Brasil dá as cartas: JBS (JBSS32), Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) dizem que país é imbatível no mercado global de carne
Os CEOs das gigantes brasileiras de proteína participaram nesta terça-feira (7) de evento promovido pelo Bradesco BBI e fizeram um raio-x do setor

O mundo passa por uma mudança estrutural no padrão de consumo, com a proteína assumindo o protagonismo no prato. Mais do que um movimento cíclico, trata-se de uma transformação de longo prazo, impulsionada por fatores demográficos, avanços em saúde e mudanças no comportamento do consumidor.
Nesse contexto, o Brasil — e, de forma mais ampla, a América do Sul — surge como peça central na oferta global de carne. A avaliação foi feita pelos CEOs de JBS (JBSS32), Minerva Foods (BEEF3) e MBRF (MBRF3) nesta terça-feira (7) durante o 12th Annual Brazil Investment Forum, do Bradesco BBI.
O CEO da MBRF, Miguel Gularte, destacou que o país ainda está longe de atingir seu potencial máximo de produtividade. Segundo ele, a combinação entre genética, nutrição e manejo, aliada ao uso crescente de insumos como o DDG, deve destravar uma nova fase de eficiência na pecuária.
“As proteínas passam a protagonizar o centro do prato com os avanços das canetas emagrecedoras”, afirmou, ao citar também o impacto de novas tecnologias de saúde sobre os hábitos alimentares.
Na mesma linha, o CEO da Minerva, Fernando Queiroz, avaliou que a integração entre lavoura, pecuária e agroindústria vem promovendo uma transformação estrutural na cadeia produtiva.
Esse modelo permite ao Brasil ganhar competitividade e acelerar sua capacidade de produção, ampliando o papel da região no comércio internacional de carne bovina.
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Segundo Queiroz, a carne bovina tem virado cada vez mais uma commodity global.
Já o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, reforçou que os ganhos de produtividade se somam às vantagens naturais do país — como clima, solo e disponibilidade de recursos — criando uma posição única no cenário global.
“A nossa vocação é o agro, e especialmente em carne bovina, somos imbatíveis. Estamos começando a ultrapassar os Estados Unidos em produção, que tem metade do nosso rebanho. O Brasil passa, cada vez mais, a dar as cartas nesse mercado.”
Os ciclos permanecem
Apesar do pano de fundo positivo, os executivos ressaltaram que o setor continuará sujeito a ciclos — especialmente na pecuária bovina, na qual o tempo de reposição do rebanho é mais longo.
A diferença, segundo eles, é que esses ciclos tendem a ser menos extremos do que no passado, à medida que o mercado se torna mais globalizado e diversificado.
Um exemplo disso é o atual cenário dos Estados Unidos, que vivem um ciclo de baixa mais prolongado do que o esperado, segundo Tomazoni.
A recomposição do rebanho tem ocorrido de forma mais lenta, impactada por fatores como custo financeiro elevado, eventos sanitários e a própria estrutura fragmentada da produção, baseada em pequenos pecuaristas.
Esse tipo de dinâmica reforça a importância da diversificação geográfica e de portfólio — estratégia central das grandes companhias do setor, que operam em diferentes países e proteínas para equilibrar riscos e capturar oportunidades.
Um mundo mais complexo e com barreiras
Ao mesmo tempo, a expansão global da carne bovina vem acompanhada de um ambiente mais complexo do ponto de vista geopolítico. Barreiras tarifárias, cotas e restrições comerciais ganham relevância justamente no momento em que as barreiras sanitárias deixam de ser o principal entrave.
Na avaliação dos executivos, esse deve ser um dos principais campos de disputa nos próximos anos. Mercados como Japão, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático aparecem como prioridades para expansão, enquanto a África desponta como uma fronteira relevante de crescimento, impulsionada pelo aumento populacional.
Mesmo assim, o diagnóstico é de que a demanda global segue firme — e, em muitos casos, superior à oferta. Isso dá ao Brasil uma posição privilegiada não apenas como fornecedor, mas como formador de mercado.
Além do cenário externo, o mercado doméstico brasileiro também foi citado como um pilar importante. Apesar das oscilações econômicas recentes, o consumo interno tem mostrado resiliência e tendência de crescimento, com consumidores mais exigentes em relação à qualidade, conveniência e valor nutricional dos produtos.
Novo padrão de consumo no Brasil
A mudança no perfil de consumo dialoga com outra tendência destacada pelos CEOs: a sofisticação da demanda. O consumidor não quer apenas mais proteína, mas uma melhor proteína — com informação clara, qualidade nutricional e, cada vez mais, atributos funcionais.
Nesse sentido, além do avanço da proteína “natural”, cresce o espaço para inovação, incluindo “superproteínas”, soluções baseadas em biotecnologia e inteligência artificial que se apresentam como uma nova tendência, na visão do CEO da JBS.
No fim das contas, o consenso entre os executivos é que o mundo caminha para um cenário de maior consumo, maior sofisticação e maior integração dos mercados. E, nesse novo tabuleiro, o Brasil deixa de ser apenas um grande produtor para assumir um papel mais estratégico.
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