — cresceram 4,9% no comparativo anual, para R$ 10 bilhões em perdas previstas no crédito no quarto trimestre. 

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Enquanto isso, o custo do crédito cresceu 8,7% em relação ao mesmo intervalo de 2024 e 2,8% na comparação trimestral, para R$ 9,39 bilhões. O Itaú afirma que trata-se de um reflexo direto da expansão da carteira ao longo do ano.

“A carteira permaneceu saudável, o custo de crédito ficou no ponto médio do guidance e avançamos em eficiência e controle de custos. Mantivemos capitalização e liquidez em níveis confortáveis, sustentadas por uma política de capital prudente e gestão conservadora de riscos", afirmou o diretor financeiro (CFO), Gabriel Amado de Moura.

Tarifas, custos e eficiência

As receitas do Itaú com prestação de serviços subiram 7,4% no período em relação ao ano passado, a R$ 12,5 bilhões. O desempenho foi impulsionado por administração de recursos, maior emissão de cartões e crescimento das receitas de pagamentos e recebimentos.

Enquanto isso, as despesas não decorrentes de juros aumentaram 3,7% no comparativo anual, encerrando o trimestre em R$ 19,9 bilhões — refletindo principalmente investimentos em tecnologia e os efeitos do acordo coletivo de trabalho.

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Ainda assim, o Itaú conseguiu avançar em eficiência. O índice de eficiência no Brasil caiu para 36,9%, o menor patamar da série histórica para um quarto trimestre. No consolidado, o índice fechou em 38,9%.

Além disso, o índice de eficiência do Itaú chegou a 36,9% no Brasil, o menor patamar da série histórica para um quarto trimestre. No consolidado, o índice de eficiência fechou o período em 38,9%.

Vale lembrar: o banco estabeleceu uma meta ambiciosa de reduzir o índice de eficiência no varejo para 35% até 2028.

O que esperar do Itaú em 2026

Além dos resultados do 4T25, o Itaú também revelou o que esperar das operações em 2026. Confira o guidance (projeções) para este ano: 

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IndicadorGuidance 2026
Carteira de crédito totalCrescimento entre 5,5% e 9,5%
Carteira de crédito – BrasilCrescimento entre 6,5% e 10,5%
Margem financeira com clientesCrescimento entre 5% e 9%
Margem financeira com o mercadoEntre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões
Custo do créditoEntre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões
Receita de prestação de serviços e resultado de segurosCrescimento entre 5% e 9%
Despesas não decorrentes de jurosCrescimento entre 1,5% e 5,5%
Alíquota efetiva de IR/CSEntre 29,5% e 32,5%

Segundo o CFO do Itaú, o guidance deste ano reflete a capacidade do banco "de navegar diferentes cenários e seguir entregando retorno com responsabilidade e consistência".

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