Atraso acumulado: Oi (OIBR3) adia balanços dos dois últimos trimestres e não dá nova previsão para divulgar os números
A operadora adiou a divulgação dos resultados do terceiro e do quarto trimestres de 2025, além das demonstrações financeiras anuais, e segue sem nova data para apresentação dos números ao mercado

Em meio a uma crise cada vez mais severa, a Oi (OIBR3) informou na noite desta segunda-feira (23) que vai adiar a a divulgação dos resultados do terceiro e quarto trimestres de 2025, bem como das demonstrações financeiras de 2025.
Inicialmente, a Oi previa divulgar os números em 25 de março, com apresentação ao mercado no dia seguinte. Agora, essas datas foram suspensas e ainda não há novo prazo definido.
Segundo a empresa, o atraso ocorre por conta dos impactos contábeis ligados ao processo de reestruturação e às vendas de ativos em andamento, que ainda estão sendo refletidos nas demonstrações financeiras.
Esses elementos impactam a elaboração do relatório de gestão que precisa ser apresentado pelo administrador judicial à Justiça até abril, etapa obrigatória dentro do processo de recuperação. Ou seja, antes de fechar os números, a companhia precisa consolidar eventos relevantes da reestruturação, o que tem atrasado a finalização das demonstrações.
A crise cada vez mais severa na Oi
A oi vem enfrentando sérias turbulências desde o ano passado, quando a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decretou a falência da operadora de telecomunicações, que enfrentava seu segundo processo de recuperação judicial.
A decisão foi assinada pela juíza Simone Gastesi Chevrand, que determinou a conversão da recuperação judicial em falência. “Não há mais surpresas quanto ao estado do Grupo em recuperação judicial. A Oi é tecnicamente falida”, escreveu a magistrada.
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“A despeito de todas as tentativas e esforços, não há mínima possibilidade de equacionamento entre o ativo e o passivo da empresa. Não há viabilidade financeira no cumprimento das obrigações devidas pela Oi”, acrescentou Chevrand.
Na época, no entanto, a desembargadora Mônica Maria Costa, da Primeira Câmara de Direito Privado do TJ-RJ, suspendeu os efeitos da decretação de falência, em resposta aos recursos apresentados por Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) no dia seguinte à decisão.
Com a suspensão, a companhia retornou ao processo de recuperação judicial, que busca liquidar os ativos de forma organizada, extrair o máximo de valor possível e preservar a continuidade — ou ao menos a transição — dos serviços essenciais.
Recentemente, a telecom tem enfrentado dificuldades para vender seu principal ativo na tentativa de se reerguer: a V.tal, rede neutra de telecomunicações. Na abertura de propostas para o negócio, a companhia recebeu apenas uma oferta pela participação, com valor inferior ao preço mínimo estipulado, de R$ 12,3 bilhões.
Com isso, a proposta recebida não foi imediatamente rejeitada nem aprovada, mas encaminhada para uma etapa adicional de análise dentro do próprio processo de recuperação judicial.
Agora, caberá aos credores enquadrados na chamada Opção de Reestruturação I, prevista no plano de recuperação da companhia, deliberar sobre a oferta apresentada.
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